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Considerações gerais sobre o acidente vascular cerebral

Por

Elias A. Giraldo

, MD, MS, California University of Science and Medicine School of Medicine

Última revisão/alteração completa fev 2018| Última modificação do conteúdo fev 2018
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Um acidente vascular cerebral ocorre quando uma artéria no cérebro fica bloqueada ou se rompe, resultando na morte de uma área do tecido cerebral devido à perda da circulação sanguínea (infarto cerebral) e causando sintomas repentinos.

  • A maioria dos acidentes vasculares cerebrais é isquêmica (geralmente devido ao bloqueio de uma artéria), mas alguns acidentes são hemorrágicos (devido à ruptura de uma artéria).

  • O ataque isquêmico transitório assemelha-se ao acidente vascular cerebral isquêmico exceto pelo fato de nenhuma lesão cerebral permanente ocorrer e os sintomas normalmente resolverem-se em uma hora.

  • Os sintomas ocorrem subitamente e podem incluir fraqueza muscular, paralisia, sensibilidade anormal ou perda de sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão, problemas com a visão, tonturas, perda de equilíbrio e coordenação, e em um tipo, uma cefaleia súbita e grave.

  • O diagnóstico é baseado principalmente nos sintomas, mas exames de imagem e de sangue também são feitos.

  • A recuperação após um acidente vascular cerebral depende de muitos fatores, tais como localização e quantidade dos danos, idade do indivíduo e presença de outras doenças.

  • Controlar a hipertensão, os níveis elevados de colesterol e os níveis elevados de açúcar no sangue e não fumar ajudam a prevenir acidentes vasculares cerebrais.

  • O tratamento pode incluir medicamentos para diminuir a probabilidade de o sangue coagular ou para quebrar os coágulos e, às vezes, cirurgia ou angioplastia.

Um acidente vascular cerebral é considerado uma doença cerebrovascular por afetar o encéfalo (cérebro) e os vasos sanguíneos (vascular) que fornecem sangue ao cérebro.

Fornecimento de sangue para o cérebro

O sangue é fornecido para o cérebro por meio de dois pares de grandes artérias:

  • As artérias carótidas internas, que levam o sangue do coração ao longo da frente do pescoço

  • As artérias vertebrais, que levam o sangue do coração ao longo da parte de trás do pescoço

No crânio, as artérias vertebrais se unem para formar a artéria basilar (na parte de trás da cabeça). As artérias carótidas internas e a artéria basilar se dividem em vários ramos, incluindo as artérias cerebrais. Alguns ramos se unem para formar um círculo de artérias (polígono de Willis), que liga as artérias vertebrais e carótidas internas. Outras artérias se ramificam a partir do polígono de Willis, como estradas de uma rotatória. Os ramos levam o sangue para todas as partes do cérebro.

Quando as grandes artérias que irrigam o cérebro sofrem uma obstrução, algumas pessoas não apresentam sintomas ou sofrem apenas um acidente vascular cerebral leve. Mas outras pessoas com o mesmo tipo de obstrução apresentam um acidente vascular cerebral isquêmico maciço. Por quê? Parte da explicação são as artérias colaterais. As artérias colaterais correm entre outras artérias, proporcionando conexões extras. Essas artérias incluem o polígono de Willis e as conexões entre as artérias que se ramificam a partir do polígono. Algumas pessoas nascem com grandes artérias colaterais, que podem oferecer proteção contra acidentes vasculares cerebrais. Então, quando uma artéria é bloqueada, o fluxo de sangue continua através de uma artéria colateral, às vezes impedindo um acidente vascular cerebral. Outras pessoas nascem com pequenas artérias colaterais. As pequenas artérias colaterais podem ser incapazes de passar bastante sangue para a área afetada, por isso resulta em acidente vascular cerebral.

O corpo também pode se proteger contra acidentes vasculares cerebrais pelo crescimento de novas artérias. Quando os bloqueios se desenvolvem lenta e gradualmente (como ocorre na aterosclerose), novas artérias podem surgir com o tempo para manter o fornecimento de sangue para a área afetada do cérebro e, assim, evitar um acidente vascular cerebral. Se um acidente vascular cerebral já ocorreu, o crescimento de novas artérias pode ajudar a evitar um segundo acidente vascular cerebral (mas não podem reverter o dano que foi feito).

Fornecimento de sangue para o cérebro

Em todo o mundo, o acidente vascular cerebral é segunda causa mais comum de morte. Nos Estados Unidos, o acidente vascular cerebral é a quinta causa mais comum de morte e a causa mais comum de lesão neurológica incapacitante em adultos. Nos Estados Unidos, cerca de 795 mil pessoas têm um acidente vascular cerebral e cerca de 130 mil morrem a cada ano em razão de acidente vascular cerebral.

Acidentes vasculares cerebrais são muito mais comuns entre idosos do que entre adultos jovens, porque, em geral, os problemas que levam a acidentes vasculares cerebrais progridem com a idade. Mais de dois terços de todos os acidentes vasculares cerebrais ocorrem em pessoas com mais de 65 anos. O acidente vascular cerebral é mais comum entre mulheres do que entre homens, e quase 60% das mortes por acidente vascular cerebral ocorrem em mulheres, possivelmente porque as mulheres são, em média, mais velhas quando ocorre o acidente vascular cerebral.

Negros, hispânicos, índios americanos e nativos do Alasca têm mais probabilidade de sofrer um acidente vascular cerebral do que brancos não hispânicos ou asiáticos. O risco de sofrer o primeiro acidente vascular cerebral é quase duas vezes mais alto em negros do que em brancos. Os negros também têm mais probabilidade de morrer de um acidente vascular cerebral do que os brancos.

Tipos

Há dois tipos principais de acidentes vasculares cerebrais:

Cerca de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos, geralmente devido a uma artéria bloqueada, muitas vezes bloqueada por um coágulo de sangue. As células cerebrais, assim, privadas de fornecimento de sangue, não recebem oxigênio e glicose (carboidrato) suficiente, que são transportados pelo sangue. O dano resultante depende de quanto tempo as células cerebrais foram privadas de sangue. Se elas são privadas apenas por um breve período de tempo, as células cerebrais ficam estressadas, mas podem se recuperar. Se as células cerebrais são privadas por mais tempo, as células cerebrais morrem, e algumas funções podem ser perdidas, algumas vezes permanentemente. O tempo que as células cerebrais levam para morrer após serem privadas de sangue varia. Elas morrem depois de apenas alguns minutos em algumas áreas do cérebro mas não até mais de 30 minutos ou mais em outras áreas. Em alguns casos, após as células cerebrais morrerem, uma área diferente do cérebro pode aprender a desempenhar as funções anteriormente realizadas pela área danificada.

Ataques isquêmicos transitórios (AITs), às vezes chamados miniacidentes vasculares cerebrais, são muitas vezes um sinal de alerta de um acidente vascular cerebral isquêmico iminente. Eles são causados ​​por uma breve interrupção do fornecimento de sangue a uma parte do cérebro. Visto que o fornecimento de sangue se restabelece rapidamente, o tecido cerebral não morre, como acontece, em contrapartida, num acidente vascular cerebral, e a função cerebral é rapidamente restabelecida.

Os outros 20% dos acidentes vasculares cerebrais são hemorrágicos - devido ao sangramento dentro do cérebro ou ao redor dele. Neste tipo de acidente vascular cerebral, um vaso sanguíneo se rompe, o que interfere no fluxo de sangue normal e permite que o sangue vaze para o tecido cerebral ou ao redor do cérebro. O sangue que entra em contato direto com o tecido cerebral irrita o tecido e, com o tempo, pode causar a formação de tecido cicatricial, algumas vezes levando a convulsões.

Fatores de risco para acidente vascular cerebral

Alguns fatores de risco para acidente vascular cerebral podem ser controlados ou modificados até certo ponto, por exemplo, tratando o distúrbio que aumenta o risco de acidente vascular cerebral.

Os principais fatores de risco modificáveis para os dois tipos de acidente vascular cerebral são:

  • Resistência à insulina (resposta inadequada à insulina), que ocorre no diabetes tipo 2

  • Obesidade, particularmente se o excesso de peso estiver ao redor do abdômen

  • Consumo excessivo de álcool

  • Falta de atividade física

  • Dieta pouco saudável (como aquelas que apresentam um teor elevado de gorduras saturadas, gorduras trans e calorias)

  • Depressão ou outros tipos de estresse mental

  • Doenças cardíacas que aumentem o risco de que coágulos sanguíneos se formem no coração, se desprendam e se desloquem pelos vasos sanguíneos como êmbolos (como em um ataque cardíaco ou em uma arritmia cardíaca denominada fibrilação atrial)

  • Endocardite infecciosa (infecção do revestimento do coração e, geralmente, das válvulas do coração)

  • Uso de cocaína ou anfetaminas

  • Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)

Muitos desses fatores também são fatores de risco para aterosclerose, uma causa comum de acidente vascular cerebral isquêmico. Na aterosclerose, as artérias sofrem estreitamento ou obstrução por depósitos gordurosos irregulares que se formam em suas paredes.

Distúrbios coagulatórios que resultam em coagulação excessiva constituem um fator de risco para acidentes vasculares cerebrais, e distúrbios que aumentam hemorragias elevam o risco de acidente vascular cerebral hemorrágico.

A hipertensão arterial é um fator de risco especialmente importante para acidente vascular cerebral hemorrágico.

No caso do acidente vascular cerebral hemorrágico, os fatores de risco modificáveis também incluem

  • Uso de anticoagulantes (medicamentos que inibem a coagulação sanguínea)

  • Uma protuberância nas artérias do cérebro (aneurisma cerebral)

  • Uma ligação anormal entre as artérias e as veias (malformações arteriovenosas) no interior do crânio

A incidência de acidentes vasculares cerebrais diminuiu durante as últimas décadas, devido a uma maior conscientização por parte das pessoas da importância de controlar a hipertensão arterial e os valores elevados de colesterol. O controle desses fatores diminui o risco de aterosclerose.

Os fatores de risco que não podem ser modificados incluem

  • Ter sofrido um acidente vascular cerebral anteriormente

  • Ter mais idade

  • Ter familiares que sofreram um acidente vascular cerebral

Sintomas

Os sintomas de um acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório ocorrem de repente. Eles variam dependendo da localização exata da obstrução ou sangramento no cérebro ( Quando áreas específicas do cérebro são lesionadas). Todas as zonas do cérebro são irrigadas por artérias específicas. Por exemplo, se uma artéria que irriga a zona do cérebro que controla os movimentos musculares da perna esquerda se encontra obstruída, a perna fica fraca ou sofre uma paralisia. Se a zona lesionada é a parte do cérebro que se encarrega do tato no braço direito, este membro perde a sensibilidade.

Por que os acidentes vasculares afetam apenas um lado do corpo

Os acidentes vasculares cerebrais, em geral, afetam apenas um lado do cérebro. Como os nervos no cérebro atravessam para o outro lado do corpo, os sintomas aparecem no lado do corpo oposto ao lado danificado do cérebro.

Por que os acidentes vasculares afetam apenas um lado do corpo

Sintomas de alerta de acidentes vasculares cerebrais

Visto que o tratamento oportuno do acidente vascular cerebral pode ajudar no caso de uma perda da capacidade funcional e da sensibilidade, todas as pessoas deveriam conhecer os primeiros sintomas de um acidente vascular cerebral.

As pessoas que apresentam algum dos seguintes sintomas devem procurar o médico imediatamente, mesmo quando o sintoma desaparece rapidamente:

  • Súbita fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (por exemplo, metade do rosto, um braço ou uma perna, ou um lado inteiro)

  • Súbita perda de sensibilidade ou sensibilidade anormal em um lado do corpo

  • Dificuldade súbita em falar, incluindo dificuldade em achar as palavras e algumas vezes linguagem ininteligível

  • Confusão súbita, acompanhada de dificuldade em compreender a linguagem e em falar.

  • Obscurecimento súbito, visão turva ou perda da visão, em particular em um olho.

  • Tontura súbita ou perda de equilíbrio e coordenação, levando a quedas

Um ou mais desses sintomas estão tipicamente presentes nos acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos e isquêmicos. Os sintomas de um ataque isquêmico transitório são iguais, mas geralmente desaparecem em poucos minutos e, raramente, duram mais de uma hora.

Os sintomas de um acidente vascular cerebral hemorrágico podem também incluir o seguinte:

  • Forte cefaleia súbita

  • Náusea e vômito

  • Perda de consciência temporária ou persistente

  • Hipertensão arterial

Outros sintomas

Outros sintomas que podem ocorrer precocemente incluem problemas de memória, raciocínio, atenção ou aprendizagem. A pessoa pode ficar incapaz de reconhecer as partes do corpo e não ter consciência das sequelas do acidente vascular cerebral. O campo visual periférico pode ficar reduzido e verificar-se uma perda parcial da audição. Dificuldade para engolir, tontura e vertigem podem se desenvolver.

As pessoas podem ter dificuldade em controlar seu intestino ou bexiga, com início diversos dias, ou até mais, após que o acidente vascular cerebral ocorreu. A perda de controle pode ser permanente.

Os sintomas tardios também podem incluir rigidez e espasmos dos músculos (espasticidade) involuntários e incapacidade de controlar as emoções. Muitas pessoas tornam-se deprimidas devido ao acidente vascular cerebral.

Efeitos do acidente vascular cerebral

Na maioria das pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral isquêmico, a perda da capacidade funcional decorrente dele costuma atingir o seu ponto máximo imediatamente após a ocorrência do acidente vascular cerebral. No entanto, em cerca de 15 ou 20% dos casos, o acidente vascular cerebral é progressivo, de forma que a perda máxima da capacidade funcional só se verifica ao fim de um ou dois dias. Esse tipo de acidente vascular cerebral é chamado um acidente vascular cerebral em evolução. Nas pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral hemorrágico, a perda da capacidade funcional costuma ocorrer de forma progressiva durante minutos ou horas.

Com o passar de dias ou meses, a pessoa recupera, em geral, parte da capacidade funcional, ainda que algumas células cerebrais tenham morrido, outras apenas se encontram lesionadas, podendo se recuperar. Além disso, existem determinadas zonas do cérebro que compensam, por vezes, as funções desempenhadas anteriormente pela zona lesionada, característica denominada plasticidade. No entanto, os efeitos iniciais de um acidente vascular cerebral, incluindo a paralisia, podem ser permanentes. Músculos que não são frequentemente usados ​​tornam-se permanentemente espásticos e rígidos, verificando-se a ocorrência de espasmos musculares dolorosos. A dificuldade para andar, engolir, expressar-se com clareza e realizar as atividades cotidianas pode persistir. Podem persistir, igualmente, os problemas de memória, raciocínio, atenção ou aprendizagem. Depressão, deficiências na audição ou visão ou vertigem podem ser problemas persistentes. O controle da função do intestino ou da bexiga pode ser afetado de forma permanente.

Complicações do acidente vascular cerebral

Quando um acidente vascular cerebral é grave, o cérebro incha, aumentando a pressão dentro do crânio. O aumento da pressão pode danificar o cérebro, direta ou indiretamente, forçando-o para baixo no crânio. O cérebro pode ser forçado através das estruturas rígidas que o separam em compartimentos, o que resulta em um problema grave chamado hérnia ( Herniação: O cérebro sob pressão). A pressão afeta áreas que controlam a consciência e a respiração no tronco cerebral (que liga o telencéfalo à coluna vertebral). A hérnia pode causar perda de consciência, coma, respiração irregular e morte.

Os sintomas causados ​​por um acidente vascular cerebral podem levar a outros problemas.

Se ocorre dificuldade de deglutição, as pessoas podem inalar alimentos, líquidos ou saliva da boca. Tal inalação (chamada de aspiração) pode causar pneumonia por aspiração, o que pode ser grave. A dificuldade de deglutição também pode interferir na alimentação, resultando em desnutrição e desidratação.

As pessoas podem ter dificuldade para respirar.

Ao longo do tempo, a incapacidade de se mexer pode provocar a formação de úlceras de decúbito, perda muscular, encurtamento permanente dos músculos (contraturas) e formação de coágulos de sangue nas veias profundas das pernas e da virilha (trombose venosa profunda). Os coágulos podem se desprender, viajar através da corrente sanguínea e obstruir uma artéria de um pulmão (embolia pulmonar).

Se o controle da bexiga for prejudicado, há mais propensão de ocorrerem infecções do trato urinário.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Tomografia computadorizada ou imagem por ressonância magnética

  • Exames laboratoriais, incluindo exames para medir o açúcar no sangue

Os sintomas sugerem o diagnóstico, mas são necessários testes para ajudar os médicos a determinar o seguinte:

  • Se ocorreu acidente vascular cerebral

  • Se foi isquêmico ou hemorrágico

  • Se tratamento imediato é necessário

  • Qual é a melhor forma de prevenir futuros acidentes vasculares cerebrais

  • Se a terapia de reabilitação é necessária e, se for, o que ela deve incluir

O nível de açúcar no sangue é medido imediatamente, porque um nível baixo de açúcar no sangue (hipoglicemia) causa, ocasionalmente, sintomas similares aos do acidente vascular cerebral, como paralisia de um lado do corpo.

Normalmente é feita a tomografia computadorizada (TC) ou a imagem por ressonância magnética (RM) do cérebro para:

  • Determinar se ocorreu um acidente vascular cerebral

  • Determinar se o acidente vascular cerebral é isquêmico ou hemorrágico

  • Identificar quaisquer artérias grandes que estejam obstruídas por um coágulo que possa ser retirado mecanicamente

  • Verificar se há sinais de aumento da pressão no crânio (pressão intracraniana)

Esses testes podem detectar a maioria dos acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos, com exceção de algumas hemorragias subaracnoideas. Esses testes também podem detectar muitos acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, mas, às vezes, não até várias horas após os sintomas aparecerem.

Outros exames de imagem incluem angiografia por ressonância magnética, angiografia por tomografia computadorizada (TC) e angiografia cerebral realizada com um tubo flexível fino (cateter) inserido em uma artéria e deslizado até uma artéria no pescoço. Por ser menos invasiva, a angiografia por TC substituiu amplamente a angiografia cerebral.

Se necessário para confirmar o diagnóstico, um tipo especializado de RM, denominado RM ponderada em difusão, pode mostrar áreas do tecido do cérebro gravemente danificadas e que não estejam funcionando. A RM ponderada em difusão pode, por vezes, ajudar os médicos a diferenciar entre um ataque isquêmico transitório e um acidente vascular cerebral isquêmico. No entanto, RM ponderada em difusão nem sempre está disponível.

Os médicos examinam o coração, os vasos sanguíneos e o sangue das pessoas que tiveram um acidente vascular cerebral para detectar problemas que possam causar ou contribuir para um acidente vascular cerebral, tais como infecção cardíaca, baixo nível de oxigênio no sangue e desidratação. Os testes são realizados conforme necessário. A capacidade de deglutição é avaliada assim que surge a suspeita de um acidente vascular cerebral. Às vezes, são realizadas radiografias depois de se ingerir uma substância que pode ser vista nas radiografias (agente de contraste radiopaco), como bário. Dependendo do tipo de acidente vascular cerebral, mais testes são feitos para identificar sua causa.

Os médicos frequentemente usam um conjunto padronizado de critérios para determinar a gravidade do acidente vascular cerebral e como as pessoas estão se recuperando. Isso inclui as avaliações do nível de consciência, a habilidade de responder questões, a habilidade de obedecer comandos simples, visão, função dos braços e pernas, e fala.

Prognóstico

Quanto mais rapidamente um acidente vascular cerebral for tratado, maior a probabilidade de o dano cerebral ser menos grave e melhores as chances de recuperação.

Determinados fatores indicam um provável resultado ruim de um acidente vascular cerebral. Os acidentes vasculares cerebrais que comprometem a consciência ou que afetam uma zona extensa do lado esquerdo do cérebro (responsável pela linguagem) podem ser particularmente graves.

Geralmente, quanto mais rápido as pessoas melhorarem durante os dias após o acidente vascular cerebral, mais elas acabarão melhorando. Normalmente, a melhora continua por seis meses após o acidente vascular cerebral. Nos adultos que sofreram um acidente vascular cerebral isquêmico, é provável que os problemas que persistam durante mais de 12 meses sejam permanentes, embora, no caso das crianças, estas continuem a melhorar lentamente durante vários meses. O prognóstico é pior no caso dos idosos do que no dos mais jovens. Nas pessoas que apresentam outros problemas graves (como a demência), a recuperação é ainda mais limitada.

Quando um acidente vascular cerebral hemorrágico não é de grandes proporções e a pressão dentro do cérebro não é muito elevada, é provável que o prognóstico seja melhor do que depois de um acidente vascular cerebral isquêmico com sintomas similares. O sangue (num acidente vascular cerebral hemorrágico) não lesiona o tecido cerebral da mesma forma que o fornecimento de oxigênio inadequado (num acidente vascular cerebral isquêmico).

Muitas vezes surge depressão depois de um acidente vascular cerebral e ela pode interferir na recuperação. No entanto, a depressão pode ser tratada. Portanto, as pessoas que tiverem sofrido um acidente vascular cerebral devem informar ao médico se estão se sentindo anormalmente tristes ou se perderam o interesse ou prazer em atividades que costumavam apreciar. Dessa forma, o médico pode determinar se há depressão e, neste caso, tratá-la.

Prevenção

A prevenção dos acidentes vasculares cerebrais é preferível ao seu tratamento. A principal estratégia para a prevenção de um primeiro acidente vascular cerebral é tratar os principais fatores de risco. Se as pessoas apresentarem um acidente vascular cerebral, medidas preventivas adicionais são geralmente necessárias.

Gerenciando fatores de risco

A hipertensão arterial e o diabetes devem ser controlados. Os níveis de colesterol devem ser medidos e, se estiverem altos, devem ser usados medicamentos para reduzir os níveis de colesterol (medicamentos redutores de lipídio) para diminuir o risco de aterosclerose.

Tabagismo e uso de anfetaminas ou cocaína devem ser interrompidos e o álcool deve ser limitado a não mais de 2 bebidas por dia. Exercitar-se regularmente e, se for verificado excesso de peso, perda de peso ajuda as pessoas a controlarem a hipertensão, diabetes e níveis elevados de colesterol.

Fazer exames regularmente permite que um médico identifique os fatores de risco para acidente vascular cerebral, de forma que possam ser tratados imediatamente.

Medicamentos antiplaquetários

Se as pessoas sofreram um acidente vascular cerebral isquêmico, tomar um medicamento antiplaquetário pode reduzir o risco de um novo acidente vascular cerebral isquêmico. Antiplaquetários tornam as plaquetas menos propensas a se acumular e formar coágulos, uma causa comum de acidente vascular cerebral isquêmico. (As plaquetas são pequenas partículas semelhantes a células no sangue que ajudam na coagulação em resposta a vasos sanguíneos danificados.) Aspirina, um dos medicamentos antiplaquetários mais eficazes, é geralmente prescrita. Toma-se um comprimido adulto ou um comprimido infantil (que tem cerca de um quarto da dose de uma aspirina adulto) por dia. Qualquer uma das doses parece prevenir acidentes vasculares cerebrais de forma semelhante. Tomar um comprimido de combinação que contenha uma dose baixa de aspirina e dipiridamol (um medicamento antiplaquetário) é ligeiramente mais eficaz do que tomar apenas aspirina.

Clopidogrel, um outro medicamento antiplaquetário, pode ser administrado em pessoas que não são tolerantes a aspirina. Se as pessoas tiverem sofrido um AIT ou acidente vascular cerebral menor, tomar clopidogrel combinado com aspirina em vez de somente aspirina parece reduzir risco de acidentes vasculares cerebrais futuros, mas somente durante os primeiros três meses depois de um acidente vascular cerebral. Depois disso, a combinação não oferece nenhuma vantagem sobre a aspirina tomada isoladamente. Além disso, tomar clopidogrel mais aspirina aumenta um pouco mais o risco de hemorragia.

Algumas pessoas são alérgicas a medicamentos antiplaquetários ou similares e não podem tomá-los. Além disso, as pessoas que têm hemorragia gastrointestinal não devem tomar medicamentos antiplaquetários.

Anticoagulantes

Se um acidente vascular cerebral isquêmico ou ataque isquêmico transitório é devido a coágulos sanguíneos originários do coração, a varfarina, um anticoagulante, pode ser dada para inibir a coagulação do sangue. Uma vez que a administração de varfarina e um medicamento antiplaquetário aumenta consideravelmente o risco de sangramento, esses medicamentos são raramente usados ​​em conjunto para a prevenção do acidente vascular cerebral.

Dabigatrana, apixabana e rivaroxabana são novos anticoagulantes que são às vezes usados ao invés de varfarina.

Tratamento

  • Se necessário, medidas de apoio às funções vitais, como a respiração

  • Diversos medicamentos, angiografia ou cirurgia

  • Reabilitação

  • Tratamento de problemas após um acidente vascular cerebral

Qualquer pessoa com sintomas de um acidente vascular cerebral deve procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais cedo o tratamento, melhores as chances de recuperação. Por isso, os prontos-socorros e hospitais estão desenvolvendo continuamente novas e melhores formas de tratar pessoas que tiverem sofrido um acidente vascular cerebral o mais rapidamente possível depois do início dos sintomas.

Os médicos verificam os sinais vitais da pessoa, como frequência cardíaca, respiração, temperatura e pressão arterial, para se certificar de que estejam dentro do normal. Se eles não estiverem, as medidas para corrigi-los são tomadas imediatamente. Por exemplo, se a pessoa está em coma ou não responde (como pode resultar de herniação cerebral), ventilação mecânica (com um tubo de respiração inserido pela boca ou nariz) pode ser necessário para ajudar a respirar. Se os sintomas sugerirem que a pressão no interior do crânio é alta, poderão ser administrados medicamentos para reduzir o inchaço no cérebro e poderá ser colocado um monitor no cérebro para medir periodicamente a sua pressão.

Outros tratamentos utilizados durante as primeiras horas e primeiros dias dependem do tipo de acidente vascular cerebral.

  • Medicamentos (tais como medicamentos antiplaquetários, anticoagulantes, medicamentos para quebrar os coágulos e medicamentos para controlar a hipertensão)

  • Inserção de um tubo fino e flexível (cateter) numa artéria, geralmente na virilha, e depois através da aorta até uma artéria do pescoço

  • Injeção de um medicamento através de um cateter para dissolver o coágulo (trombólise intra-arterial)

  • Uso de instrumentos deslizados através do cateter para retirar um coágulo (trombectomia mecânica)

  • Cirurgia (endarterectomia) para retirar depósitos de gordura que estejam obstruindo o fluxo sanguíneo em uma artéria do pescoço

  • Se necessário, tratamentos que ajudem o sangue a coagular, como vitamina K e transfusões de plasma fresco congelado ou de plaquetas

  • Se a pressão arterial estiver muito elevada, medicamentos para controlá-la

  • Ocasionalmente, cirurgia para retirar grandes áreas de sangue acumulado ou colocação de um dreno para aliviar o aumento da pressão no crânio

  • Inserção de pequenas espirais ou stents através de um cateter até a área afetada para tratar uma ruptura de aneurisma cerebral (a causa mais comum de hemorragia subaracnoidea, um tipo de acidente vascular cerebral hemorrágico)

O foco dos tratamentos posteriores e contínuos é

  • Prevenir acidentes vasculares cerebrais posteriores

  • Prevenir e tratar os problemas que os acidentes vasculares cerebrais podem causar

  • Ajudar as pessoas a recuperar o máximo de suas funções possível (reabilitação)

Tabela
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Prevenir e tratar os problemas depois de um acidente vascular cerebral

Problema

Medidas

Para evitar a formação de coágulos sanguíneos, os médicos podem administrar anticoagulantes, como heparina ou heparina de baixo peso molecular, colocar meias elásticas ou meias cheias de ar nas pernas da pessoa para melhorar a circulação sanguínea, ou ambas as medidas.

Movimentar as pernas, o que melhora o fluxo de sangue, também pode ajudar. Pessoas, se capazes, são encorajadas a caminhar ou simplesmente mover as pernas (por exemplo, estendendo e flexionando os tornozelos). Se as pessoas não podem mover suas pernas, um terapeuta ou outro membro da equipe move as pernas para elas (chamado de exercício passivo).

Enfermeiros, outros membros da equipe, ou cuidadores devem frequentemente virar ou reposicionar as pessoas que estão acamadas ou em cadeira de rodas. Áreas suscetíveis de desenvolver úlceras de decúbito devem ser inspecionadas todos os dias.

Encurtamento permanente dos músculos que limita movimento (contraturas)

Movimentar os membros pode prevenir contraturas. As pessoas, se capazes, são encorajadas a mover-se e a mudar de posição regularmente. Ou um terapeuta ou outro membro da equipe move membros para eles e garante que os membros fiquem em posições de repouso adequada. Às vezes são utilizadas talas para manter os membros no lugar.

As pessoas são avaliadas quanto à dificuldade de deglutição. Se as pessoas apresentam dificuldade, deve-se tomar cuidado em oferecer líquidos e alimentação suficientes. Às vezes, aprender técnicas simples (por exemplo, a forma de posicionar a cabeça ou como respirar ao engolir) pode ajudar a pessoa a engolir com segurança. Pode ser necessária alimentação por sonda até que a capacidade de engolir volte. A sonda de alimentação pode ser inserida diretamente no estômago através de uma pequena incisão na parede abdominal.

Quem fuma é encorajado a parar.

Os terapeutas também ensinam a fazer exercícios de respiração profunda e a tossir para limpar as vias aéreas. Os terapeutas podem fornecer um dispositivo de respiração portátil.

Se necessário, é fornecido oxigênio através de uma máscara facial ou um tubo inserido no nariz ou na boca.

Profissionais de saúde verificam regularmente se há sinais de problemas urinários.

Se possível, um cateter urinário, que pode causar infecções urinárias, não é utilizado. Se for necessário um cateter, este é retirado o mais rapidamente possível.

Desânimo e depressão

Os médicos discutem os efeitos do acidente vascular cerebral com as pessoas afetadas e seus familiares ou pessoas conhecidas. A discussão inclui o tipo de recuperação que pode ser esperado e maneiras de lidar com as limitações da capacidade funcional. Pessoas e seus cuidadores são colocados em contato com grupos de apoio de acidente vascular cerebral. Aconselhamento formal ou medicamentos podem ser necessários para o tratamento da depressão.

Reabilitação

A reabilitação intensiva após um acidente vascular cerebral pode ajudar muitas pessoas a superar deficiências. Exercícios e treinamento de reabilitação incentivam áreas não afetadas do cérebro para aprender a executar funções que eram feitas pela área danificada. Além disso, as pessoas aprendem novas maneiras de usar os músculos afetados pelo acidente vascular cerebral para compensar as perdas na capacidade funcional.

Os objetivos da reabilitação são os seguintes:

  • Recuperar o máximo possível da capacidade funcional de realizar atividades diárias

  • Manter e melhorar a condição física e melhorar a caminhada

  • Ajudar as pessoas a reaprender antigas habilidades e aprender novas, conforme necessário

O êxito depende da zona do cérebro que foi lesionada e do estado físico geral do indivíduo, das capacidades cognitivas e funcionais antes do acidente vascular cerebral, da situação social, da capacidade de aprendizagem e da atitude. A paciência e a perseverança são fundamentais. Participar ativamente do programa de reabilitação pode ajudar as pessoas a evitar a depressão ou diminuí-la.

A reabilitação tem início no hospital, assim que a pessoa se encontra bem fisicamente, normalmente no dia seguinte à internação ou após 1 ou 2 dias. Movimentar os membros afetados é uma parte importante da reabilitação. Movimentar regularmente os membros ajuda a prevenir o encurtamento e a contração dos músculos. Também ajuda a manter o tônus e a resistência dos músculos. Quando as pessoas não conseguem mover os músculos por si, um terapeuta movimenta os membros por elas. As pessoas são incentivadas a praticar outras atividades, por exemplo, mexer-se na cama, virar-se, mudar de posição e se sentar.

Alguns problemas decorrentes de acidente vascular cerebral precisam de terapias específicas, por exemplo, ajudar a caminhar (treinamento de marcha ou deslocamento), melhorar a coordenação e o equilíbrio, reduzir a espasticidade (contração muscular involuntária) ou compensar os problemas de visão ou fala.

Depois de a pessoa sair do hospital, a reabilitação pode ter continuidade de forma ambulatorial, num centro de assistência médica, num centro de reabilitação ou em casa. Os fisioterapeutas e os terapeutas ocupacionais podem sugerir maneiras de facilitar a vida e a segurança da pessoa incapacitada em casa.

Os familiares e amigos poderão dar sua contribuição no processo de reabilitação, estando informados dos efeitos que um acidente vascular cerebral pode provocar, para poderem compreender a pessoa e apoiá-la melhor. Grupos de apoio podem oferecer motivação emocional e aconselhamento prático para pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral e para aqueles que cuidam dessas pessoas.

Assuntos relacionados ao final da vida

Para algumas pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral, é provável que a qualidade de vida seja muito negativa, apesar do tratamento. Nesses casos, a atenção centra-se no controle da dor, em tomar as medidas necessárias para a comodidade do paciente e em fornecer líquidos e nutrientes.

As pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral devem dar instruções prévias enquanto lhes é possível, visto que a recorrência e a evolução dos acidentes vasculares cerebrais são imprevisíveis. As instruções prévias ajudam o médico a determinar o tipo de assistência médica que o paciente deseja receber, no caso de não se encontrar em condições de tomar tais decisões.

Destaque para Idosos: Acidentes vasculares cerebrais

Depois de um acidente vascular cerebral, as pessoas mais velhas são mais propensas a ter problemas, tais como úlceras de decúbito, pneumonia, encurtamento permanente dos músculos que limitam o movimento (contraturas) e depressão. Os idosos tendem a ter transtornos que limitam o tratamento de acidente vascular cerebral. Por exemplo, eles podem ter hipertensão ou sangramento gastrointestinal, que os impede de tomar anticoagulantes para reduzir o risco de formação de coágulos sanguíneos. Alguns tratamentos, como a endarterectomia (retirada cirúrgica de depósitos de gordura nas artérias), tendem a causar complicações em idosos. No entanto, as decisões de tratamento devem ser baseadas na saúde da pessoa e não na idade.

Alguns problemas comuns entre os idosos podem interferir na sua recuperação após um acidente vascular cerebral, como o seguinte:

  • Pessoas com demência podem não entender o que lhes é exigido para a reabilitação.

  • Pessoas com insuficiência cardíaca ou outra doença cardíaca podem correr o risco de outro acidente vascular cerebral ou um ataque cardíaco desencadeado por esforço durante os exercícios de reabilitação.

Há mais probabilidade de uma boa recuperação quando pessoas mais idosas contam com:

  • Um familiar ou cuidador para ajudar

  • Uma situação de vida que facilite a independência (por exemplo, uma residência no primeiro andar e lojas próximas)

  • Recursos financeiros para pagar pela reabilitação

Uma vez que a recuperação após o acidente vascular cerebral depende de tantos fatores médicos, sociais, financeiros e de estilo de vida, reabilitação e cuidados para as pessoas idosas devem ser planejados e gerenciados por uma equipe de profissionais de saúde (incluindo enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, bem como, individualmente, um médico ou terapeuta). Os membros da equipe também podem fornecer informações sobre recursos e estratégias para ajudar as pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral e seus cuidadores com a vida diária.

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