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Quadros clínicos específicos e de viagem

Por

Christopher Sanford

, MD, MPH, DTM&H, University of Washington

Última revisão/alteração completa dez 2018| Última modificação do conteúdo dez 2018
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Recursos do assunto

Pessoas com problemas de saúde específicos têm certas dificuldades quando em trânsito.

Doença cardíaca e viagem

As pessoas com angina, insuficiência cardíaca ou distúrbios do ritmo cardíaco, que têm sintomas em repouso ou com um esforço mínimo, não devem viajar. Caso a pessoa tenha tido um ataque cardíaco recentemente, ela será aconselhada a adiar a viagem por três dias, dez dias ou sem prazo definido, dependendo da gravidade do ataque cardíaco. A pessoa deve perguntar ao médico se ela precisa esperar e, caso positivo, por quanto tempo. As pessoas com angina grave ou em piora devem evitar voos. Seus sintomas podem piorar porque menos oxigênio está disponível em grandes altitudes.

Os viajantes que tenham alguma doença cardíaca devem ter consigo uma cópia de um eletrocardiograma (ECG) recente. Pessoas com marca-passos, desfibriladores implantáveis ou stents coronários devem transportar consigo um cartão ou um aviso médico que documente a presença, o tipo, a localização e as características eletrônicas do dispositivo implantado. Um dispositivo de metal implantado pode acionar um alarme quando a pessoa passar pela segurança eletrônica. Os dispositivos eletrônicos de segurança geralmente não afetam os desfibriladores implantáveis, mas aconselha-se que os viajantes não permaneçam em pé dentro dos detectores de metais por mais de 15 segundos. Detectores portáteis de metal também são seguros para pessoas com desfibriladores, mas o contato prolongado, como segurar o detector sobre o desfibrilador por mais de cinco segundos, deverá ser evitado.

Grande parte das principais companhias aéreas disponibiliza refeições com baixo teor de sal e de gordura nos voos, se forem avisadas com antecedência. Muitas empresas de cruzeiros também disponibilizam esse tipo de alimentação, se forem avisadas com antecedência.

Você sabia que...

  • Em grandes altitudes, os sintomas de certos distúrbios cardíacos ou pulmonares e da anemia falciforme podem piorar porque menos oxigênio está disponível.

Doença pulmonar e viagem

Os viajantes com cistos pulmonares, enfisema grave, uma grande concentração de líquido ao redor dos pulmões (derrame pleural) ou colapso recente do pulmão (pneumotórax) ou que tenham realizado cirurgia torácica recente podem apresentar complicações provocadas pelas alterações de pressão do avião. Essas pessoas não devem voar sem aprovação do médico.

Outros viajantes com doenças pulmonares podem precisar de oxigênio suplementar durante o voo. Um médico determina se a pessoa precisa de oxigênio durante o voo ao medir o nível de oxigênio no sangue. Um nível baixo de oxigênio no sangue é chamado de hipoxemia. A maioria das companhias aéreas fornece oxigênio durante o voo se receber uma receita médica e um aviso com antecedência. Os viajantes não têm permissão para transportar oxigênio de nenhuma forma em um avião. Os viajantes que precisarem de oxigênio durante as escalas em aeroportos devem providenciar eles mesmos, embora a maior parte dos fornecedores normalmente atenda seus clientes regulares sem cobrar se tiverem serviços na cidade de destino. Outros equipamentos respiratórios, como os dispositivos de pressão positiva contínua nas vias aéreas, podem ser transportados em um avião, se o seu tamanho não superar o permitido para bagagem de mão. Os viajantes que precisam desse equipamento costumam demorar mais tempo para passar pela segurança.

As viagens terrestres em altitudes elevadas podem causar problemas específicos, porque há menos oxigênio disponível do que no nível do mar ( Doença da altitude). Em geral, as pessoas com problemas pulmonares leves ou moderados não manifestam qualquer problema em alturas inferiores a 1.500 metros, embora quanto maior for a altitude, maior será a probabilidade de surgirem problemas. As pessoas com problemas pulmonares que viajam para essas áreas ou que as atravessam devem tomar as mesmas precauções tomadas durante o voo.

As viagens de ônibus, trem, carro e barco são seguras para pessoas com doenças pulmonares, embora requeiram um planejamento para garantir o suprimento de oxigênio. Os serviços comerciais podem coordenar o suprimento de oxigênio a viajantes de qualquer lugar do mundo.

Pessoas que sofrem de asma, enfisema ou bronquite podem notar que os seus sintomas são agravados nas cidades em que a poluição do ar é maior. Nesse caso, elas precisam de tratamentos complementares com inaladores ou mais medicamentos, como corticosteroides, para controlar os sintomas de forma adequada. Fumar pode piorar uma hipoxemia leve e deve ser evitado antes do voo. Os efeitos do álcool podem ser aumentados pela hipóxia e fadiga e, portanto, é melhor evitar o álcool ao viajar.

Diabetes e viagem

Os níveis de açúcar no sangue são mais bem controlados em trânsito se forem feitos testes frequentes e se o consumo dos alimentos e dos medicamentos for ajustado. Os viajantes com diabetes devem transportar consigo suplementos de açúcar (glicose) na bagagem de mão ou sucos, bolachas e frutas, para o caso de os níveis de glicose no sangue caírem. Geralmente, o intervalo entre as doses de insulina deverá ser baseado no quanto de tempo se passou durante a viagem e não na hora local. Além disso, se os planos de viagem incluírem mudanças de horário de mais de algumas horas, os diabéticos, especialmente os que têm de injetar insulina, devem consultar o médico para melhor programar a administração da medicação. A insulina se mantém conservada sem refrigeração durante muitos dias, mas sua exposição a temperaturas altas deve ser evitada.

Grande parte das principais companhias aéreas disponibiliza refeições especiais para diabéticos, se forem avisadas com 24 horas de antecedência. É também importante tomar medidas para prevenir a desidratação durante o voo.

Você sabia que...

  • Quando os diabéticos estão viajando, a meta dos níveis de açúcar no sangue deverá ser levemente mais alta que quando não se está viajando.

Os níveis de açúcar no sangue devem ser frequentemente controlados na chegada, pois as atividades e a dieta costumam ser diferentes das praticadas em casa. Como controlar os níveis de açúcar no sangue de maneira precisa é mais difícil ao viajar, os níveis tendem a variar mais que o normal. Tentar manter os níveis muito próximos do normal aumenta o risco de que os níveis possam, às vezes, ficar excessivamente baixos. Por esse motivo, os níveis de açúcar no sangue deverão estar um pouco mais altos que o ideal ao viajar. Os viajantes diabéticos devem seguir as dietas estabelecidas, apesar das tentações de provar novos alimentos e de comer com mais frequência ou fora do programado. Devem calçar meias e sapatos cômodos, verificar diariamente o estado dos pés e evitar caminhar descalço para evitar lesões menos graves que possam causar infecção ou que sejam de cura lenta.

Gravidez e viagem

A gravidez não costuma ser afetada por viagem de avião. No entanto, as gestantes que se encontrem no período final de gestação (mais de 36 semanas) e as que têm risco de aborto espontâneo, parto prematuro ou ruptura de placenta devem evitar voar e fazer viagens de longa distância. Grande parte das companhias aéreas têm as suas próprias normas de viagem para gestantes, que devem ser verificadas antes da aquisição dos bilhetes. Por exemplo, uma companhia aérea pode exigir que uma mulher no nono mês de gestação que deseja voar tenha uma carta de aprovação por escrito do médico, com a data de menos de 72 horas antes da partida e que declare a data esperada do parto. As gestantes que fazem viagens de longa distância devem tomar as devidas precauções para reduzir o risco de formação de coágulos (como levantar-se com frequência ao viajar de avião e, nas viagens de carro, parar para realizar caminhadas curtas) e ter desidratação. Os cintos de segurança devem ser apertados embaixo do abdômen e pelas coxas para evitar lesões ao feto.

As gestantes devem evitar tomar vacinas vivas, incluindo febre amarela, sarampo-caxumba-rubéola, varicela (varíola) e febre tifoide por via oral (consulte a tabela Vacinas para viagem internacional).

As gestantes devem evitar o uso prolongado de comprimidos para purificar a água que contenham iodo, pois o iodo pode afetar o desenvolvimento da glândula tireoide do feto.

As gestantes que não possam adiar a viagem a regiões do mundo, nas quais a malária é comum, precisam ponderar os riscos de tomar medicamentos de proteção, cujos efeitos sobre a gestação não são bem conhecidos, em comparação com os riscos de viajar sem proteção. As gestantes devem considerar adiar a viagem para áreas onde a malária é comum porque há probabilidade maior de que a malária tenha consequências graves e potencialmente fatais para gestantes que para mulheres que não estão grávidas, mesmo quando medicamentos preventivos são usados. A mefloquina para prevenção da malária recebeu autorização para ser usada em todos os três trimestres de gestação.

As gestantes apresentam também um risco elevado de contrair a hepatite E, uma infecção viral do fígado rara nos Estados Unidos, mas frequente na Ásia, no Oriente Médio, na África do Norte e no México. Podem ocorrer abortos, insuficiência hepática ou morte. Não existe tratamento, de modo que se recomenda adiar as viagens a regiões em que a hepatite E seja frequente. As mulheres que não puderem adiar a viagem deverão tomar mais cuidado com a higiene, como lavar as mãos e seguir diretrizes de alimentação segura ( Gastroenterite : Prevenção).

Outros problemas de saúde

As viagens e o deslocamento também afetam outros problemas de saúde como

  • Anemia falciforme

  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

  • Colostomia

  • O uso de lentes de contato

  • A distúrbios de saúde mental

  • Incapacidades físicas

  • Problemas da mandíbula

Alguns viajantes com anemia falciforme, por exemplo, correm o risco de sentir dores (crise da célula falciforme) quando estão expostos aos níveis escassos de umidade e a baixos níveis de oxigênio nas cabines do avião. Esse risco pode ser minimizado com hidratação e oxigenação adequados.

Os medicamentos usados para tratar a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou AIDS podem interagir com medicamentos frequentemente tomados por viajantes internacionais para prevenir a malária e a diarreia do viajante. Portanto, os viajantes afetados devem discutir o risco desse tipo de interação com o médico e o farmacêutico.

As pessoas com uma colostomia devem usar uma bolsa grande ou levar consigo bolsas sobressalentes, uma vez que o volume fecal pode aumentar devido à expansão dos gases intestinais durante o voo. Como os gases são expandidos durante o voo, deve-se usar ar, em vez de água, em dispositivos presos por manguitos ou balões de ar, como tubos de alimentação e cateteres urinários.

As pessoas com lentes de contato devem usar óculos em trânsito ou umedecer as lentes com frequência com lágrimas artificiais, compensando assim o baixo nível de umidade do avião. As lágrimas artificiais também podem ser úteis para pessoas com olhos secos. Geralmente, é uma boa ideia levar óculos ou lentes sobressalentes ou uma receita do oftalmologista, caso seja necessária uma substituição. Pode ser útil também levar baterias sobressalentes para os aparelhos auditivos.

Viajantes com transtornos de saúde mental graves, como esquizofrenia mal controlada, podem representar um risco para eles próprios ou para outras pessoas, devendo viajar com um acompanhante responsável por eles. Além disso, o uso de medicamentos sedativos também pode ser recomendado.

A maior parte das companhias aéreas disponibiliza cadeiras de rodas e macas para os viajantes com incapacidades nos voos comerciais. Algumas companhias aéreas aceitam o embarque de pessoas que tenham necessidade de equipamentos especiais, como cateteres intravenosos e respiradores mecânicos, sempre e quando estiverem acompanhados por pessoal qualificado e tiverem tomado todas as medidas pertinentes com antecedência. Se os viajantes não puderem ser embarcados em um voo comercial por causa de doença grave, um serviço de ambulância aérea será necessário.

As pessoas com a mandíbula fechada com pontos (como ocorre depois de cirurgia na mandíbula) não devem voar, a menos que consigam abrir rapidamente a mandíbula. Se vomitarem com a mandíbula fechada com pontos, podem engasgar ou inalar o vômito.

Orientação geral sobre viagem com diversos problemas de saúde pode ser obtida de

  • Departamentos médicos das principais linhas aéreas

  • Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – www.faa.gov)

  • Fontes on-line de informações sobre viagens

  • Clínicas locais especializadas em viagens

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