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Considerações gerais sobre bactérias

Por Matthew E. Levison, MD, Drexel University College of Medicine;Drexel University

As bactérias são organismos microscópicos unicelulares. Há milhares de tipos diferentes, e elas vivem em todos os ambientes concebíveis em todo o mundo. Elas vivem no solo, na água do mar e nas profundezas da crosta da Terra. Há relato de que algumas bactérias vivem até em dejetos radioativos. Algumas bactérias vivem no corpo das pessoas e animais, sobre a pele, nas vias respiratórias, na boca, no tubo digestivo e nos órgãos reprodutivos e no trato urinário, muitas vezes sem causar qualquer dano.

Apenas alguns tipos de bactérias causam doenças. Elas são chamadas de patógenos. Às vezes, bactérias que residem normalmente de forma não prejudicial no corpo causam doenças. As bactérias podem causar doença ao produzirem substâncias nocivas (toxinas), ao invadirem tecidos ou ambos.

Classificação

As bactérias podem ser classificadas de várias maneiras:

  • Nomes científicos: As bactérias, assim como outros seres vivos, são classificadas por gênero (com base em terem uma ou várias características similares) e, dentro do gênero, por espécie. O nome científico delas é por gênero seguido pela espécie (por exemplo, Clostridium botulinum). Dentro da espécie, há muitos tipos diferentes, chamados cepas. As cepas diferem na formação genética e nos componentes químicos. Às vezes, certos fármacos e vacinas são eficazes somente contra determinadas cepas.

  • Coloração: As bactérias podem ser classificadas por cor em que se transformam após certos produtos químicos (colorações) serem aplicados a elas. Uma coloração comumente usada é a coloração Gram. Algumas bactérias ficam com a coloração azul. Elas são chamadas de gram-positivas. Outras ficam com a coloração rosa. Elas são chamadas de gram-negativas. As bactérias gram-positivas e gram-negativas têm a coloração diferente porque suas paredes celulares são diferentes. Elas também causam tipos diferentes de infecções e tipos diferentes de antibióticos são eficazes contra elas.

  • Formas: Todas as bactérias podem ser classificadas como uma de três formas básicas: esferas (cocos), cilindros (bacilos) e espirais ou hélices (espiroquetas).

  • Necessidade de oxigênio: As bactérias são também classificadas pela necessidade que têm do oxigênio para viver e crescer. Aquelas que precisam de oxigênio são chamadas de aeróbicas. Aquelas que têm dificuldade de viver ou crescer quando há oxigênio são chamadas de anaeróbicas. Algumas bactérias, chamadas bactérias facultativas, podem viver e crescer com ou sem a presença de oxigênio.

Como as bactérias tomam forma

Defesas bacterianas

As bactérias podem ter muitos modos de se defender.

Biofilme

Algumas bactérias secretam uma substância que as ajuda a atacar outras bactérias, células ou objetos. Essa substância se combina com a bactéria para formar uma camada pegajosa chamada biofilme. Por exemplo, certas bactérias formam um biofilme nos dentes (chamado placa dentária). O biofilme captura partículas de alimentos que as bactérias processam e usam e, neste processo, elas provavelmente causam cárie. Os biofilmes também ajudam a proteger as bactérias contra antibióticos.

Cápsulas

Algumas bactérias são envoltas em uma cápsula protetora. Essa cápsula ajuda a evitar que os glóbulos brancos que lutam contra a infecção ingiram a bactéria. Tais bactérias são descritas como encapsuladas.

Membrana mais externa

Sob a cápsula, as bactérias gram-negativas têm uma membrana externa que as protege contra certos antibióticos. Quando perturbada, essa membrana libera substâncias tóxicas chamadas de endotoxinas. As endotoxinas contribuem para a gravidade dos sintomas durante infecções com bactéria gram-negativas.

Esporos

Algumas bactérias produzem esporos, que são uma forma inativa (dormente). Os esporos possibilitam às bactérias sobreviverem quando as condições ambientais são difíceis. Quando as condições são favoráveis, cada esporo germina para uma bactéria ativa.

Flagelos

Os flagelos são filamentos longos e finos que se projetam da superfície da célula e capacitam a bactéria a se mover. As bactérias sem flagelos não podem se mover sozinhas.

Resistência ao antibiótico

As bactérias desenvolvem resistência a fármacos porque elas adquirem genes de outras bactérias que se tornaram resistentes ou porque os genes sofrem mutação. Por exemplo, logo depois que a penicilina foi introduzida nos anos 40, poucas bactérias Staphylococcus aureus adquiriram genes que tornaram a penicilina ineficaz contra elas. As cepas que possuíam esses genes especiais tinham uma vantagem de sobrevida quando a penicilina foi comumente usada para tratar infecções. As cepas de Staphylococcus aureus que não tinham esses genes novos foram mortas pela penicilina, permitindo que o restante das bactérias resistentes à penicilina se reproduzisse e se tornasse dominante ao longo do tempo. Os químicos então alteraram a molécula da penicilina criando um fármaco diferente, mas similar, a meticilina, o que mataria as bactérias resistentes à penicilina. Logo após a meticilina ser introduzida, cepas de Staphylococcus aureus desenvolveram genes que as tornaram resistentes à meticilina e aos fármacos relacionados. Essas cepas são chamadas de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM). Os genes que codificam a resistência ao fármaco podem ser passados para as gerações seguintes de bactérias ou, às vezes, até mesmo para outras espécies de bactérias.

Você sabia que...

  • A toxina botulínica, produzida pelas bactérias tipo clostrídios, pode causar intoxicação alimentar e paralisia muscular, mas pode também ser usada para reduzir rugas e para tratar espasmos musculares.

Quanto mais frequentemente são usados antibióticos, mais provável é o desenvolvimento de bactérias resistentes. Portanto, os médicos tentam usar antibióticos somente quando necessário. Dar antibióticos a pessoas que provavelmente não têm infecção bacteriana, tais como aquelas que apresentam tosse e sintomas de resfriado, não melhora o estado das pessoas, mas ajuda a criar bactérias resistentes. Devido ao consumo generalizado (e abusivo), muitas bactérias são resistentes a certos antibióticos.

As bactérias resistentes podem ser transmitidas de pessoa para pessoa. Uma vez que as viagens internacionais são tão comuns, as bactérias resistentes podem se disseminar para muitas partes do mundo em um curto tempo. A disseminação dessas bactérias em hospitais é uma preocupação em particular. As bactérias resistentes são comuns em hospitais, porque os antibióticos são muitas vezes necessários e os funcionários e visitantes podem transmitir as bactérias se não seguirem rigidamente os procedimentos higiênicos apropriados. Além disso, muitos pacientes hospitalizados possuem um sistema imunológico enfraquecido, tornando-os mais vulneráveis à infecção.

Bactérias resistentes também podem ser transmitidas dos animais para as pessoas. Bactérias resistentes são comuns entre animais de fazenda porque os antibióticos são muitas vezes dados rotineiramente a animais saudáveis para prevenir infecções que podem prejudicar o crescimento ou causar doença.

Outras infecções bacterianas

Fonte

Sintomas

Tratamento

Comentários

Brucelose (bactéria Brucella)

Animais domésticos, veado, alce e búfalo

Leite contaminado não pasteurizado e outros laticínios

Febre que pode retornar repetidamente durante meses a anos, suores noturnos, perda de apetite, perda de peso, dores lombares, dor nos ossos e nas articulações e depressão

Doxiciclina, dada por via oral, mais estreptomicina, injetada diariamente

O risco é maior para viajantes que consomem queijo ou leite não pasteurizado em áreas onde a brucelose é comum, e para trabalhadores de laboratório, embaladores de carne, veterinários, fazendeiros e produtores de animais de fazenda que podem lidar com tecidos de animais infectados.

Às vezes, se desenvolve infecção nos ossos das costas (vértebras), ossos longos, articulações ou valvas cardíacas.

As bactérias podem se espalhar pelo ar (em um aerossol) e por isso poderiam ser usadas em guerra biológica.

Doença do arranhão de gato (Bartonella henselae)

Gatos domésticos

No local do arranhão de gato, ocorre bolha vermelha que se rompe e forma uma crosta

Inchaço de linfonodos próximos, que se tornam doloridos e cheios de pus, às vezes depois que o arranhão se curou

Ocasionalmente, drenagem do pus de linfonodos para a pele

Aplicação de calor, analgésicos e, às vezes, azitromicina

A maioria dos gatos domésticos de todo o mundo está infectada, mas a maioria não mostra sinais da doença.

A doença do arranhão de gato geralmente se cura por conta própria. Mas se o sistema imunológico estiver enfraquecido, como ocorre em pessoas com o vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) ou AIDS, a infecção pode se espalhar pelo corpo e ser fatal sem tratamento. Essas pessoas podem evitar a infecção evitando gatos domésticos.

Erisipeloide (Erysipelothrix rhusiopathiae)

Ferida por punção ou arranhão que ocorre enquanto manuseia matérias de animais (como carcaças infectadas ou peixe)

No local da lesão, uma área dura de cor vermelha a roxeada que pode coçar e queimar

Penicilina ou eritromicina

O risco é maior para açougueiros, fazendeiros, cozinheiros e pescadores.

Raramente, a bactéria se espalha pela corrente sanguínea e infecta as articulações ou as valvas cardíacas.

Gonorreia (Neisseria gonorrhoeae)

Contato sexual com pessoas infectadas

Uma secreção uretral ou vaginal e dor ao urinar

Uma única injeção de ceftriaxona no músculo

Ocasionalmente, essas bactérias se espalham pela corrente sanguínea e infectam a pele e as articulações.

Cerca de metade das pessoas infectadas também tem uma infecção por clamídia que deve ser tratada simultaneamente com azitromicina ou doxiciclina.

Febre recidivante (espécie Borrelia)

Piolhos e carrapatos de corpo macio, muitas vezes transmitidos por ratos

Arrepios súbitos seguidos de febre alta (febre vem e vai em intervalos de 1 a 2 semanas)

Cefaleia intensa, olhos vermelhos, tosse seca, vômito, dor muscular e nas articulações, erupção cutânea avermelhada no tronco e membros, icterícia, aumento do fígado e baço e ritmo cardíaco irregular

Tetraciclina, eritromicina, doxiciclina ou penicilina

Nos Estados Unidos, a infecção por carrapato geralmente ocorre somente nos estados montanhosos do oeste e infecção causada por piolho é rara. Pessoas que acampam podem ser mordidas por carrapatos infectados.

As complicações podem incluir uma tendência a sangrar, inflamação nos olhos (iridociclite) e, em mulheres grávidas, o aborto espontâneo.

Dentro de 2 horas após a primeira dose do antibiótico, pode ocorrer uma reação perigosa (reação de Jarisch-Herxheimer), causando suor, calafrios com tremores, febre e queda da pressão arterial.

Recursos neste artigo