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Infecção por citomegalovírus (CMV)

Por Marguerite A. Urban, MD, University of Rochester School of Medicine

A infecção por citomegalovírus é uma infecção comum por herpesvírus com uma ampla gama de sintomas: desde nenhum sintoma a febre e cansaço (que lembra a mononucleose infecciosa) até sintomas graves envolvendo os olhos, cérebro ou outros órgãos internos.

  • Esse vírus é facilmente transmitido pelo contato sexual e não sexual com secreções do corpo.

  • A maioria das pessoas não tem sintomas, mas algumas sentem-se doentes e apresentam febre, e pessoas com um sistema imunológico enfraquecido ou um feto infetado podem ter sintomas sérios, inclusive cegueira.

  • Os médicos podem diagnosticar a infecção pela cultura de uma amostra de fluido corporal infetado, como a urina.

  • Em geral, não é necessário tratamento, mas se a infecção for grave fármacos antivirais podem ser usados.

A infecção provocada pelo citomegalovírus (CMV), um herpesvírus, é muito comum. Exames de sangue mostram que entre 60% e 90% dos adultos sofreram uma infecção por CMV em algum momento da sua vida. Essa infecção geralmente não causa sintomas. As infecções sérias geralmente afetam apenas bebês infetados antes do nascimento (ver Algumas infecções dos recém-nascidos) e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, por exemplo, pessoas com AIDS ou aquelas que receberam um transplante de órgão. Pessoas que receberam um transplante de órgão são particularmente propensas à infecção pelo CMV porque elas recebem fármacos que suprimem o sistema imunológico (imunossupressores) para evitar a rejeição do transplante.

O CMV é transmitido muito facilmente. As pessoas infetadas podem eliminar o vírus na urina ou na saliva durante meses. O vírus é também expelido no muco do colo uterino, no sêmen, nas fezes e no leite materno. Assim, o vírus é transmitido pelo contato sexual e não sexual. A infecção por CMV pode afetar pessoas que recebem transfusões de sangue infetado ou um transplante de órgão infetado.

O CMV pode causar sintomas logo após a infecção. Ele pode ficar em estado latente durante toda a vida em vários tecidos. São vários os estímulos que a podem reativar o CMV dormente, resultando na doença.

Sintomas

A maioria das pessoas infetadas por CMV não apresenta sintomas. Algumas pessoas infetadas têm uma sensação de mal-estar e febre. As infecções por CMV em adolescentes e adultos jovens costumam causar uma doença com sintomas como febre e cansaço, assemelhando-se à mononucleose infecciosa. Quando uma pessoa recebe uma transfusão de sangue que contenha CMV, pode apresentar febre e, por vezes, inflamação do fígado entre 2 e 4 semanas mais tarde.

Se uma pessoa com um sistema imunológico enfraquecido for infetada por CMV, a infecção pode ser severa, por vezes resultando em doença séria ou morte. Nos pacientes com AIDS, a infecção por CMV constitui a complicação viral comum. O vírus costuma infetar a retina do olho. Essa infecção (retinite por CMV) pode causar cegueira. Infecção do cérebro (encefalite), pneumonia ou aparecimento de ulcerações no intestino ou esôfago também podem se desenvolver.

Se uma mulher grávida transmitir CMV ao feto, isso pode resultar em aborto espontâneo, natimorto ou morte do recém-nascido. A morte é causada por sangramento, anemia ou dano extenso ao fígado ou cérebro. Os recém-nascidos que sobreviverem podem sofrer de perda da audição e incapacidade intelectual (retardamento mental).

Diagnóstico e tratamento

A infecção provocada pelo CMV pode manifestar-se de forma gradual e não ser reconhecida de imediato. O diagnóstico é muitas vezes desnecessário em adultos e crianças saudáveis porque o tratamento é desnecessário. Contudo, os médicos consideram sempre a possibilidade de infecção por CMV no caso de uma pessoa que tenha o sistema imunológico enfraquecido e uma infecção do olho, cérebro ou gastrointestinal. A infecção por CMV também é suspeitada em recém-nascidos que têm febre ou parecem doentes.

Quando se suspeita de uma infecção por CMV, o médico conduz exames para detectar o vírus nos fluidos do corpo ou nos tecidos. No caso de recém-nascidos, o diagnóstico é geralmente feito através da cultura da urina. Em pessoas com um sistema imunológico enfraquecido, os médicos podem conseguir identificar o vírus em uma amostra de sangue, outros fluidos corporais ou tecidos do pulmão ou outros. Podem ser feitos exames de sangue para estimar quantos vírus estão presentes. A retinite por CMV pode ser identificada por um oftalmologista que examina as estruturas internas do olho para verificar as anormalidades características usando um oftalmoscópio.

A infecção leve por CMV não costuma ser tratada. Ela abranda por si mesma. Quando a infecção ameaça a vida do paciente ou a sua visão, podem ser administrados os fármacos antivirais (valganciclovir, ganciclovir, cidofovir, foscarnet ou uma combinação). Para pessoas com retinite por CMV, pode-se implantar no olho um pequeno dispositivo que libera de forma contínua ganciclovir. Ocasionalmente, ganciclovir ou foscarnet é injetado diretamente no olho. Esses fármacos têm efeitos colaterais sérios e podem não curar a infecção. Porém, o tratamento atrasa a progressão da doença e preserva a visão. Se a infecção por CMV ocorre em pessoas cujo sistema imunológico está temporariamente enfraquecido ou suprimido (por doença ou fármaco), a infecção geralmente diminui sem tratamento quando o sistema imunológico se recupera ou o fármaco é interrompido.

As pessoas que tiveram um transplante de órgão muitas vezes recebem fármacos antivirais (tais como ganciclovir, valganciclovir ou valaciclovir) para evitar a infecção por CMV.