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Demência associada ao HIV

Por

Juebin Huang

, MD, PhD, Memory Impairment and Neurodegenerative Dementia (MIND) Center, University of Mississippi Medical Center

Última revisão/alteração completa mar 2018| Última modificação do conteúdo mar 2018
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A demência associada ao HIV é a deterioração progressiva da função mental devido a infecção do cérebro pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).

  • Ao contrário de quase todas as outras formas de demência, a demência associada ao HIV tende a ocorrer em pessoas mais jovens.

  • Em geral, a demência começa sutilmente mas avança firmemente ao longo de poucos meses ou anos, normalmente depois do surgimento de outros sintomas da infecção pelo HIV.

  • Os médicos diagnosticam demência associada ao HIV com base nos sintomas, em testes do estado mental, em exames de sangue para HIV e em exames de imagem.

  • O tratamento da infecção pelo HIV com terapia antirretroviral às vezes melhora drasticamente a função mental, porém não cura a demência.

Nos estágios finais da infecção pelo HIV, o vírus pode infectar diretamente o cérebro. O HIV danifica as células nervosas, causando a demência.

A demência é uma diminuição, lenta e progressiva, da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade para aprender. A demência difere do delirium, que é caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar com clareza e flutuações do nível de alerta.

  • A demência afeta principalmente a memória e o delirium afeta principalmente a atenção.

  • A demência normalmente apresenta início gradual e não um início definitivo. O delirium inicia-se repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo.

Em pessoas com infecção por HIV, a demência também pode resultar de outras doenças, incluindo linfomas, que afetam o cérebro e infecções que as pessoas com infecção por HIV são propensas a obter uma vez que seu sistema imunológico está enfraquecido. Essas infecções são chamadas infecções oportunistas e incluem leucoencefalopatia multifocal progressiva, toxoplasmose (uma infecção por parasita), e meningite por fungos ( Infecções oportunistas comuns associadas à AIDS). Algumas dessas doenças podem ser tratadas.

Ao contrário de quase todas as outras formas de demência, a demência associada ao HIV tende a ocorrer em pessoas mais jovens.

Sintomas

A demência associada ao HIV geralmente inicia-se de forma sutil, mas pode progredir continuamente no espaço de meses ou anos. Geralmente ocorre após outros sintomas da infecção do HIV.

Os primeiros sintomas de demência associada ao HIV incluem

  • Raciocínio e expressão mais lentos

  • Dificuldade de concentração

  • Apatia

Mas a consciência não é afetada. Os movimentos são lentos, os músculos ficam fracos e a coordenação pode ser prejudicada.

Em algumas pessoas ocorre o desenvolvimento de psicose, como alucinações, delírios ou paranoia. Algumas pessoas ficam maníacas. Ou seja, eles ficam muito inquietas e hiperativas. Podem falar rapidamente e agir sem bom senso.

Sem o tratamento, geralmente a demência associada ao HIV progride, tornando-a grave.

Diagnóstico

  • Uma avaliação de um médico para demência, infecção por HIV ou ambos

  • Exames de sangue para determinar a gravidade da infecção pelo HIV

  • Imagem por ressonância magnética e geralmente uma punção lombar

Geralmente, o diagnóstico de demência em pessoas com infecção por HIV é semelhante àquele de outras demências.

Os médicos devem determinar se uma pessoa apresenta demência e, se for o caso, se é uma demência associada ao HIV.

Diagnóstico de demência

Os médicos baseiam o diagnóstico de demência no seguinte:

  • Sintomas, que são identificados ao perguntar à pessoa e seus familiares ou outros cuidadores

  • Resultados de um exame físico, incluindo um exame neurológico

  • Resultados do teste de estado mental

  • Resultados de testes adicionais, como tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM)

Testes de estado mental, consistindo de simples questões e tarefas, ajudam os médicos a determinar se as pessoas apresentam demência.

Algumas vezes, mais detalhes para os testes (chamados testes neuropsicológicos) são necessários. Esses exames cobrem todas as funções mentais principais, incluindo o estado de ânimo, e a sua realização dura de 1 a 3 horas. Esse teste ajuda os médicos a distinguir a demência de outras condições que podem causar sintomas semelhantes, tais como desgaste da memória associado à idade, do transtorno cognitivo leve e da depressão.

Informações das fontes acima podem geralmente ajudar os médicos a descartarem delirium como a causa dos sintomas ( Comparação entre delirium e demência). Fazer isso é essencial, pois o delirium, diferente da demência, pode frequentemente ser revertido se for tratado rapidamente.

Diagnóstico de demência associada ao HIV

Se as pessoas que não sabem ter infecção por HIV desenvolvem sintomas de demência e apresentam fatores de risco para a infecção por HIV, os médicos podem suspeitar de demência associada ao HIV e realizar testes para verificar a presença do HIV, assim como para a demência.

Quando é diagnosticada a infecção pelo HIV ou quando a função mental muda nas pessoas com infecção pelo HIV, é realizada uma imagem por ressonância magnética (RM) para verificar a existência de outras infecções no cérebro, como a toxoplasmose. Quando a mudança ocorre de repente, a causa deve ser identificada rapidamente, pois o tratamento precoce pode prolongar a vida. A demência associada ao HIV não tratada pode causar a morte dentro de 6 meses.

A não ser que os resultados da TC ou da MR sugiram que a pressão dentro do crânio aumentou, os médicos costumam fazer uma punção lombar para obter uma amostra do líquido cefalorraquidiano, que é analisado e verificado quanto à presença de infecção. Os resultados podem suportar, mas não confirmar o diagnóstico de demência associada ao HIV.

Se houver infecção pelo HIV ou suspeita de demência associada ao HIV, os médicos realizam exames de sangue para medir:

Esses exames ajudam a determinar a gravidade da infecção pelo HIV. Se a pessoa tiver infecção pelo HIV e demência, esses exames ajudam a determinar se a infecção pelo HIV está contribuindo para a demência.

Tratamento

  • Medicamentos antirretrovirais

Sem o tratamento, a demência associada ao HIV pode ser fatal. No entanto, quando a infecção pelo HIV é tratada com terapia antirretroviral (TAR), a função mental por vezes melhora drasticamente. A TAR consiste de combinações de fármacos utilizados para tratar a infecção por HIV. No entanto, devido ao fato de a infecção não estar curada, a demência pode voltar.

O tratamento envolve medidas gerais para fornecer segurança e apoio, assim como para todas as demências.

Medidas de segurança e apoio

Criar um ambiente seguro e de apoio pode ser muito útil ( Criação de um ambiente benéfico para as pessoas com demência).

Geralmente, o ambiente deve ser iluminado, alegre, seguro, e estável e projetado de tal forma que ajude com a orientação. Alguns estímulos, como rádio ou televisão, são úteis, mas estímulos excessivos devem ser evitados.

A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com demência associada ao HIV a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada para as pessoas de forma clara e simples.

Seguir uma rotina diária de tarefas como tomar banho, comer e dormir ajuda as pessoas com demência associada ao HIV lembrarem das coisas. Seguir uma rotina regular na hora de dormir pode ajudá-las a dormir melhor.

Atividades programadas regularmente podem ajudar as pessoas a se sentirem independentes e necessárias, concentrando sua atenção em tarefas prazerosas ou úteis. Tais atividades devem incluir atividades físicas e mentais. As atividades devem ser divididas em pequenas partes ou simplificadas conforme ocorre a piora da demência.

Cuidado dos cuidadores

Cuidar de pessoas com demência é estressante e exigente, e os cuidadores podem ficar deprimidos e exaustos, muitas vezes negligenciando a própria saúde física e mental. As seguintes medidas podem ajudar os cuidadores ( Cuidar dos cuidadores):

  • Aprender como atender com eficácia as necessidades das pessoas com demência e o que esperar delas: Os cuidadores podem obter esta informação de enfermeiros, assistentes sociais, organizações e materiais publicados e on-line.

  • Procurar ajuda quando for necessário: Os cuidadores podem falar com os assistentes sociais (incluindo aqueles do hospital da comunidade local) sobre fontes apropriadas de ajuda, como programas de auxílio, visitas de enfermeiros em casa, assistência de manutenção da casa em tempo integral ou parcial e a assistência residente. Aconselhamento e grupos de apoio também podem ajudar.

  • Cuidar de si mesmo: Os cuidadores precisam lembrar que devem cuidar de si mesmos. Não devem esquecer seus amigos nem deixar de praticar seus hobbies e atividades.

Assuntos relacionados ao final da vida

Antes que as pessoas com demência associada ao HIV fiquem muito incapacitadas, devem ser tomadas decisões sobre os cuidados médicos e devem ser feitos acordos financeiros e legais. Estes acordos são chamados de instruções prévias. As pessoas devem nomear alguém que esteja legalmente autorizado a tomar decisões de tratamento em seu nome (intermediário para os cuidados com a saúde). Devem discutir seus desejos de cuidados de saúde com essa pessoa e seu médico. Essas questões são discutidas com todos os envolvidos muito antes da necessidade de tomada de decisão.

Conforme a demência associada ao HIV piora, o tratamento tende a ser dirigido para manter o conforto da pessoa em vez de tentar prolongar a vida.

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