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Lesões na parte inferior das pernas

Por Paul L. Liebert, MD, Tomah Memorial Hospital, Tomah, WI

Algumas lesões frequentes da parte inferior das pernas incluem periostite tibial, entorses do tornozelo, tendinite aquílea, ruptura do tendão de Aquiles e fraturas do pé por sobrecarga.

Periostite tibial

A periostite tibial refere-se a dores na parte inferior das pernas que pode derivar de várias causas, mas que é tipicamente causada por atividades de corrida ou caminhada vigorosa.

  • A dor pode surgir na parte anterior ou posterior da perna abaixo do joelho.

  • A aplicação de gelo, a administração de analgésicos e a prática de exercícios de alongamento podem ajudar.

A aplicação de forças de impacto repetitivas nas pernas durante atividades de corrida ou caminhada vigorosa pode sobrecarregar os músculos e tendões das pernas e causar dores na tíbia. A rotação excessiva do pé para fora na perna (supinação) pode também causar ou agravar a periostite tibial.

Sintomas e diagnóstico

A dor pode surgir a parte externa anterior da perna ou na parte interna posterior da mesma. A dor causada por uma periostite tibial surge tipicamente no início da atividade, mas diminui posteriormente à medida que a atividade continua. A princípio, a dor só se manifesta imediatamente após o calcanhar tocar no chão, ao correr ou caminhar. Quando a pessoa continua a correr, a dor surge a cada passo, acabando por se tornar constante. A dor geralmente desaparece com repouso.

O médico estabelece o diagnóstico de periostite tibial com base nos sintomas e no resultado de um exame físico.

Tratamento

A corrida deve ser interrompida até não causar qualquer dor. A aplicação de gelo e a utilização de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem aliviar a dor. O condicionamento pode ser mantido por meio de exercícios alternativos, tais como natação.

Assim que a dor da tíbia começar a desaparecer, podem ser praticados exercícios para alongar e fortalecer os músculos das pernas, como um exercício em que se sustenta um balde pela alça no pé. Estes exercícios são importantes para evitar a recorrência. Utilizar calçado de apoio com contrafortes de calcanhar rígidos e apoios para o arco do pé e evitar corrida constante em superfícies inclinadas ou duras pode ajudar a evitar a recorrência de periostite tibial.

Periostite tibial

A periostite tibial pode se desenvolver nos músculos nas partes anteriores e externas da tíbia (periostite tibial anterolateral) ou nas partes posteriores e internas (periostite tibial posteromedial). A pessoa sente dor em diferentes áreas, dependendo dos músculos afetados.

Tendinite aquílea

A tendinite aquílea consiste numa inflamação do tendão do calcâneo (de Aquiles), um cordão fibroso, muito resistente, que se estende dos músculos da região posterior da perna ao calcanhar.

A tendinite aquílea é muito frequente entre corredores. Durante a corrida, os músculos da barriga da perna prestam auxílio à fase de elevação da marcha (levantar-se sobre os dedos dos pés após o pé ter estado totalmente plano no chão). A aplicação de forças repetitivas decorrente da corrida combinada com um período de recuperação do exercício insuficiente pode inflamar o tendão de Aquiles.

O surgimento de dor na parte inferior da barriga da perna e na parte posterior do calcanhar é geralmente o primeiro sintoma de tendinite. Os médicos estabelecem o diagnóstico de tendinite aquílea com base nos sintomas e no resultado de um exame.

A aplicação de gelo e a administração de AINEs aliviam a dor e a inflamação. Deixar de correr e andar de bicicleta, enquanto a dor persiste, é muito importante. Os exercícios para alongar e fortalecer os músculos isquiotibiais podem ter início assim que o paciente deixar de sentir dor ao realizá-los. Tomar outras medidas depende das condições que estão causando a tendinite. As medidas podem incluir o uso de calçado com solas flexíveis e o uso de palmilhas nos tênis esportivos, a fim de reduzir a tensão exercida sobre o tendão e estabilizar o calcanhar. A pessoa deverá retomar a corrida gradualmente, alongar o tendão antes de correr e, no início, aplicar gelo após a corrida.

Ruptura do tendão de Aquiles

A atividade esportiva pode causar uma ruptura total do tendão de Aquiles, o cordão resistente que se estende desde os músculos da barriga da perna até ao calcanhar.

As rupturas totais do tendão de Aquiles são mais frequentes em atletas de meia-idade do que em atletas mais jovens. Estas rupturas são particularmente comuns entre pessoas que iniciam uma atividade intensa sem condicionamento suficiente, alongamento ou ambos. Frequentemente, a ruptura ocorre durante movimentos bruscos.

Os sintomas incluem dores intensas na barriga da perna e incapacidade de caminhar normalmente sobre a perna. Os médicos podem normalmente obter um diagnóstico com base em um exame. Por vezes é necessário realizar uma imagem por ressonância magnética (IRM). Recomenda-se normalmente uma reparação cirúrgica.

Entorse no tornozelo

Um entorse no tornozelo é uma ruptura nos ligamentos (tecido elástico resistente que liga os ossos entre si) do tornozelo.

  • Geralmente, os entorses no tornozelo ocorrem quando a pessoa caminha ou corre em superfícies irregulares onde onde o pé roda para dentro, esticando os ligamentos do tornozelo além de seus limites.

  • Normalmente, o tornozelo fica inchado e a pessoa sente dor ao caminhar.

  • O diagnóstico é feito por meio de um exame e, por vezes, raios-X.

  • O tratamento inclui repouso, aplicação de gelo, compressão com uma ligadura, elevação da perna (RICE) e, frequentemente, proteção do tornozelo com uma ligadura ou bota removível.

São relatados 25.000 entorses no tornozelo por dia nos Estados Unidos. Os entorses podem ocorrer quando pé roda para dentro, fazendo com que a planta do pé fique virada para o outro pé. Este tipo de movimento é chamado inversão do pé ou, por vezes, rotação do tornozelo para fora. Esta lesão (por vezes chamada um entorse por inversão) danifica os ligamentos na parte exterior do tornozelo. Este ocorre, geralmente, quando as pessoas caminham em superfícies irregulares, especialmente ao caminhar sobre rochas ou margens estreitas. O que se segue tende a fazer com que o tornozelo rode para fora, aumentando, assim, o risco de entorse:

  • Ligamentos soltos no tornozelo decorrentes de entorses prévios

  • Fraqueza ou lesão nervosa nos músculos da perna

  • Determinados tipos de calçado, tal como sapatos de tacão alta e estreito

Existem outros ligamentos do tornozelo que podem ser lesionados e as lesões têm uma maior probabilidade de serem graves do que um entorse por inversão comum. Por exemplo, o ligamento grande e resistente que se encontra no interior do tornozelo pode sofrer um entorse ou o ligamento que mantém os dois ossos da perna juntos acima do tornozelo pode também sofrer um entorse (chamado entorse da parte alta do tornozelo).

Entorse de um tornozelo

Um entorse do tornozelo pode ocorrer quando o tornozelo roda para fora e o pé roda para dentro (inversão), rompendo o ligamento ao longo da parte exterior do tornozelo.

Sintomas

A gravidade do entorse depende de quanto os ligamentos foram esticados ou rasgados.

  • Leve: Os ligamentos podem esticar, mas, na verdade, estes não se rompem, exceto microscopicamente. O tornozelo geralmente não dói nem incha excessivamente, mas um entorse leve aumenta o risco de lesão recorrente. A recuperação pode demorar horas a dias.

  • Moderado: Ruptura parcial de um ligamento. A inflamação e os hematomas são comuns, costuma ser dolorosa e a locomoção torna-se mais difícil. A recuperação demora dias a semanas. Os entorses moderados e graves podem prejudicar a propriocepção (a capacidade que o cérebro possui para sentir onde se encontram o pé e o tornozelo sem os ver).

  • Grave: Ruptura total de um ligamento que causa inchaço e hematomas graves. O tornozelo fica instável e incapaz de suportar peso. Geralmente, a recuperação demora seis a oito semanas. Quando o atleta retoma a atividade sem restrições antes de a recuperação estar concluída, este corre o risco de sofrer futuras lesões e dificuldade em caminhar em superfícies irregulares. Além disso, no caso de entorses graves no tornozelo, as lesões nas superfícies cartilaginosas lisas dos ossos da articulação do tornozelo (cartilagem articular) podem resultar em dor e inchaço a longo prazo e, ocasionalmente, prisão (ficar preso), cedência (enfraquecimento involuntário da articulação) e, possivelmente, artrite do tornozelo em idade precoce.

Diagnóstico

O exame físico do tornozelo dá uma ideia acerca da gravidade da lesão do ligamento. Os raios-X são utilizados, com frequência, para determinar se o osso está fraturado, mas não servem para avaliar os ligamentos. Os raios-X tirados com o tornozelo em posições que esticam os ligamentos (raios-X de estresse) podem indicar a gravidade da lesão do ligamento, tal como uma IRM, mas estes testes não são necessários para a maioria dos entorses no tornozelo. Por vezes é realizada uma artroscopia (uso de um tubo de visualização de fibra ótica para observar o interior da articulação) se os médicos suspeitarem que a superfície lisa das extremidades dos ossos no tornozelo foram lesionadas, tal como acontece quando um entorse é muito grave ou não recupera.

Tratamento

O tratamento consiste na administração de AINEs para controlo da dor e RICE (repouso, aplicação de gelo, compressão e elevação). A utilização de outros tratamentos depende da gravidade da entorse.

Em geral, os entorses leves são tratados através da aplicação de bolsas de gelo na área, da cobertura do tornozelo e do pé com uma ligadura elástica, aplicando compressas de gelo na zona, elevando o tornozelo e aumentando, de forma gradual, o número de passos e exercícios à medida que os ligamentos curam. Para muitas pessoas que sofrem de entorses leves, a prática de exercício e caminhada pode começar imediatamente, desde que seja utilizado calçado de apoio.

No que diz respeito a entorses moderados, pode ser usado um imobilizador removível ou uma ligadura para o tornozelo inicialmente. A fisioterapia é importante para ajudar a minimizar o inchaço, manter a amplitude de movimento, manter a propriocepção e aumentar gradualmente a força dos músculos à volta do tornozelo para evitar futura instabilidade do tornozelo e entorses recorrentes.

Os entorses graves requerem assistência médica imediata. Sem tratamento, estes podem resultar em instabilidade e dor do tornozelo a longo prazo. O tornozelo deve ser imobilizado em uma ligadura ou imobilizador removível. Geralmente, a pessoa precisa de muletas e é encaminhada para um especialista. A realização, ou não, de cirurgia, é um assunto controverso. A maioria dos especialistas acredita que a reconstrução cirúrgica de ligamentos rasgados não é melhor que tratamento sem cirurgia. É necessário realizar fisioterapia para restabelecer o movimento, fortalecer os músculos e melhorar o equilíbrio antes de voltar a praticar atividades extenuantes, sendo que esta pode acelerar a recuperação.

Fraturas do pé por sobrecarga

As fraturas por sobrecarga são fraturas pequenas e incompletas (quebramento) dos ossos que decorrem de estresse repetido, em vez de uma lesão distinta.

  • A dor surge durante o suporte de peso e piora gradualmente.

  • É realizado um raio-X ou uma cintilografia óssea.

  • A parte fraturada não deverá suportar peso por pelo menos seis a doze semanas.

As fraturas por sobrecarga desenvolvem-se quando um suporte de peso repetitivo excede a capacidade dos músculos e tendões de apoio absorverem o estresse e protegerem os ossos. As fraturas por sobrecarga podem envolver o osso da coxa, a pélvis ou a tíbia. Mais de metade das fraturas por sobrecarga envolve a parte inferior da perna, mais frequentemente os ossos da zona central do pé (metatarsos).

As fraturas por sobrecarga não resultam de uma lesão distinta (por exemplo, uma queda ou uma pancada), mas ocorrem após um estresse repetido e um esforço excessivo. As fraturas por sobrecarga dos ossos metatársicos (fraturas causadas por marcha) ocorrem geralmente entre corredores que alteram a intensidade ou extensão dos exercícios demasiado depressa e entre pessoas com um condicionamento fraco que caminham longas distâncias carregando pesos (por exemplo, soldados recém-recrutados). Outros fatores de risco incluem um grande arco do pé, calçado com qualidades de absorção do choque inadequadas e ossos adelgaçados (osteoporose).

As mulheres e meninas que praticam atividades extenuantes e não consomem uma dieta adequada (por exemplo, alguns corredores de longa distância e alguns atletas em esportes que enfatizam a aparência) podem correr o risco de sofrer fraturas por sobrecarga. Estas podem sofrer de osteoporose e seus períodos menstruais podem cessar (amenorreia). Esta condição é conhecida como a tríade atleta feminina (amenorreia, hábitos alimentares desorganizados e osteoporose).

Você sabia que...

  • As fraturas por sobrecarga dos ossos do pé são por vezes chamadas fraturas causadas por marcha, visto que ocorrem frequentemente entre soldados recém-recrutados que iniciaram recentemente a marcha a longa distância.

Sintomas

No que diz respeito às fraturas do metatarso por sobrecarga, é frequente surgir dor na parte dianteira do pé após uma atividade física longa ou intensa, desaparecendo brevemente após o término do exercício. Com exercício subsequente, a dor surge mais cedo e pode se tornar tão intensa que torna o exercício impossível e persiste mesmo quando não é suportado peso.

Diagnóstico

São geralmente realizados raios-X, mas estes poderão apresentar resultados normais até cerca de duas a três semanas após a lesão, quando os raios-X mostram que o osso está recuperando da fratura. Frequentemente, é possível obter um diagnóstico precoce realizando uma cintilografia óssea. As mulheres que sofreram uma fratura por sobrecarga devem consultar seus médicos para saber se será melhor verificar a existência de osteoporose.

O que é uma fratura por sobrecarga?

As fraturas por sobrecarga são pequenas fissuras em um osso causadas por impacto repetitivo. Estas ocorrem geralmente nos ossos da zona central do pé (os metatarsos).

Tratamento

O tratamento inclui uma redução do suporte de peso no pé afetado. Durante algum tempo, a pessoa utiliza muletas e um sapato de madeira ou outro calçado disponível a nível comercial. Por vezes, é necessária a utilização de moldes. A recuperação pode demorar até doze semanas. Tal como acontece com outras lesões, a pessoa pode manter a forma física aeróbica praticando exercícios que não impliquem o suporte de pesos (por exemplo, natação) até a recuperação estar concluída.

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