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Câncer de próstata

Por Viraj A. Master, MD, PhD, Winship Cancer Institute, Emory University

  • O risco do câncer de próstata aumenta com a idade.

  • Os sintomas, como dificuldade em urinar, necessidade de urinar frequente e urgentemente e sangue na urina, normalmente ocorrem somente após o câncer estar avançado.

  • O câncer pode espalhar-se normalmente para os ossos, nódulos linfáticos ou medula.

  • Testes de triagem são controversos, mas os médicos pode fazer um exame de toque retal e um exame de sangue para verificar se há câncer de próstata sem sintomas.

  • Se suspeitar-se de câncer, são feitas ultrassonografia e biópsia do tecido da próstata.

  • O tratamento pode envolver monitoramento ativo, remoção da glândula da próstata, terapia por radiação ou medicamentos hormonais ou mais novos para retardar o crescimento do câncer.

O câncer de próstata constitui o tipo de câncer mais frequente entre os homens nos Estados Unidos e uma das causas mais comuns de morte por câncer. A cada ano, mais de 238.000 novos casos são diagnosticados e cerca de 30.000 pessoas morrem devido ao câncer de próstata. A chance de desenvolver câncer de próstata aumenta com a idade e é maior para

  • Negros e hispânicos

  • Homens cujos parentes próximos tiveram a doença

O câncer de próstata normalmente cresce muito lentamente e pode levar décadas para causar os sintomas. Assim, particularmente porque ele ocorre com mais frequência em idosos, muitos homens têm câncer de próstata, mas não morrem devido a ele. Muitos homens com câncer de próstata morrem de outras causas sem sequer saber que o tinham.

O câncer de próstata inicia-se com uma pequena área na glândula. A maioria dos cânceres de próstata cresce muito lentamente e pode ser assintomática. Existem, no entanto, outros que crescem rapidamente e se propagam para fora da próstata. Não se conhece a causa desse câncer.

Sintomas

O câncer de próstata somente costuma provocar sintomas depois de atingir um estágio avançado. Por vezes, têm lugar sintomas semelhantes aos da hiperplasia benigna da próstata (HBP), incluindo micção difícil e necessidade de urinar frequente e urgentemente. Todavia, esses sintomas somente se manifestam depois de o câncer ter crescido de forma a comprimir a uretra e a bloquear em parte o fluxo de urina. Posteriormente, o câncer de próstata pode dar lugar à presença de sangue na urina ou a uma incapacidade repentina de urinar.

Em alguns homens, os sintomas de câncer de próstata surgem quando este já se propagou (metástase). As áreas mais frequentemente afetadas pelo câncer disseminado são os ossos (em especial a pélvis, costelas, ou vértebras). O câncer ósseo costuma ser doloroso e pode debilitar os ossos a ponto de se fraturarem com facilidade. Comumente, a propagação para a medula afeta a medula espinhal e pode causar dor, dormência, fraqueza ou incontinência urinária. Uma vez disseminado o câncer, é frequente o aparecimento de anemia.

Você sabia que...

  • Muitos homens com câncer de próstata morrem de outras causas sem sequer saber que o tinham.

  • Alguns cânceres de próstata crescem tão lentamente que podem não requerer tratamento. Outros são agressivos e crescem e se espalham rapidamente. Os médicos nem sempre podem dizer se um câncer de próstata será agressivo.

Diagnóstico

Os médicos podem suspeitar de câncer de próstata com base nos sintomas, nos resultados de um exame de toque retal ou dos resultados de exames de sangue de triagem. O exame de sangue de triagem é uma medição dos níveis de antígeno específico da próstata (prostate-specific antigen, PSA). O PSA é uma substância produzida somente pelo tecido da glândula da próstata.

Quando os resultados dos exames sugerem a existência de câncer, realiza-se geralmente uma ultrassonografia. Nos homens portadores de câncer de próstata, a ultrassonografia pode ou não revelar o câncer, mas é usada para guiar a biópsia da próstata.

Quando os resultados do exame de toque retal ou do exame de PSA sugerem a existência de câncer de próstata, procede-se a uma coleta de amostras de tecido prostático para análise (biópsia). De forma geral, quando se realiza uma biópsia, o médico obtém primeiro imagens da próstata por meio da introdução de uma sonda de ultrassom (transdutor) no reto (ultrassonografia transretal). Os médicos então inserem uma agulha através da sonda e a utilizam para obter amostras de tecidos várias vezes (biópsia da próstata guiada por ultrassom transretal). Normalmente, cinco ou seis amostras são retiradas de cada lado da próstata para aumentar a probabilidade da descoberta de um pequeno câncer. Este procedimento leva somente alguns minutos e os homens recebem, normalmente, anestesia local.

A classificação e estadiamento auxiliam os médicos a determinar o curso provável e o melhor tratamento do câncer.

Classificação

O sistema de escala de Gleason é a forma mais frequente de classificar o câncer de próstata. Com base no exame microscópico dos tecidos obtidos na biópsia, um número de 1 a 5 é designado de acordo com o grau de distorção da célula. Como as células cancerosas frequentemente variam na aparência, o número de classificação das células anormais mais frequentes é adicionado ao número para a próxima célula anormal mais comum para dar uma classificação total de 2 a 10. As pontuações entre 6 e 7 são as mais frequentes. Quanto mais elevado é o número (grau elevado), mais agressivo é o câncer e maior é a probabilidade do câncer se disseminar.

Estadiamento

Os cânceres de próstata são estadiados de acordo com três critérios:

  • A distância que o câncer se disseminou dentro da próstata

  • Se o câncer se disseminou para os nódulos linfáticos em áreas próximas da próstata

  • Se o câncer se disseminou para órgãos distantes da próstata (câncer metastático)

O exame para estadiar o câncer é feito frequentemente quando o câncer é diagnosticado. No entanto, estes exames podem não ser necessários quando a probabilidade de disseminação além da próstata é extremamente baixa. A probabilidade de disseminação é baixa quando os cânceres têm uma pontuação de Gleason de sete ou menos, o nível de PSA é inferior a 10 ng/ml e o câncer não penetrou a superfície da glândula. Os resultados do exame de toque retal, da ultrassonografia e da biópsia revelam até onde o câncer se disseminou dentro da próstata.

Se a probabilidade de disseminação não for baixa, os médicos normalmente fazem uma tomografia computadorizada (TC) ou imagem de ressonância magnética (IRM) do abdômen e da pélvis. Algumas vezes a IRM é feita usando-se uma mola especial inserida no reto. Uma cicatriz óssea pode ser feita em pessoas que têm dor nos ossos ou que têm PSA muito alto ou pontuação de Gleason.

Se suspeitar-se de disseminação para o cérebro ou medula espinhal, a TC ou a IRM desses órgãos são feitas.

Triagem

Como o câncer de próstata é comum e, algumas vezes fatal, e como os sintomas podem não se desenvolver até o câncer estar avançado, muitos médicos utilizam exames de triagem para homens sem sintomas. A triagem tem a vantagem de encontrar cânceres agressivos precocemente - quando ainda podem ser curados. Entretanto, como os exames de triagem são positivos em muitos homens que não têm câncer e como alguns cânceres de próstata crescem tão lentamente que podem não requerer tratamento, os especialistas discordam sobre se e quando a triagem é útil.

A triagem é considerada em homens acima dos 50 anos e nos acima de 40 que apresentam fatores de risco, como ser negro ou ter histórico familiar de câncer de próstata. Os benefícios da triagem podem diminuir com a idade. Por exemplo, uma organização profissional é contra fazer a triagem em homens acima dos 75 anos ou naqueles que não se espera uma sobrevida de pelo menos 10 anos. A triagem, uma vez iniciada, é normalmente repetida uma vez por ano.

Para triar o câncer de próstata, os médicos fazem um exame de toque retal e um exame de sangue para medir os níveis de PSA. Se a glândula da próstata estiver dura, com aumento irregular ou tiver uma protuberância ou se o nível do PSA estiver elevado, o câncer de próstata é mais provável. Entretanto, os níveis de PSA podem ser enganosos. O nível de PSA pode ser normal quando o câncer de próstata está presente e pode ser elevado por outras razões que não o câncer de próstata. Os níveis de PSA normalmente aumentam com a idade e com os distúrbios como HPB e prostatite. A forma como os médicos definem se um nível de PSA elevado ou uma protuberância na próstata representa câncer é fazer uma biópsia transretal da próstata. Como a maioria dos homens com níveis de PSA elevados nos exames de triagem não têm câncer de próstata, muitas biópsias apresentam resultados negativos (mas ainda expõem os homens ao desconforto e risco de complicações, como uma infecção). Mesmo quando a biópsia apresenta câncer de próstata, os médicos nem sempre podem saber quais cânceres precisam de tratamento. Por exemplo, se a biópsia mostra uma pontuação de Gleason alta ou que o câncer se disseminou profundamente na próstata, então o câncer provavelmente irá causar problemas e deve ser tratado. De fato, tal tratamento pode salvar uma vida. Entretanto, se a biópsia mostrar uma pontuação de Gleason baixa e o câncer envolver somente uma pequena parte da próstata, então o câncer pode não causar problemas e não requer tratamento.

A triagem pode detectar cânceres que, provavelmente, não provocam dor nem causam a morte, mesmo se nunca tivessem sido detectados. Em tais cânceres, os efeitos colaterais do tratamento (por exemplo, disfunção erétil ou incontinência urinária) podem ser mais danosos do que não tratar o câncer. Como nem sempre fica claro precocemente que câncer de próstata será agressivo (por exemplo, para cânceres com pontuação de Gleason baixa e que envolvem somente uma pequena parte da próstata), os médicos tipicamente têm recomendado o tratamento de todos os homens cuja biópsia apresentou câncer. Dessa forma, muito mais homens são tratados devido a câncer de próstata do que são curados com tal tratamento. Como resultado, muitos dos homens tratados não obtêm nenhum benefício do tratamento, mas ainda correm o risco dos efeitos colaterais. Devido à possibilidade de que o tratamento pode não ser útil, os médicos podem oferecer a certos homens com biópsia positiva a opção de retardar o tratamento dependendo dos resultados dos exames periódicos ( Tratamento). Como o melhor curso de ação ainda não está claro e como os homens podem ter valores e preferências diferentes, eles devem ponderar os riscos e benefícios da triagem, biópsia e tratamento junto com seu médico. Por exemplo, os homens que arriscariam uma probabilidade substancial de efeitos colaterais resultando do tratamento do que um risco muito pequeno de morte causada por um câncer de próstata podem escolher serem triados. Aqueles que não gostariam de arriscar o tratamento a menos que fosse absolutamente necessário podem escolher não serem triados.

Muitas decisões tomadas (por exemplo, se ser triado, se fazer um tratamento invasivo ou em vez disso, retardar o tratamento dependendo dos resultados dos exames periódicos) dependem amplamente dos próprios valores e preferências dos homens.

Prognóstico

O prognóstico para a maioria dos homens com câncer de próstata é muito bom. Os mais idosos com câncer de próstata tendem a viver tanto quanto outros homens de sua idade que têm saúde geral similar e não têm câncer de próstata. Para muitos homens, a remissão a longo prazo ou mesmo cura é possível. O prognóstico depende do grau e estágio do câncer. Cânceres apresentando alto grau têm um prognóstico ruim a menos que tratado muito precocemente. Os cânceres que se disseminaram para os tecidos circundantes também apresentam um prognóstico ruim. O câncer de próstata metastático não tem cura. A maioria dos homens com câncer metastático vivem cerca de um a três anos após o diagnóstico, mas alguns vivem por muitos anos.

Tratamento

Escolher dentre as opções de tratamento pode ser complicado. Como os estudos ainda não compararam um tratamento com outro, os médicos não têm certeza sobre qual tratamento é o mais eficaz. Além disso, para alguns homens, os médicos não estão seguros se o tratamento prolongará a vida. Esses homens incluem aqueles cuja sobrevida não se espera que seja muito longa (devido à idade avançada ou problemas de saúde sérios) e aqueles com baixos níveis de PSA que têm câncer de grau baixo confinado na próstata. Dessa forma, os homens frequentemente tomam sua decisão comparando o grau de desconforto em viver com um câncer que pode ou não prejudicá-los em relação aos possíveis efeitos colaterais do tratamento. Cirurgia, terapia com radiação e terapia hormonal podem causar incontinência, disfunção erétil (impotência) ou outros problemas. Assim sendo, as preferências do homem têm peso maior na escolha do tratamento do câncer de próstata do que no tratamento de muitos outros distúrbios.

De forma geral, o tratamento do câncer de próstata envolve uma das três estratégias seguintes:

  • Monitoramento ativo

  • Tratamento curativo

  • Tratamento paliativo

Monitoramento ativo (anteriormente chamado de espera vigilante) significa que os médicos não prescreverão tratamento a menos que o câncer esteja progredindo ou se alterando. A vantagem dessa estratégia é evitar ou adiar os efeitos colaterais potenciais do tratamento. O monitoramento ativo deve ser considerado principalmente pelos idosos cujos cânceres provavelmente não se disseminarão ou causarão sintomas. Por exemplo, a maioria dos cânceres confinados a uma área pequena dentro da próstata e que apresentam baixa pontuação de Gleason crescem muito lentamente e, normalmente, não se disseminam por muitos anos. Dessa forma, os idosos, particularmente aqueles que têm outros problemas de saúde sérios, têm uma grande probabilidade de morrerem de outras causas antes que tais cânceres os matem ou causem sintomas. Nos mais jovens, particularmente aqueles que são saudáveis, mesmo um câncer com crescimento lento pode finalmente causar problemas. Em tais homens, o monitoramento ativo pode ser menos preferencial. Durante o monitoramento ativo, os médicos periodicamente perguntam sobre os sintomas, medem o nível do PSA e fazem exame de toque retal para determinar se o câncer está causando sintomas, crescendo rapidamente ou disseminando-se. Os mais jovens também podem fazer biópsias periodicamente. Se o exame apresentar crescimento ou disseminação, os médicos oferecem tratamento curativo ou paliativo.

Tratamento curativo visa remover ou exterminar todo o câncer e inclui

  • Cirurgia

  • Radioterapia

  • Menos frequentemente, crioterapia (congelamento)

O tratamento curativo (também chamado definitivo) é uma estratégia usual no caso de homens com cânceres confinados à próstata que apresentem probabilidade de vir a provocar sintomas preocupantes ou a morte. Tais cânceres incluem aqueles que estão crescendo rapidamente, bem como alguns cânceres pequenos com crescimento lento em homens que provavelmente viverão por algum tempo (talvez pelo menos 10 ou 15 anos). Tais homens são tipicamente aqueles que são saudáveis, mais jovens (particularmente aqueles com menos de 60 anos) ou ambos. O tratamento curativo não é feito se o câncer se disseminou muito, mas pode beneficiar alguns homens com cânceres que se espalharam para a área externa da próstata. Tais cânceres provavelmente causam sintomas dentro de um período relativamente curto. No entanto, é provável que o tratamento curativo seja apenas eficaz em cânceres que permaneçam confinados a uma área adjacente à próstata. O tratamento curativo pode prolongar a vida e reduzir ou eliminar os sintomas sérios de alguns cânceres. Os efeitos colaterais, embora menos comuns com os tratamentos mais novos, podem desenvolver-se e diminuir a qualidade de vida. Podem incluir, por exemplo, disfunção erétil e, menos frequentemente, incontinência urinária (mais frequentemente como resultado da cirurgia) e dor ou sangramento durante a defecação e irritação ou sangramento ao urinar (como resultado da terapia com radiação).

Tratamento paliativo tem como objetivo tratar mais os sintomas do que a própria doença. As terapias paliativas incluem

  • Terapia hormonal

  • Quimioterapia

  • Radioterapia

O tratamento paliativo é mais adequado para homens com câncer de próstata disseminado, que não é curável. O crescimento ou a disseminação desses cânceres pode ser mais lento ou reverter-se temporariamente com o consequente alívio dos sintomas. Além de tentar retardar o crescimento e a disseminação do câncer, os médicos podem tentar aliviar os sintomas resultantes dos efeitos do câncer em outros órgãos e tecidos (como os ossos). Entretanto, como esses tratamentos não podem curar o câncer, os sintomas pioram. Morte devido à doença pode acontecer.

Cirurgia

A remoção cirúrgica da próstata (prostatectomia) é útil para o câncer que está confinado à próstata. A prostatectomia não é feita se o exame de estadiamento apresentar que o câncer está disseminado. A prostatectomia é muito eficaz na cura de cânceres de baixo grau e crescimento lento, mas é menos eficaz nos com alto grau e crescimento rápido. Tais cânceres têm maior probabilidade de se disseminar mesmo se isto não for detectável com exames de estagiamento no momento do diagnóstico.

A prostatectomia requer anestesia geral ou raquidiana, uma internação de um dia para o outro e uma incisão cirúrgica. Após a cirurgia, os homens devem ficar com um cateter em seu pênis por uma semana ou duas até a conexão entre a bexiga e a uretra cicatrizar. Os médicos não prescrevem terapia por radiação, quimioterapia ou terapia hormonal rotineiramente antes ou após a cirurgia, mas estudos estão sendo realizados para determinar se tais tratamentos podem beneficiar certos homens.

A prostatectomia pode levar a disfunção erétil e incontinência urinária permanentes. A disfunção erétil pode ocorrer porque os nervos do pênis que controlam a ereção passam pela próstata e podem ser lesionados durante a cirurgia. A incontinência pode ocorrer porque parte do esfincter que fecha a abertura no fundo da bexiga deve ser removida durante a cirurgia.

As técnicas para realizar a prostatectomia incluem prostatectomia radical aberta e laparoscopia ou prostatectomia radical.

Na prostatectomia radical aberta, toda a próstata, as vesículas seminais e parte dos canais deferentes são removidos através de uma incisão no baixo ventre ou, raramente, na área entre o escroto e o ânus. Os nódulos linfáticos também podem ser removidos para verificar se há câncer. Nos procedimentos de laparoscopia e laparoscopia assistida por robô, as mesmas estruturas são removidas, mas esses procedimentos são feitos através de incisões menores e podem resultar em menos dor pós-operatória e perda de sangue. .

A prostatectomia radical, independente da técnica, é a cirurgia realizada ao tentar curar o câncer de próstata. Mais de 90% dos homens com câncer confinado à próstata vivem pelo menos 10 anos após uma prostatectomia radical. Os homens mais jovens, com expectativa de vida de pelo menos 10 ou 15 anos, têm maior probabilidade de se beneficiarem da prostatectomia radical. Entretanto, o procedimento causa algum vazamento de urina em até 10% deles. A incontinência temporária afeta a maioria dos homens e pode durar vários meses. A incontinência tem menos probabilidade de afetar homens mais jovens.

Um grau de disfunção erétil se desenvolve na maioria dos homens após a prostatectomia radical, particularmente aqueles que tinham uma classificação dela antes da cirurgia. Normalmente, a prostatectomia pode ser realizada de tal forma que alguns dos nervos necessários para atingir a ereção são preservados - este procedimento é chamado de prostatectomia radical com nervos preservados. Esse procedimento não pode ser utilizado no tratamento do câncer que invadiu os nervos e os vasos sanguíneos da próstata. A prostatectomia radical que preserva os nervos tem menos probabilidade de provocar disfunção erétil do que a que não preserva. A maioria dos homens é diagnosticada precocemente e, dessa forma, podem ser tratados com prostatectomia radical com nervos preservados.

O bloqueio do fluxo da urina causado pelo estreitamento de parte da bexiga ou cicatriz da uretra (estenose uretral) se desenvolve em 7 a 20% dos homens. O bloqueio normalmente pode ser tratado (veja Obstrução do trato urinário: Tratamento).

Radioterapia

A radioterapia ( Radioterapia) pode curar os cânceres confinados à próstata, assim como os que invadiram os tecidos circundantes. Embora a radioterapia não possa curar o câncer que se disseminou para órgãos distantes, ela pode ajudar a aliviar a dor resultante da disseminação do câncer de próstata aos ossos.

A radioterapia é, algumas vezes, realizada após a cirurgia para tratar as áreas ao redor da próstata ou se PSA é encontrado no sangue após a cirurgia sugerindo que o câncer não foi totalmente removido.

Para muitos estágios do câncer de próstata, taxas de sobrevida de 10 anos após a radioterapia são quase tão altas quanto as alcançadas pela cirurgia. Mais de 90% dos homens com câncer confinado à próstata vivem pelo menos 10 anos depois da radioterapia. A radioterapia pode ser realizada como

  • Radioterapia com feixe externo (usada para tratar câncer dentro da glândula da próstata e câncer de próstata que se disseminou para os ossos)

  • Implantes radioativos (usados para tratar o câncer dentro da glândula da próstata, mas não câncer de próstata que se disseminou para os ossos)

  • Rádio-233, um medicamento intravenoso (usado para tratar câncer de próstata que se disseminou para os ossos, mas não o câncer dentro da glândula da próstata)

Radioterapia com feixe externo utiliza uma máquina que emite feixes de radiação para a próstata e tecidos circundantes. TC é frequentemente usada para auxiliar a focar os feixes de radiação mais precisamente no câncer, identificando precisamente a estrutura afetada. Esta abordagem é chamada de radioterapia conformada tridimensional. De forma geral, os tratamentos são administrados cinco dias por semana durante sete a oito semanas. Apesar de poder ocorrer algum grau de disfunção erétil em até 40% dos homens, é menos provável que se desenvolva durante o período logo após a radioterapia do que durante o período logo após a prostatectomia. Entretanto, após meses ou anos, a disfunção erétil parece ser provável após a radioterapia, assim como após a prostatectomia. A incontinência é rara quando a radioterapia conformal tridimensional é usada.

As cicatrizes que estreitam a uretra e impedem o fluxo de urina (estenose uretral) desenvolve-se em cerca de 7% dos homens. Ardor durante a micção, micção frequente, sangue na urina, diarreia por vezes com sangue, proctite de radiação (normalmente causando irritação do reto e diarreia) e urgência repentina de defecar, são outros efeitos colaterais inconvenientes, porém temporários, da radioterapia com feixe externo.

Outras formas de radioterapia com feixe externo que são mais recentes e podem ter menos efeitos colaterais incluem terapia de feixe de próton e radioterapia com intensidade modulada (IMRT). Ambas as técnicas permitem que a radiação seja feita mais precisamente nas células cancerosas ao mesmo tempo que evitam as células saudáveis. A IMRT pode fornecer radiação de potências variadas (intensidades) e dessa forma podem fornecer radiação mais intensa para os tecidos com mais câncer. A terapia com feixe de próton fornece radiação de uma forma que se espalhe menos. Dessa forma, menos radiação pode ser espalhada dos tecidos com câncer alvos para os tecidos saudáveis e normais que estão próximos.

Implantes de radiação podem ser inseridos na próstata (braquiterapia). Os implantes são peças pequenas, parecidas com sementes de material radioativo. Os médicos injetam os implantes na glândula da próstata através da área entre o escroto e o ânus, usando ultrassonografia ou TC para guiar a colocação. A braquiterapia pode ser realizada em menos de duas horas, não requer sessões de tratamento repetidas e utiliza somente anestesia raquidiana. A braquiterapia pode fornecer doses elevadas de radiação à próstata, ao mesmo tempo em que preserva os tecidos saudáveis circundantes e provoca menos efeitos colaterais. No entanto, provoca estenoses uretrais em até 10% dos homens. A radioatividade das sementes diminuem com o tempo. As sementes podem ser removidas na urina posteriormente. Os homens tratados com essas sementes devem evitar o contato próximo com mulheres grávidas e crianças pequenas por um período de tempo após o procedimento porque a radioatividade pode ser danosa para o feto ou crianças pequenas. As taxas de cura de 10 a 15 anos após a braquiterapia são similares às taxas obtidas com outros tratamentos para alguns homens. Por vezes, recomenda-se o tratamento combinado de braquiterapia com radiação com feixe externo para cânceres mais agressivos.

Rádio-233 é um medicamento administrado intravenosamente que emite um tipo específico de radiação (radiação alfa). Diferentemente da radiação com feixe e da braquiterapia, não é direcionado a um alvo em particular. O rádio-233 é usado para tratar metástase óssea do câncer de próstata e não o câncer de próstata na glândula da próstata. Uma vez na corrente sanguínea, o rádio-233 procura áreas dos ossos afetadas pelo câncer de próstata, onde ajuda a destruir as células cancerosas. Como visa o tecido ósseo e não espalha radiação (como os feixes ou sementes de radiação), pode preservar os tecidos próximos do dano da radiação.

Terapia hormonal

Como a maioria dos cânceres de próstata requerem testosterona para crescer ou espalhar-se, os tratamentos que bloqueiam os efeitos deste hormônio (terapia hormonal) pode retardar a progressão dos tumores. A terapia hormonal é comumente usada para retardar a disseminação do câncer que retornou depois da cirurgia ou da radioterapia ou para tratar o câncer de próstata disseminado (metastático). A terapia hormonal é, algumas vezes, combinada com outros tratamentos. Não é curativa. Além de prolongar a vida, esse tratamento pode diminuir os sintomas. Finalmente, entretanto, a terapia hormonal provavelmente perderá eficácia e a doença progredirá.

Os medicamentos hormonais usados para tratar o câncer de próstata nos Estado Unidos incluem leuprolida, gosserrelina, triptorrelina, busserrelina e degarrelix, que evitam que a glândula pituitária estimule os testículos para produzirem testosterona. Esses medicamentos são administrados por meio de injeção no consultório médico a cada 1, 3, 4 ou 12 meses e, geralmente, por toda a vida. Para alguns homens, este tratamento somente pode ser dado por um ano ou dois e, possivelmente retomado mais tarde.

Medicamentos que bloqueiam os efeitos da testosterona (como flutamida, bicalutamida e nilutamida) também podem ser usados. Esses medicamentos são tomados diariamente via oral.

Os efeitos colaterais da terapia hormonal podem incluir ondas de calor, osteoporose, perda de energia, redução da massa muscular, ganho de peso fluido, redução da libido, diminuição dos pelos, disfunção erétil e aumento do peito (ginecomastia).

A forma clássica de tratamento hormonal consiste na extração de ambos os testículos (orquiectomia bilateral). Os efeitos da orquiectomia bilateral sobre o nível de testosterona equivalem aos provocados pela administração de leuprolida e gosserrelina, busserrelina e medicamentos relacionados. Os efeitos físicos e psicológicos da orquiectomia bilateral e de outras terapias dificultam a sua aceitação por alguns homens.

Nos homens com câncer de próstata disseminado, a terapia hormonal pode se tornar ineficaz após alguns anos. Quando o câncer finalmente progride apesar da terapia hormonal, os homens podem viver somente alguns anos.

Outros medicamentos

O câncer não responde à terapia hormonal que diminui com sucesso os níveis de testosterona é chamado de câncer de próstata resistente à castração. Docataxel, um medicamento quimioterápico, pode prolongar a vida quando o câncer não responde à terapia hormonal.

Recentemente, muitos outros tratamentos que prolongam a vida foram disponibilizados e estão sendo usados mais cedo do que anteriormente para tratar os homens com câncer de próstata resistente à castração. Esses tratamentos incluem sipuleucel-T (uma vacina que visa as células do câncer de próstata), abiraterona e enzalutamida (tipos de terapia hormonal) e cabazitaxel (um medicamento quimioterápico). O rádio-233 pode prolongar a vida tratando ou evitando complicações sérias devido à disseminação no osso (como lesão na medula espinhal).

Os medicamentos usados para tratar a osteoporose, como ácido zoledrônico e denosumab, podem ser usados para fortalecer os ossos que enfraqueceram devido ao câncer ou pela terapia hormonal, que tende a enfraquecê-los. Esses medicamentos ajudam a tratar e a evitar problemas tais como dor e tendência a fratura.

Métodos e estratégias comuns para tratar o câncer de próstata

Características do câncer

Estratégia de tratamento

Método de tratamento

Câncer confinado à próstata do homem com expectativa de vida de muitos anos

Tratamento curativo (para remover todos os traços do câncer)

Cirurgia ou radioterapia

Câncer pequeno, com crescimento lento, confinado à próstata em homens com expectativa de vida menor

Monitoramento ativo (monitorar e observar os sintomas ou alterações no câncer, tratando somente quando se torna necessário)

Sem tratamento

Câncer grande ou com crescimento rápido, confinado à próstata

Tratamento curativo

Cirurgia ou radioterapia

Câncer disseminado para áreas fora da próstata, mas não para áreas distantes

Tratamento curativo

Radioterapia

Câncer disseminado

Tratamento paliativo (visando retardar a progressão e aliviar os sintomas e que pode prolongar a vida, mas não curará o câncer)

Terapia hormonal

Câncer que para de responder à terapia hormonal (câncer de próstata resistente à castração)

Tratamento paliativo

Quimioterapia, terapias hormonais mais recentes, sipuleucel-T ou rádio-233

Acompanhamento

Após todas as formas de tratamento, níveis de PSA são medidos em intervalos regulares (normalmente a cada três a quatro meses no primeiro ano e, em seguida, a cada seis meses pelo resto da vida). Por um mês após a cirurgia, o PSA não deve ser detectado. Após a radioterapia, o PSA diminui mais lentamente e, de modo geral, não se torna indetectável, mas deve permanecer estável em um nível baixo. O aumento dos níveis de PSA pode indicar que o câncer reapareceu.

Recursos neste artigo