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Afogamento

Por Norman L. Dean, MD, American College of Chest Physicians;American College of Physicians

O afogamento ocorre quando a submersão em líquido causa asfixia ou interfere com a respiração.

  • Durante o afogamento, o corpo fica privado de oxigênio, o que pode danificar os órgãos, particularmente os pulmões e o cérebro.

  • Os médicos avaliam a pessoa que foi privada de oxigênio e problemas que muitas vezes acompanham o afogamento (como lesões espinais causadas pelo mergulho).

  • O tratamento foca-se na correção da privação de oxigênio e outros problemas.

O afogamento pode ser não fatal (anteriormente descrito como quase-afogamento) ou fatal. Há quatro vezes mais pessoas a serem hospitalizadas for afogamento não fatal do que as que morrem por afogamento. O afogamento é uma das principais causas de morte acidental no mundo e nos Estados Unidos, particularmente entre crianças e adolescentes com idades inferiores a 19 anos. Entre 2005 e 2009 nos Estados Unidos, em crianças com idades entre 1 e 4 anos, o afogamento foi a causa mais comum de morte acidental e o afogamento foi mais vezes fatal (do que não fatal) do que em outras idades. O afogamento foi a segunda causa mais comum de morte por lesões nas crianças entre os 5 e 9 anos e a terceira causa mais comum para crianças com menos de 1 ano e com idades entre os 10 e 19 anos. Os outros grupos em grande risco de morte por afogamento incluem o seguinte:

  • Crianças afro-americanas e filhos de imigrantes ou famílias empobrecidas

  • Homens

  • Pessoas que ingeriram álcool ou outras drogas que afetam o julgamento e estado de alerta

  • Pessoas com condições que causam incapacitação temporária, como convulsões, baixa glicose no sangue (hipoglicemia), acidente vascular cerebral, ataques cardíacos e certos tipos de batimentos cardíacos irregulares (arritmias).

O afogamento é comum em piscinas, banheiras e ambientes de água natural. Crianças e bebês também estão em risco mesmo perto de pequenas quantidades de água, como em toaletes, banheiras e baldes de água ou outros líquidos, pois podem não conseguir sair se caírem.

Mergulhar, particularmente em água pouco profunda, pode causar lesões na coluna vertebral ou traumatismos cranianos que aumentam a possibilidade de afogamento. As pessoas que prendem intencionalmente a respiração debaixo de água por períodos de tempo prolongados podem desmaiar e, por vezes, afogar-se.

As pessoas que nadam perto de uma saída de escape de um barco podem desenvolver intoxicação por monóxido de carbono, o que pode causar perda da consciência e afogamento.

Privação de oxigênio

Quando as pessoas ficam submersas, a água entra nos pulmões. As cordas vocais podem sofrer um espasmo grave, que evita temporariamente que a água alcance os pulmões, mas também impossibilita a respiração. Em qualquer um dos casos, os pulmões não conseguem transferir oxigênio para o sangue. A diminuição da concentração de oxigênio no sangue pode dar origem a lesão cerebral e morte. A água que entrou nos pulmões, sobretudo se for água contaminada por bactérias, algas, areia, sujeira, produtos químicos ou pelo vômito, pode causar lesões pulmonares. As lesões pulmonares tendem a causar privação de oxigênio continuada. A água doce nos pulmões é absorvida pela corrente sanguínea. Absorver grandes quantidades de água doce por vezes causa anomalias em eletrólitos, como baixo nível de sódio no sangue.

Efeitos do frio

A submersão em água fria tem efeitos positivos e negativos. O resfriamento dos músculos dificulta a natação e uma temperatura corporal perigosamente baixa (hipotermia) pode alterar a consciência. No entanto, o frio protege os tecidos dos efeitos nocivos da privação de oxigênio. Além disso, a água fria pode estimular o reflexo de mergulho dos mamíferos, podendo prolongar a sobrevida em água fria. Este reflexo diminui o ritmo cardíaco e direciona a circulação sanguínea de mãos, pés e intestino para o coração e para o cérebro, ajudando a preservar esses órgãos vitais. O reflexo de mergulho é mais pronunciado nas crianças do que nos adultos, então as crianças têm mais probabilidade de sobreviver a uma submersão prolongada em água fria do que os adultos.

Você sabia que...

  • As crianças têm uma maior probabilidade de sobreviver após uma submersão prolongada do que os adultos.

Sintomas

Geralmente, as pessoas que estão se afogando e se esforçam para respirar ficam impossibilitadas de pedir ajuda. As crianças que não sabem nadar podem submergir em menos de 1 minuto. Os adultos lutam durante mais tempo.

As pessoas que são salvas podem ter uma grande variedade de sintomas e resultados. Algumas estão ligeiramente ansiosas, enquanto outras estão próximas da morte. Podem estar despertas, sonolentas ou inconscientes. Algumas pessoas podem não respirar. As pessoas que estão respirando podem arquejar ou vomitar, tossir ou ofegar. A pele pode ficar azulada (cianose), indicando que a quantidade de oxigênio no sangue é insuficiente. Em alguns casos, é possível que os problemas respiratórios não sejam evidentes durante as horas posteriores à submersão.

Complicações

Algumas pessoas que são reanimadas após submersão prolongada sofrem de lesões cerebrais permanentes devido à falta de oxigênio. As pessoas que inalam partículas estranhas podem desenvolver pneumonia ou síndrome do desconforto respiratório agudo, causando dificuldade respiratória. As pessoas que se afogam em água fria muitas vezes sofrem de hipotermia.

Diagnóstico

Os médicos diagnosticam o afogamento a partir dos acontecimentos e dos sintomas. A determinação da concentração de oxigênio no sangue e as radiografias do tórax ajudam a revelar a extensão da lesão pulmonar. A temperatura corporal é medida para verificar a hipotermia. Podem ser feitos outros exames, como raios X e tomografia computadorizada (TC), para diagnosticar lesões cerebrais ou espinais. Um eletrocardiograma (ECG) e, por vezes, exames de sangue podem ser feitos para diagnosticar distúrbios que possam ter contribuído para o afogamento. Por exemplo, certas arritmias cardíacas anteriormente não reconhecidas podem causar perda da consciência ao nadar.

Prevenção

As pessoas não devem ingerir álcool ou drogas antes e enquanto nadam, andam de barco (mesmo como passageiro) ou ao supervisionar crianças perto de água.

Crianças

As piscinas devem ser devidamente cercadas, por serem um dos locais mais comuns de acidente por afogamento. Além disso, todas as portas e entradas que dão acesso à piscina devem estar fechadas com chave. Crianças que se encontram junto a qualquer local com água, incluindo piscinas e banheiras, requerem uma vigilância constante, mesmo quando estão utilizando materiais de flutuação. O ideal é que a supervisão seja feita a um metro de distância. Como uma criança pode se afogar em apenas alguns centímetros de água, mesmo os recipientes cheios de água, como baldes ou semelhantes, são perigosos. Os adultos devem remover a água destes recipientes imediatamente após o uso. As crianças pequenas devem usar coletes salva-vidas ou materiais de flutuação pessoal aprovados pela Guarda Costeira dos Estados Unidos ao brincar perto de locais com água. Aparatos de natação a ar e brinquedos de espuma (braçadeiras, boias e itens semelhantes) não foram concebidos para manter os nadadores seguros e não devem ser usados como substitutos para o equipamento aprovado pela Guarda Costeira.

Aulas de natação em escolas apropriadas reduzem o risco de afogamento fatal nas crianças com idades entre 1 e 4 anos. As aulas de natação são uma boa ideia para todas as crianças. Contudo, até mesmo as crianças que tiveram aulas de natação devem ser supervisionadas quando estão na água ou perto dela.

Nadar

Os nadadores devem usar o bom senso e estar cientes do tempo e das condições da água. As pessoas devem parar de nadar caso sintam ou aparentem estar com frio. As pessoas que têm convulsões epilépticas bem controladas podem praticar natação, mas devem ter cuidado sempre que estiverem perto da água, andando de barco ou se banhando.

Para diminuir o risco de afogamento, as pessoas não devem nadar sozinhas, optando por regiões vigiadas por socorristas. Pessoas que nadam no oceano devem aprender a fugir das correntes intensas (correntes fortes que arrastam os nadadores para longe da costa), nadando paralelamente à praia e não em direção a ela. Além disso, deve-se evitar nadar perto de saídas de exaustão de barcos.

Você sabia que...

  • As pessoas não precisam esperar uma hora depois de comer para voltar a nadar.

Outras medidas

É incentivado o uso de coletes salva-vidas aprovados pela Guarda Costeira quando viajar em barcos e são necessários para pessoas que não sabem nadar e crianças pequenas. As lesões da medula espinal podem ser evitadas não mergulhando em águas rasas.

As áreas balneares comunitárias precisam ser supervisionadas por socorristas treinados em segurança na água, reanimação e técnicas de resgate. Salva-vidas, coletes salva-vidas e um bordão (um bastão comprido com uma extremidade em gancho) devem estar disponíveis perto da piscina. As áreas da piscina devem ter acesso a desfibriladores externos automatizados, equipamento para abertura das vias respiratórias e telefones para chamar serviços médicos de urgência. Os programas de prevenção comunitários abrangentes devem

  • Direcionar-se aos grupos de alto risco

  • Ensinar reanimação cardiorrespiratória (RCP) ao maior número de adolescentes e adultos possível

  • Ensinar crianças a nadar assim que estiverem preparadas em termos de desenvolvimento

Prognóstico

Os fatores que mais aumentam a probabilidade de sobrevida sem danos cerebrais e pulmonares são os seguintes:

  • Submersão breve

  • Água de temperatura fria

  • Idade jovem

  • Rápido começo da reanimação (mais importante)

Algumas crianças sobreviveram sem dano cerebral permanente após a submersão de quase 60 minutos em água fria. Muitas pessoas que precisam de RCP também podem se recuperar completamente e quase todas as pessoas que estão alertas e conscientes ao chegarem ao hospital se recuperam completamente. As pessoas que consumiram bebidas alcoólicas antes da submersão são mais propensas a morrer ou a sofrer uma lesão cerebral ou pulmonar.

Tratamento

Fora do hospital

Uma reanimação imediata no local é fundamental para aumentar a possibilidade de sobrevida e evitar uma lesão cerebral. Deve-se tentar reanimar as pessoas, mesmo quando tenham estado submersas em água por tempo prolongado. A respiração artificial e RCP devem ser executadas quando necessário (ver Parada cardíaca : Tratamento de primeiros socorros). A respiração de resgate é iniciada antes das compressões do tórax, ao contrário da maioria das condições nas quais a RCP é feita. Se houver probabilidade de lesão espinal, o pescoço deve ser movido somente o necessário. As pessoas que foram submersas involuntariamente ou que apresentarem quaisquer sintomas devem ser transportadas para um hospital, de ambulância, se possível. As pessoas que foram submersas, mas somente têm sintomas leves, podem ir para casa depois de várias horas em observação no serviço de emergência. Se os sintomas permanecerem durante algumas horas ou se a concentração de oxigênio no sangue for baixa, é necessário que as pessoas fiquem internadas no hospital.

No hospital

A maioria das pessoas precisa de oxigênio suplementar, por vezes, em grandes concentrações ou administrado através de um ventilador a altas pressões. Se ocorrerem sibilos, os broncodilatadores podem ajudar. Se ocorrer uma infecção, são administrados antibióticos.

Se a água estava fria, as pessoas podem ter uma temperatura corporal perigosamente baixa (hipotermia) e necessitar de aquecimento ( Hipotermia : Tratamento). A lesão medular precisa de tratamento especial ( Lesões da medula espinal e das vértebras: Tratamento).

Recursos neste artigo