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Convulsões em crianças

Por Margaret C. McBride, MD, Northeastern Ohio Universities Colleges of Medicine and Pharmacology, Rootstown;Akron Children’s Hospital

Convulsões são perturbações periódicas da atividade elétrica do cérebro que resultam em algum grau de disfunção cerebral temporária.

As convulsões são descargas elétricas desreguladas de células nervosas do cérebro ou de parte do cérebro. Essas descargas anormais podem alterar a consciência ou causar sensações anormais, movimentos involuntários ou convulsões. Convulsões são contrações rítmicas dos músculos. Em recém-nascidos, convulsões podem ser difíceis de reconhecer. Os recém-nascidos podem apertar os lábios ou mastigar involuntariamente. Seus olhos podem parecer estar olhando em direções diferentes. Eles podem periodicamente perder as forças. Em bebês mais velhos ou crianças pequenas, uma parte ou todo o corpo pode se agitar e se mover espasmodicamente. Os membros podem se mover sem propósito. As crianças podem ficar com o olhar fixo ou ficar confusas.

A epilepsia não é um distúrbio específico, mas se refere a uma tendência para convulsões recorrentes que podem ou não ter uma causa identificável.

Convulsões em crianças com frequência têm manifestações similares às convulsões em adultos (ver Distúrbios de convulsões). Contudo, alguns tipos de convulsões, tais como convulsões febris e espasmos infantis, somente ocorrem em crianças. Convulsões causadas por distúrbios hereditários do metabolismo normalmente começam no estágio de bebê o na infância. Certos quadros clínicos de crianças, tais como apneia (ver Crises de apneia) e terrores noturnos (ver Problemas do sono em crianças : Terrores noturnos e sonambulismo), podem se assemelhar a convulsões, mas não envolvem atividade elétrica anormal no cérebro e, assim, não são convulsões.

Nas crianças, o quadro clínico que causa convulsões pode também afetar o seu desenvolvimento. Convulsões curtas e infrequentes não parecem causar dano cerebral. Se alguns tipos de convulsões recorrentes podem afetar o cérebro em desenvolvimento é motivo de debate. Convulsões que duram horas podem estar associadas a dano cerebral, especialmente caso febre alta esteja presente, mas convulsões raramente duram horas.

Algumas causas de convulsões em recém-nascidos e bebês

Tipo

Distúrbio

Distúrbios gerais

Febres elevadas

Falta de oxigênio, como pode ocorrer durante o trabalho de parto ou parto

Distúrbios no cérebro

Defeitos congênitos do cérebro

Hemorragia cerebral

Malformações e tumores cerebrais

Traumatismo craniano

Infecções, tais como encefalite e meningite

Acidente vascular cerebral

Distúrbios metabólicos

Distúrbios hereditários do processamento dos aminoácidos (metabolismo)

Anomalias temporárias das concentrações sanguíneas de açúcar (glicose), cálcio, magnésio, vitamina B6 ou sódio

Drogas

Uso de drogas (tais como cocaína, heroína ou do sedativo diazepam) pela mãe durante a gravidez

Você sabia que...

  • As pessoas não devem colocar nada na boca de uma pessoa que está tendo uma convulsão.

Tratamento de emergência

Quando crianças têm convulsões, os pais ou outros cuidadores devem tentar evitar que elas machuquem a si mesmas fazendo o seguinte:

  • Deitando a criança de lado no chão

  • Mantendo a criança longe de possíveis riscos (tais como escadas ou objetos pontiagudos)

  • Não colocando nada na boca da criança nem tentando segurar a língua da criança

Após o término da convulsão, fazer o seguinte pode ajudar:

  • Ficar com a criança até ela despertar totalmente

  • Verificar se a criança está respirando e, caso não se tenha certeza, iniciar reanimação cardiorrespiratória (tentar a reanimação cardiorrespiratória durante um ataque convulsivo é desnecessário e pode lesionar a criança e a pessoa que tenta realizá-la)

  • Não dar nenhuma comida, líquido ou medicamento pela boca até a criança despertar completamente

  • Caso a criança tenha febre, administrar acetaminofeno por via retal

Uma ambulância deve ser chamada caso a convulsão dure mais do que cinco minutos, caso a criança se machuque durante a convulsão, caso tenha dificuldade para respirar após a convulsão ou se outra convulsão ocorrer logo após. Todas as crianças devem ser levadas ao hospital na primeira vez que tiverem uma convulsão. No caso de crianças que já se sabe sofrer de distúrbio convulsivo, os pais devem discutir de antemão com o médico quando, onde e como avaliação de urgência é necessária caso outra convulsão ocorra.

Convulsões febris

As convulsões febris são crises convulsivas desencadeadas pela febre.

Convulsões febris ocorrem em cerca de 2% a 5% das crianças com menos de seis anos, mas ocorrem mais frequentemente em crianças com seis meses a três anos de idade. As convulsões febris tendem a ser problemas de família. A maioria das crianças que têm uma convulsão febril apresenta somente uma e a maioria das convulsões dura menos de 15 minutos.

As convulsões febris podem ser simples ou complexas.

  • Simples: o corpo inteiro se agita (convulsão generalizada) por menos de 15 minutos.

  • Complexas: o corpo inteiro se agita por mais de 15 minutos, somente um lado do corpo se agita (chamado de convulsão parcial) ou a convulsões ocorrem pelo menos duas vezes no prazo de 24 horas. As crianças que têm convulsões febris complexas são um pouco mais propensas a ter distúrbios convulsivos no futuro.

As convulsões febris em geral resultam da própria febre. Na maioria das vezes, a febre é causada por uma infecção de resto menor, como uma infecção respiratória viral. Em tais casos, a infecção e a convulsão são inofensivas. Contudo, infecções cerebrais com risco de vida, tais como meningite ( Meningite bacteriana aguda) ou encefalite (ver Encefalite) também ocasionalmente causam convulsões (assim como febre). Uma vez que os pais não têm como dizer se as crianças estão apresentando uma infecção cerebral desse tipo, as crianças com febre que tiverem uma convulsão pela primeira vez ou que estiverem muito doentes devem ser levadas ao pronto-socorro para avaliação. Os médicos examinam a criança e às vezes realizam exames para verificar sinais desses distúrbios.

Você sabia que...

  • A maioria das crianças que têm convulsão febril têm somente uma.

Tratamento

Em geral, as convulsões duram menos de 15 minutos e nenhum tratamento é dado além de medicamentos para reduzir a febre. Caso as convulsões durem 15 minutos ou mais, medicamentos tais como o sedativo lorazepam ou o anticonvulsivante fosfenitoína são dados, em geral pela veia (via intravenosa), para que elas terminem, e as crianças são cuidadosamente monitoradas em busca de problemas respiratórios ou de pressão arterial.

As crianças que tiveram somente algumas convulsões febris simples geralmente não recebem medicamentos para prevenir convulsões futuras. As crianças que tiveram diversas convulsões febris ou convulsões que duraram muito tempo podem receber medicamentos.

Espasmos infantis

Nos espasmos infantis (espasmos de salaam), a criança, deitada de costas, repentinamente levanta e dobra os braços, o pescoço e a parte superior do tronco para a frente e estende as pernas.

  • Muitas crianças que apresentam espasmos infantis também se desenvolvem de maneira anormal ou apresentam deficiência intelectual.

  • Eletroencefalograma e análises de amostras de sangue, urina e do fluído espinhal, sem mencionar exames por imagens do cérebro, ajudam os médicos a diagnosticar o distúrbio e identificar a causa.

  • Injetar hormônio adrenocorticotrófico ou um corticosteroide no músculo com frequência ajuda a controlar as convulsões.

Os espasmos infantis duram somente uns poucos segundos, mas podem ressurgir diversas vezes por dia. Eles geralmente ocorrem em crianças com menos de três anos de idade. Em muitas crianças, os espasmos progridem e se tornam outro tipo de convulsão mais tarde.

Sintomas

Os ataques em geral consistem em um súbito espasmo seguido de rigidez. Eles normalmente ocorrem após a criança despertar e raramente durante o sono. Na maioria das crianças afetadas, o desenvolvimento intelectual, incluindo o desenvolvimento das habilidades linguísticas, é lento e deficiência intelectual está presente. As crianças podem perder habilidades de desenvolvimento que tinham aprendido, como ser capaz de sentar, depois de estar deitado, e rolar.

Diagnóstico

Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas. Eletroencefalograma (EEG) é realizado para verificar a existência de atividade elétrica anormal no cérebro.

Amostras de sangue, de urina e do fluído da medula espinhal (líquido cefalorraquidiano) são em geral analisadas para verificar sinais de distúrbios que possam estar causando as convulsões. O líquido cefalorraquidiano é obtido realizando-se uma punção lombar. Imagem por ressonância magnética (IRM) do cérebro é em geral realizada.

Tratamento

Uma vez que o controle dos espasmos infantis se associa a um resultado melhor em termos do desenvolvimento, a identificação e o tratamento precoce das convulsões são essenciais. Às vezes, hormônio adrenocorticotrófico injetado em um músculo uma vez por dia, ou um corticosteroide (tal como prednisona), é usado.

Muitos anticonvulsivantes não são eficazes em interromper os espasmos. Contudo, clonazepam, nitrazepam, topiramato, valproato, vigabatrina ou zonisamida podem ajudar.

Recursos neste artigo