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Infecções por vírus do herpes simplex

Por Marguerite A. Urban, MD, University of Rochester School of Medicine

A infecção causada pelo vírus do herpes simplex provoca o aparecimento recorrente de bolhas pequenas, dolorosas e cheias de líquido na pele, boca, lábios (aftas), olhos ou órgãos genitais.

  • Essa infecção muito contagiosa é transmitida pelo contato direto com ulcerações ou, por vezes, com a área afetada quando nenhuma ulceração estiver presente.

  • O herpes causa bolhas ou ulcerações na boca ou nos órgãos genitais e, muitas vezes com a primeira infecção, uma febre e sensação geral de mal-estar.

  • O vírus infeta, por vezes, outras partes do corpo, incluindo olhos e cérebro.

  • Geralmente, os médicos reconhecem com facilidade as ulcerações causadas pelo herpes, mas por vezes é necessária a análise do material de uma ulceração, testes sanguíneos ou biópsia de uma ulceração.

  • Nenhum fármaco pode erradicar a infecção, mas fármacos antivirais podem ajudar a aliviar os sintomas e ajudar a resolvê-los um pouco mais cedo.

Há dois tipos de vírus do herpes simplex (HSV): HSV-1 e HSV-2. O HSV-1 é a causa comum das ulcerações nos lábios (herpes labial) e na córnea do olho (ceratite por herpes simplex, ver Ceratite por herpes simplex). O HSV-2 é a causa comum do herpes genital. A distinção não é absoluta: as infecções genitais, por vezes, são causadas pelo HSV-1. A infecção pode também ocorrer em outras partes do corpo, como no cérebro (uma doença séria) ou no trato gastrointestinal. A infecção frequente pode ocorrer em recém-nascidos ou nas pessoas que possuem um sistema imunológico enfraquecido.

O HSV é muito contagioso e pode ser transmitido pelo contato direto com ulcerações e, por vezes, através do contato com as áreas orais e genitais das pessoas com infecção crônica por HSV e que estejam entre os episódios de ulceração.

As infecções por HSV produzem uma erupção de bolhas minúsculas. A primeira erupção é chamada herpes primário. Depois da interrupção da erupção de bolhas, o vírus permanece em estado inativo (latente) no interior das células nervosas reunidas em aglomerações (gânglios) que levam as fibras nervosas à área infetada. Periodicamente, o vírus é reativado, começa novamente a crescer e viaja pelas fibras nervosas de volta à pele, causando erupções de bolhas na mesma área da pele afetada por episódios anteriores. Por vezes, o vírus encontra-se presente na pele ou nas membranas mucosas embora não haja bolhas visíveis.

O vírus pode ser reativado muitas vezes. A reativação do vírus latente do HSV oral ou genital costuma ocorrer em situações de febre, menstruação, tensão emocional ou supressão do sistema imunológico (por exemplo, por um fármaco tomado para evitar a rejeição de um órgão transplantado). Um episódio de ulcerações pode se desenvolver após um trauma físico, como um procedimento dentário ou a superexposição dos lábios à luz do sol. Frequentemente, desconhece-se o fator que desencadeia isso.

Sintomas e complicações

Uma erupção de minúsculas bolhas aparece na pele ou nas membranas mucosas, tais como aquelas do revestimento dos olhos, vagina, colo do útero ou dentro da boca. A pele ao redor das bolhas é muitas vezes vermelha.

Infecção oral

A primeira infecção oral pelo HSV provoca, normalmente, ulcerações dentro da boca (gengivostomatite herpética). Além disso, as pessoas sentem-se geralmente doentes, apresentam febre, dor de cabeça e dores no corpo. As feridas da boca duram entre 10 e 14 dias para sarar e quase sempre são graves, motivo pelo qual comer e beber é extremamente incômodo. Em algumas das primeiras infecções orais, o inchaço das gengivas constitui o único sintoma. Ocasionalmente, não se desenvolve nenhum sintoma. A gengivostomatite herpética mais comum se desenvolve nas crianças.

Ao contrário da primeira infecção oral, as reincidências geralmente produzem somente uma única ulceração. A lesão é chamada de ulceração de frio ou bolha de febre (assim chamada porque elas muitas vezes são desencadeadas pelo frio ou febres). Outros desencadeadores incluem queimaduras de sol nos lábios, determinados alimentos, ansiedade, certos procedimentos dentários e qualquer distúrbio que diminua a resistência do corpo à infecção. Se as pessoas apresentarem uma ulceração nos lábios, elas devem adiar a ida ao dentista até que a ulceração tenha sarado.

Essas ulcerações surgem habitualmente nos lábios. Antes de uma ulceração na boca aparecer, as pessoas geralmente sentem um formigamento no local, que pode durar entre alguns minutos a algumas horas, seguindo-se vermelhidão e inflamação. Geralmente, surgem bolhas cheias de líquido que, ao se romperem, se transformam em ulcerações. As ulcerações passam rapidamente a crostas. Ao fim de uma semana, a crosta cai e o episódio termina. Embora não seja tão frequente, a sensação de formigamento e vermelhidão pode também surgir sem que se formem bolhas. Por vezes, surgem pequenos grupos de ulcerações nas gengivas ou no céu da boca. Estas ulcerações duram cerca de uma semana e, depois, desaparecem.

Você sabia que...

  • Geralmente, quando as ulcerações reaparecem, somente se desenvolve uma de cada vez.

Infecção genital

A primeira infecção genital por HSV (herpes genital) pode ser grave e duradoura, com inúmeras bolhas dolorosas na área genital. O aparecimento de febre e de uma sensação geral de mal-estar são comuns e algumas pessoas sentem ardor ao urinar, dificuldade em urinar ou dor durante a defecação. Algumas pessoas não apresentam sintomas.

As crises recorrentes de herpes genital têm início com sintomas (como formigamento local, desconforto, coceira ou dor na virilha) que precedem as bolhas em várias horas até 2 ou 3 dias. As bolhas dolorosas rodeadas por uma borda avermelhada surgem na pele ou nas membranas mucosas dos órgãos genitais. Depois, rompem-se rapidamente, dando lugar a ulcerações. As bolhas podem aparecer nas coxas, nádegas ou em volta do ânus. Nas mulheres, as bolhas genitais aparecem na vulva. Essas bolhas são geralmente visíveis e muito dolorosas. As bolhas internas podem se desenvolver na vagina ou no colo uterino. Elas são menos dolorosas e não são visíveis. Um episódio típico de recorrência de herpes genital dura uma semana.

As bactérias às vezes infetam ulcerações genitais devido à infecção por HSV. Tais ulcerações podem aparecer mais irritadas ou ter uma secreção espessa ou com forte odor.

Outras infecções e complicações

Nas pessoas que têm o sistema imunológico enfraquecido, os surtos recorrentes de herpes genital ou oral podem provocar ulcerações progressivas, cada vez maiores e que levam semanas para sarar. A infecção pode progredir no interior do organismo, deslocando-se para o esôfago e os pulmões, ou subindo até o colo do útero. As ulcerações no esôfago causam dor ao engolir e a infecção dos pulmões provoca pneumonia acompanhada de tosse e dificuldade respiratória.

Por vezes, o HSV-1 e o HSV-2 penetram através de uma lesão da pele de um dedo, causando inchaço, vermelhidão e dor na ponta do dedo (paroníquia herpética). Os profissionais de saúde, que são expostos à saliva ou outras secreções corporais (tais como os dentistas), quando não usam luvas são mais comumente afetados.

O HSV-1 pode também infetar a córnea do olho. Essa infecção (chamada ceratite por herpes simplex) causa ulceração dolorosa, ruptura, sensibilidade à luz e visão turva. Com o passar do tempo, principalmente sem tratamento, a córnea pode tornar-se opaca, causando uma considerável perda de visão que requer transplante de córnea.

As crianças ou adultos que apresentam uma doença de pele conhecida como eczema atópico (ver Dermatite atópica), por vezes, apresentam uma doença mortal na área da pele que possui o eczema (eczema herpético). Por conseguinte, as pessoas com eczema atópico devem evitar estar perto de alguém que apresente uma infecção herpética ativa.

O HSV pode infetar o cérebro. Essa infecção (chamada encefalite herpética) começa por se manifestar com confusão, febre e convulsões, podendo ser fatal.

Uma mulher grávida pode transmitir a infecção provocada pelo HSV ao bebê (herpes neonatal), mas esse fato é pouco frequente. Geralmente, a transmissão ocorre na ocasião do nascimento, quando o bebê entra em contato com secreções infetadas no canal do parto. Raramente, o HSV pode ser transmitido ao feto durante a gravidez. A transmissão durante o nascimento é mais provável quando a mulher adquiriu recentemente a infecção por herpes e quando a mãe apresenta ulcerações herpéticas visíveis na área vaginal, ainda que muitos bebês sejam também infetados sem que as mães apresentem úlceras evidentes. Quando adquirida no nascimento, a infecção aparece entre a 1.ª e 4.ª semana de vida. Os recém-nascidos com infecção pelo HSV ficam muito doentes. Eles podem ter doença disseminada, infecção no cérebro ou na pele. Sem tratamento, dois terços dos bebês morrem e, mesmo com tratamento, muitos sofrem lesões cerebrais.

Diagnóstico

A infecção provocada pelo HSV é, de forma geral, facilmente reconhecida pelo médico. Quando não têm certeza, os médicos podem raspar uma amostra do material da ulceração e enviar o cotonete para o laboratório para cultura e identificação do vírus. Por vezes, os médicos observam ao microscópio a matéria raspada das bolhas. Embora o vírus propriamente dito não possa ser visto, a raspagem contém, por vezes, células infetadas que sofreram um aumento de tamanho (células gigantes) que são características de uma infecção por um vírus do herpes. Os testes de sangue para a identificação de anticorpos contra o HSV e as biópsias das ulcerações podem também ser úteis. Certo testes de sangue podem distinguir entre uma infecção provocada pelo HSV-1 e pelo HSV-2. Essa informação ajuda os médicos a determinar o risco de transmissão, por exemplo, a parceiros sexuais.

Quando se suspeita de infecção cerebral, pode ser feita uma ressonância nuclear magnética (RNM) ou tomografia computadorizada (TC) do cérebro e uma punção lombar para recolher uma amostra de líquido cefalorraquidiano.

Tratamento

Fármacos antivirais

Os tratamentos antivirais atuais não erradicam a infecção provocada pelo HSV e o tratamento das primeiras infecções orais ou genitais não impede a infecção crônica dos nervos. Porém, durante as reincidências, os fármacos antivirais, como o aciclovir, valaciclovir ou famciclovir, podem aliviar ligeiramente o desconforto e ajudar a resolver os sintomas em um ou dois dias antes. O tratamento revela-se mais eficaz quando iniciado cedo, poucas horas depois do aparecimento dos sintomas, de preferência ao primeiro sinal de formigamento ou desconforto, antes de surgirem bolhas. Relativamente a pessoas que têm crises dolorosas frequentes, o número de surtos pode ser reduzido através de um tratamento contínuo (supressão) com fármacos antivirais. Os fármacos antivirais estão disponíveis somente com prescrição.

As pomadas de penciclovir, aplicadas a cada 2 horas durante as horas em que se está acordado, podem encurtar o tempo e a duração dos sintomas de uma ulceração em cerca de um dia. As pomadas sem receita médica contendo docosanol (aplicadas 5 vezes ao dia) podem fornecer algum alívio. O aciclovir, o valaciclovir ou o fanciclovir administrados por via oral durante alguns dias podem ser o tratamento mais eficaz.

As infecções graves provocadas pelo HSV, incluindo encefalite herpética e infecções em recém-nascidos são tratadas com aciclovir intravenoso. Se o vírus se tornar resistente ao aciclovir, pode ser administrado foscarnet.

As pessoas que apresentam ceratite herpética são, geralmente, tratadas com colírio de trifluridina. Um oftalmologista deve supervisionar o tratamento.

Outros tratamentos

Relativamente a pessoas que têm desconforto mínimo, o único tratamento necessário para o herpes recorrente labial ou genital consiste em manter a área infetada limpa, lavando-a suavemente com água e sabão. A aplicação de gelo pode ter um efeito calmante e reduzir o inchaço.

A aplicação de anestésicos tópicos com ou sem receita, como o creme de tetracaína ou pomada de benzocaína, pode ajudar a aliviar a dor. Se a boca tiver muitas ulcerações, ela pode ser lavada com lidocaína, que não deve ser engolida. Os anestésicos tópicos devem ser usados somente a cada poucas horas, aproximadamente. Se usados com mais frequência, esses fármacos podem ter efeitos colaterais prejudiciais.

Os analgésicos podem ser dados para aliviar a dor.

Prevenção

As pessoas devem evitar atividades e alimentos que se acredita estarem originando as reincidências. Por exemplo, elas devem evitar, o máximo possível, a exposição ao sol.

Por que a infecção pelo HSV é contagiosa, as pessoas com infecção dos lábios devem evitar beijar assim que sentirem o primeiro formigamento (ou, se nenhum formigamento for sentido, quando aparecer uma bolha) até que a ulceração esteja totalmente curada. Elas não devem compartilhar copos e, se possível, não devem tocar nos lábios. Elas devem também evitar sexo oral. As pessoas com herpes genital devem usar sempre preservativos. Mesmo sem bolhas visíveis e sem sintomas, o vírus pode estar presente nos órgãos genitais e contagiar os parceiros sexuais. Estão sendo desenvolvidas vacinas para a prevenção de infecções pelo HSV.

Recursos neste artigo