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Dor torácica

Por Lyall A. J. Higginson, MD, University of Ottawa Heart Institute

A dor torácica é uma queixa muito comum. A dor pode ser aguda ou sutil, embora algumas pessoas com doenças torácicas descreva sua sensação como desconforto, aperto, pressão, gases, indigestão, queimação ou pontadas. Às vezes, as pessoas também têm dor nas costas, pescoço, mandíbula, parte superior do abdome ou braço. Outros sintomas também podem estar presentes, como náusea, tosse ou dificuldade para respirar, dependendo da causa da dor torácica.

Muitas pessoas têm consciência que a dor torácica é um alerta de potenciais doenças de risco à vida e procuram avaliação médica para sintomas mínimos. Outras pessoas, incluindo muitas que têm doenças graves, minimizam ou ignoram esses avisos.

Causas

Muitas doenças causam dor ou desconforto torácicos. Nem todas essas doenças envolvem o coração. A dor torácica também pode ser causada por doenças do trato digestivo, pulmões, músculos, nervos ou ossos.

Causas comuns

No geral, as causas mais comuns de dor torácica são:

  • Doenças na região das costelas, cartilagem das costelas, músculos peitorais (dor musculoesquelética das paredes do tórax) ou dos nervos localizados no tórax.

  • Inflamação da membrana que envolve os pulmões (pleurite)

  • Inflamação da membrana que envolve o coração (pericardite)

  • Problemas digestivos (como refluxo ou espasmo gastroesofágico, úlcera ou cálculos biliares)

  • Ataque cardíaco ou angina (síndromes coronárias agudas ou angina estável)

  • Causas não diagnosticadas e que desaparecem sozinhas.

As síndromes coronárias agudas envolvem um bloqueio repentino de uma artéria do coração (artéria coronária) que corta o abastecimento de sangue ao músculo cardíaco. Se parte do músculo cardíaco morrer por não ter recebido sangue suficiente, tal evento é denominado ataque cardíaco (infarto do miocárdio). Na angina estável, o estreitamento de longo prazo em uma artéria coronária (por exemplo, em decorrência de aterosclerose) limita o fluxo sanguíneo que passa por aquela artéria. O fluxo sanguíneo reduzido causa dor torácica quando essas pessoas fazem algum esforço.

Causas de risco à vida

Algumas das causas de dor torácica podem ser fatais, porém, com exceção das síndromes coronárias agudas, tais causas são menos comuns:

  • Ataque cardíaco ou angina instável

  • Um rompimento da parede da aorta (dissecção aórtica)

  • Um tipo de colapso pulmonar em que a pressão aumenta a ponto de obstruir o sangue que deveria retornar ao coração (pneumotórax de tensão)

  • Um rompimento do esôfago

  • Bloqueio de uma artéria que chega aos pulmões por um coágulo de sangue (embolia pulmonar)

Outras causas variam de problemas graves a potenciais doenças que apenas geram desconforto.

Avaliação

Pessoas com dor torácica devem ser avaliadas por um médico. As informações abaixo podem ajudar as pessoas a decidirem quando é necessária uma avaliação e a saberem o que esperar durante a avaliação.

Sinais de alerta

Em pessoas com dor torácica ou desconforto, certos sintomas e características são causa de preocupação. Eles incluem

  • Dor com sensação de esmagamento ou pressão

  • Falta de ar

  • Sudorese

  • Náusea ou vômito

  • Dor nas costas, pescoço, mandíbula, abdome superior ou em um dos ombros ou braços.

  • Sensação de desmaio iminente ou desmaio

  • Sensação de batimento cardíaco rápido ou irregular

Quando consultar um médico

Embora nem todas as causas de dor torácica sejam graves, devido ao fato de algumas delas oferecem risco à vida, pessoas que com dor torácica nova (que persista por alguns dias) que tenham um sinal de alerta ou suspeita de ataque cardíaco (por exemplo, sintomas semelhantes aos que precedem um ataque cardíaco) devem procurar um médico imediatamente. Elas devem telefonar para o serviço de emergência (192) ou serem levadas a um pronto-socorro o quanto antes. As pessoas não devem tentar dirigir sozinhas até um hospital.

Uma dor torácica que dura segundos (menos de 30 segundos) raramente é causada por uma doença cardíaca. Pessoas com dor torácica muito breves precisam procurar um médico, mas, geralmente, não em caráter emergencial.

Pessoas que têm dor torácica por tempo prolongado (uma semana ou mais) devem procurar um médico em alguns dias, a menos que desenvolvam sinais de alerta, ou caso a dor piore ou se torne mais constante. Nesses casos, elas devem ir a um pronto-socorro imediatamente.

O que o médico faz

Os médicos primeiramente fazem perguntas sobre os sintomas da pessoa e seu histórico médico e, em seguida, fazem um exame físico. O que eles encontram na avaliação do histórico e no exame físico muitas vezes sugere uma causa para a dor torácica e os testes que podem ser necessários. No entanto, por haver doenças torácicas graves e outras que não oferecem perigo, os sintomas podem se sobrepor e variar muito. Por exemplo, embora um ataque cardíaco cause dor sutil e de esmagamento, algumas pessoas sentem somente um pequeno desconforto ou reclamam apenas de indigestão ou dor no ombro (dor referida — O que é a dor referida?). Por outro lado, pessoas com indigestão podem ter somente uma dor de estômago e aquelas com dor no ombro podem ter apenas uma inflamação muscular. Da mesma forma, embora o tórax fique sensível ao toque em pessoas com dor torácica musculoesquelética, o tórax também pode ficar sensível em pessoas que estão tendo um ataque cardíaco. Portanto, os médicos geralmente fazem testes em pessoas com dor torácica.

Algumas causas e características da dor torácica

Causas

Características comuns*

Exames

Doenças cardíacas

Ataque cardíaco (infarto do miocárdio) ou angina instável, que são doenças coronárias agudas.

Risco à vida imediato

Dor de esmagamento repentina que

  • Espalha-se pela mandíbula ou braço

  • Pode ser constante ou intermitente

Às vezes, falta de ar ou náusea

Dor que surge durante o esforço e melhora com repouso (angina pectoris)

Alguns sons cardíacos anormais ouvidos pelo estetoscópio

Sinais de alerta frequentes

ECG, feito diversas vezes em um determinado período

Exames de sangue para medir substâncias que indicam quando há lesão cardíaca (marcadores cardíacos)

Se o ECG e os níveis de marcadores cardíacos estiverem normais, uma TC das artérias do coração ou prova de esforço

Se o ECG ou os níveis de marcadores cardíacos estiverem anormais, um exame de cateterismo cardíaco

Dissecação da aorta torácica (um corte na parede de uma parte da aorta no tórax)

Risco à vida imediato

Dor repentina e dilacerante que se espalha para meio das costas ou tem origem nessa região

Às vezes, sensação de desmaio iminente, derrame, dor, resfriamento ou falta de sensação em uma perna (indicando fluxo sanguíneo inadequado para esse membro)

Outras vezes, pulso ou pressão sanguínea em um membro que diferem dos valores observados examinando-se o outro membro

Em geral, em pessoas com mais de 55 anos que possuem histórico de hipertensão arterial

Sinais de alerta

Radiografia torácica

Tomografia computadorizada da aorta

Ecocardiograma transesofágico (ultrassonografia do coração com equipamento ultrassonográfico inserido através da garganta)

Pericardite (inflamação da membrana que envolve o coração)

Potencialmente de risco à vida

Dor aguda que

  • É constante ou intermitente,

  • Frequentemente piora quando a pessoa respira, engole alimentos ou deita-se de costas.

  • Melhora deitando-se de bruços

Som cardíaco anormal ouvido pelo estetoscópio

ECG

Ecocardiograma

Doenças do trato digestivo

Ruptura do esôfago

Risco à vida imediato

Dor repentina e grave, imediatamente após vômito ou procedimento médico envolvendo o esôfago (como endoscopia do esôfago e estômago ou ecocardiografia transesofágica)

Alguns sinais de alerta

Radiografia torácica

Radiografias do esôfago feitas depois de a pessoa engolir uma solução de contraste (esofagografia)

Pancreatite

Potencialmente de risco à vida

Dor grave e constante que

  • Ocorre na parte superior intermediária do abdome ou na parte inferior do tórax.

  • Com frequência piora deitando-se de costas

  • Melhora deitando-se de bruços

Vômito

Sensibilidade abdominal superior

Choque

Geralmente em indivíduos que abusam de álcool ou que têm cálculos biliares

Exames de sangue para medir uma enzima (lipase) produzida pelo pâncreas

Às vezes, TC abdominal

Úlcera péptica§

Desconforto indeterminado e recorrente que

  • Ocorre na parte superior do abdome ou inferior do tórax

  • É aliviada quando há ingestão de comida, antiácidos ou ambos

Frequente em pessoas que fumam, consumem álcool ou ambos

Não há sinais de alerta

Exame médico

Às vezes, endoscopia

Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)§

Dor tipo queimação recorrente que

  • Espalha-se da parte superior do abdome até a garganta

  • Piora quando a pessoa se inclina para frente ou se deita

  • Melhora com antiácidos

Exame médico

Às vezes, endoscopia

Problemas da vesícula biliar e duto biliar (doença do trato biliar)§

Desconforto recorrente que

  • Ocorre na parte superior direita do abdome ou na parte inferior da região intermediária do tórax

  • Ocorre após as refeições (não depois de esforço)

Ultrassonografia da vesícula biliar

Problemas de deglutição em que há movimento anormal (propulsão) de comida pelo esôfago

Dor que

  • Surgiu gradualmente durante um longo período de tempo

  • Pode se manifestar ou não ao engolir

Geralmente dificuldades para engolir

Algumas vezes, radiografia do trato digestivo superior após administração de bário por via oral (deglutição de bário)

Doenças pulmonares

Embolia pulmonar (bloqueio de uma artéria dos pulmões por um coágulo)

Risco à vida imediato

Em geral, dor aguda ao inspirar, falta de ar, respiração e frequência cardíaca aceleradas

Pode haver febre moderada, tosse com sangue ou choque

Mais provável em pessoas com risco para embolia pulmonar (como coágulos preexistentes, cirurgias recentes, especialmente nas pernas, bem como repouso absoluto prolongado, uso de gesso ou tala em uma das pernas, idade avançada, tabagismo ou câncer)

TC ou ressonância magnética dos pulmões

Às vezes, um exame para detectar coágulos (teste de dímero d)

Pneumotórax tensional (pulmão colapsado com pressão crescente de ar formando-se no tórax)

Risco à vida imediato

Falta de ar significativa

Pressão arterial baixa, veias do pescoço inchadas e sons respiratórios fracos em um dos lados ouvidos com um estetoscópio

Acontece tipicamente após um grave lesão no tórax

Normalmente somente um exame médico

Às vezes, radiografia torácica

Pneumonia

Potencialmente de risco à vida

Febre, calafrios, tosse e, geralmente, catarro amarelo ou esverdeado

Frequentemente falta de ar

Por vezes, dor ao inspirar

Frequência cardíaca acelerada e pulmões congestionados detectados durante o exame

Radiografia torácica

Pneumotórax (pulmão colapsado)

Potencialmente de risco à vida

Dor repentina e aguda, em geral em um dos lados do tórax

Às vezes, falta de ar

Às vezes, sons respiratórios fracos em um dos lados ouvidos com o estetoscópio

Radiografia torácica

Pleurite (inflamação da membrana que envolve o pulmão)§

Dor aguda ao respirar

Geralmente em pessoas que tiveram pneumonia ou infecção respiratória viral recentemente

Pode haver tosse

Não há sinais de alerta

Normalmente somente um exame médico

Outras doenças

Dor na parede torácica,§ incluindo os músculos, ligamentos, nervos e costelas (dor musculoesquelética da parede torácica)

Dor que

  • Tipicamente é persistente (dura dias ou mais)

  • É agravada pelo movimento e/ou respiração

  • Pode não demonstrar causa aparente ou resultar de tosse ou sobrecarga

Sensibilidade em um ponto do tórax

Não há sinais de alerta

Somente um exame médico

Infecção por herpes zóster§

Dor aguda em uma faixa ao redor da região intermediária do tórax, mas apenas em um dos lados

Erupções com várias bolhas pequenas, às vezes cheias de pus, na área dolorida e, algumas vezes, com pus surgindo apenas depois da dor

Somente um exame médico

*As características incluem os sintomas e os resultados do exame médico. As características mencionadas são típicas, mas nem sempre estão presentes.

Para a maior parte das pessoas com dor torácica, o nível de oxigênio no sangue é medido por um sensor colocado em um dos dedos (oxímetro de pulso) e são feitos um eletrocardiograma (ECG) e uma radiografia torácica.

Os sinais de alerta incluem

  • Sinais vitais anormais (frequência cardíaca anormalmente lenta ou acelerada, respiração rápida e pressão sanguínea baixa)

  • Sinais de redução do fluxo sanguíneo (como confusão, palidez ou pele acinzentada e sudorese excessiva)

  • Falta de ar

  • Sons respiratórios ou pulsação anormais

  • Sopro cardíaco recente

§Até que seja relatado o oposto, as origens geralmente não são perigosas, embora sejam desconfortáveis.

TC = tomografia computadorizada; EGC = eletrocardiograma.

Exames

Para adultos com dor torácica repentina, são feitos exames para eliminar os casos perigosos. Para a maior parte das pessoas, os exames iniciais incluem

  • Medição dos níveis de oxigênio usando-se um sensor colocado em um dedo (oxímetro de pulso)

  • Eletrocardiograma (ECG)

  • Radiografia torácica

Se os sintomas sugerirem síndrome coronária aguda ou se não houver nenhuma outra causa evidente (particularmente em pessoas em situação de risco elevado), os médicos geralmente medem os níveis de substâncias que acusam lesão cardíaca (ao menos duas vezes com intervalo de algumas horas) e fazem diversos ECGs. Se esses testes não indicarem síndrome coronária aguda, os médicos frequentemente fazem um teste de esforço físico (veja Teste de esforço) antes de as pessoas voltarem para casa ou em poucos dias. Um teste de esforço, ECG ou exame por imagem (como a ecocardiografia) são feitos durante o exercício físico (geralmente em uma esteira) após a administração um medicamento que acelera os batimentos cardíacos.

Se houver suspeita de embolia pulmonar, é feita uma tomografia computadorizada (TC) dos pulmões. Se a embolia pulmonar for considerada improvável, com frequência é feito um exame de sangue para detectar coágulos (teste de dímero D). Se o resultado do teste for negativo, é improvável que haja embolia pulmonar, mas, se o resultado for positivo, são realizados outros exames, como ultrassonografia das pernas ou TC torácica.

Em pessoas que tiveram dor torácica por muito tempo, riscos imediatos são pouco prováveis. A maioria dos médicos faz apenas uma radiografia torácica a princípio e, então, outros exames com base nos sintomas e achados de exames.

Tratamento

São tratadas doenças específicas identificadas. Se a causa não for claramente benigna, as pessoas geralmente são internadas em um hospital ou em uma unidade de observação para monitoramento cardíaco e avaliação mais detalhada. Os sintomas são tratados com acetaminofeno ou opioides, conforme necessário, até que seja estabelecido um diagnóstico.

Pontos-chave

  • A dor torácica pode ser decorrente de doenças que podem ser fatais, então, pessoas com dor torácica recente (de poucos dias) devem procurar atenção médica imediata.

  • Os sintomas de doenças que representam ou não risco à vida podem se sobrepor, então, é necessário determinar a causa.

Recursos neste artigo