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Compressão da medula espinhal

Por Michael Rubin, MDCM, Weill Cornell Medical College;New York Presbyterian Hospital-Cornell Medical Center

Lesões e doenças podem fazer pressão na medula espinhal, causando dor nas costas, formigamento, fraqueza muscular e outros sintomas.

  • A medula espinhal pode estar comprimida pos ossos, sangue (hematomas), pus (abscessos), tumores (cancerígenos ou não) ou um disco com ruptura ou hérnia.

  • Os sintomas, como dor nas costas, sensações anormais, fraqueza muscular ou controle alterado da bexiga e do intestino, pode ser moderados ou graves.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico em sintomas e resultados de um exame físico, ressonância magnética ou outro teste de imagem.

  • Em geral, os corticosteroides são administrados para reduzir o inchaço na medula espinhal ou em volta dela e, assim, ajudam a reduzir a pressão no local.

  • Dependendo da causa, é possível usar a cirurgia e/ou radioterapia para aliviar a pressão.

A medula espinhal encontra-se protegida pela coluna vertebral; todavia, existem determinadas doenças que podem exercer pressão (comprimir) sobre ela e alterar a sua função normal. Essas lesões ou doenças também podem comprimir as raízes dos nervos espinhais, que passam pelos espaços entre as vértebras ou o ramo de nervos que se estendem para baixo a partir da medula espinhal (cauda equina).

A medula espinhal pode sofrer uma compressão de forma repentina, dando lugar a sintomas que se manifestam no espaço de algumas horas ou dias, ou de forma mais lenta, dando lugar a sintomas que evoluem durante várias semanas ou meses.

Causas

A medula espinhal pode sofrer compressão por:

  • Osso: Se as vértebras estão quebradas (fraturadas), deslocadas ou cresceram de modo anormal (como ocorre na espondilose cervical), pode comprimir a medula espinhal. Vértebras enfraquecidas por câncer ou osteoporose podem quebrar depois de uma leve lesão ou, até, nenhuma.

  • Tecido conectivo: aquele que reveste o canal espinhal geralmente aumenta e endurece ao longo do envelhecimento. Esta alteração estreita o canal espinhal e comprime a medula espinhal. (O canal espinhal é a passagem que leva até o centro da espinha e contém a medula espinhal).

  • Acúmulo de sangue (hematoma): O sangue pode se acumular na medula espinhal ou em volta dela. A causa mais comum de um hematoma espinhal é uma lesão, mas muitas outras condições também podem causá-lo. Essas condições incluem conexões anormais entre os vasos sanguíneos (más-formações arteriovenosas), tumores, distúrbios de sangramento e uso de anticoagulantes (que interferem na coagulação) ou medicamentos trombolíticos (que rompem os coágulos).

  • Tumores: Câncer que se espalhou (sofreu metástase) para a espinha ou o espaço em volta da medula espinhal é a causa comum da compressão. Raramente, um tumor na medula espinhal causa a compressão. O tumor pode ser canceroso ou não.

  • Uma bolsa de pus (abscesso): O pus pode se acumular fora da medula espinhal ou na medula espinhal e comprimi-la, o que é menos comum.

  • Um disco rompido ou com hérnia: Um disco com hérnia pode comprimir as raízes do nervo espinhal (a parte dos nervos próxima à medula espinhal) e, ocasionalmente, na medula em si.

A compressão súbita decorre, em geral, de uma fratura ou de um deslocamento de uma vértebra devido a um trauma. Entretanto, os ossos que enfraqueceram gradualmente (por exemplo, devido a um câncer ou osteoporose) podem fraturar de repente, o que pode causar compressão ou piorá-la repentinamente (veja Fraturas de compressão da coluna). Hematomas, abscessos e discos rompidos podem causar compressão repentina, mas, geralmente, é gradualmente, por dias até semanas. A compressão gradual pode ser resultantes de câncer ou espondilose cervical (degeneração dos discos e vértebras no pescoço - veja Espondilose cervical). A espondilose cervical é a causa mais comum da compressão de desenvolvimento lento (por meses até anos).

O que é a síndrome da cauda equina?

Um ramo de nervos que se estende para baixo, a partir da parte inferior da medula espinhal, até os ossos das vértebras e pelo osso na base da espinha (sacro). Este ramo é chamado de cauda equina, que significa o rabo do cavalo em latim, pois se parece a ele. A cauda equina pode ser comprimida por um disco rompido ou com hérnia, um tumor ou um abscesso. Pode ser danificado por uma lesão ou inchaço, pois fica inflamado (como ocorre na espondilite anquilosante. O conjunto de sintomas que se apresenta toma o nome de síndrome da cauda equina.

Sente-se dor na região lombar, mas a sensação é reduzida nas nádegas, na área genital, bexiga e reto - a área do corpo que tocaria uma sela. Por isso, essa condição é chamada de anestesia em sela. O controle dos músculos e da sensação podem ser prejudicados nas pernas. Podem ocorrer outros sintomas:

  • Resposta sexual reduzida, incluindo disfunção erétil nos homens

  • Retenção de urina

  • Perda do controle da bexiga (incontinência urinária)

  • Perda do controle do intestino (incontinência fecal)

  • Perda dos reflexos no tornozelo

As pessoas que sofrem da síndrome da cauda equina necessitam de assistência médica imediata. Deve-se realizar a cirurgia para aliviar a compressão o mais rápido possível. Geralmente são administrados corticosteroides para reduzir o inchaço.

Sintomas

A compressão leve pode causar sintomas moderados, se interromper apenas alguns impulsos nervosos que sobem e descem da medula espinhal. Esses sintomas podem incluir desconforto ou dor nas costas, leve fraqueza muscular, formigamento, outras alterações na sensação e, nos homens, dificuldade em iniciar e manter uma ereção (disfunção erétil). A dor pode irradiar para uma perna, às vezes, até o pé. Se a causa for um câncer, um abscesso ou hematoma, parte posterior pode ser macio ao toque na área afetada. Às vezes, perde-se a sensação. Pode-se perder os reflexos, incluindo vontade de urinar, ou, se a compressão durar algumas semanas ou mais, podem ser exagerados, chegando a causar, às vezes, espasmos musculares e aumento no suor. Quando a compressão aumenta, os sintomas agravam-se.

A compressão substancial pode obstruir a maioria dos impulsos nervosos, causando fraqueza muscular grave, formigamento, retenção da urina e perda do controle da bexiga e intestino. Se todos os impulsos nervosos forem obstruídos, ocorrem a paralisia e perda completa do sensação. É possível sentir uma faixa de desconforto no nível da compressão da medula espinhal. Assim que a compressão da medula espinhal começa a causar sintomas, a lesão tende a piorar, passando de mínima a grave, de forma imprevisível, mas rápida, no espaço de algumas horas ou dias.

Diagnóstico

Pessoas com sintomas que sugerem a compressão da medula espinhal precisam de atendimento médico imediato, pois o diagnóstico rápido e o tratamento podem reverter a ou diminuir a perda da função.

Visto que a medula espinhal se encontra organizada de forma específica, o médico pode determinar a zona afetada em função dos sintomas e dos resultados obtidos no exame físico. Por exemplo, se as pernas (mas não os braços) se encontram enfraquecidas e entorpecidas e as funções intestinal e urinária deterioradas, a zona da coluna vertebral no meio do tórax (torácica) pode estar lesionada. A localização da dor ou a sensibilidade ao longo da coluna vertebral ajudam igualmente o médico a determinar o local onde ocorreu a lesão.

É realizada uma ressonância magnética (RM) imediatamente. Ou se recorre à mielografia com tomografia computadorizada (TC), quando a RM não está disponível. Esses exames geralmente mostram onde a medula espinhal está comprimida e pode indicar a causa. Esses exames conseguem detectar uma fratura ou um deslocamento de uma vértebra, uma hérnia discal, um crescimento ósseo anômalo, uma zona de hemorragia, um abscesso ou um tumor. A mielografia com TC envolve fazer a TC da coluna espinhal, depois é realizada uma punção lombar para injetar uma pequena quantidade de contraste radiopaco no espaço em volta da medula. Por isso, os médicos podem determinar se a compressão obstrui completamente o fluxo normal do líquido cerebroespinhal por este espaço.

Também é possível tirar radiografias para ver se há fratura ou deslocamento devido à lesão. As radiografias proporcionam informações rapidamente, permitindo que os médicos avaliem o problema depressa.

A causa da compressão pode ser confirmada durante a cirurgia para aliviar a pressão da medula espinhal.

Se a RM ou a mielografia com TC detectar uma massa anormal não identificável que causa compressão, primeiramente os médicos decidem se é preciso remover ou não. Se não, os médicos geralmente fazem uma biópsia. É possível remover uma amostra do tecido para exames ao inserir uma agulha na massa (geralmente conduzida pela TC) ou, às vezes, com um procedimento cirúrgico.

Tratamento

Se a perda da função for parcial ou bem recente (geralmente quando a compressão ocorre de repente), a compressão deve ser aliviada imediatamente. Quando a compressão é detectada e tratada rapidamente, antes da destruição das vias de condução nervosa, o tratamento pode evitar lesão permanente à medula espinhal e a função tende a ser recuperada na totalidade. Geralmente, a cirurgia é necessária para aliviar a compressão. A cirurgia também pode ser necessária para inserir hastes de aço e, assim, estabilizar a espinha.

O tratamento é variável e depende da causa.

Se a causa for câncer, o tratamento geralmente inclui cirurgia e/ou radioterapia.

Para certas doenças (como tumores e, possivelmente, lesão contusa), são administradas intravenosamente altas doses de corticosteroides, como dexametasona ou metilprednisolona. Os corticosteroides podem reduzir inchaços na medula espinhal ou em volta dela, que podem contribuir para a compressão. Imediatamente depois que os corticosteroides são administrados, os tumores são extraídos cirurgicamente e/ou tratados com radioterapia.

Se um abscesso causar sintomas de disfunção da medula espinhal (como paralisia e perda de controle da bexiga e do intestino), um neurocirurgião remove o abscesso cirurgicamente o mais rápido possível. Administram-se também antibióticos. Se os sintomas da disfunção da medula espinhal não se desenvolveram, talvez seja necessário retirar o pus por uma agulha, administrar antibiótico ou ambos.

Se a causa for um hematoma, o sangue acumulado será drenado imediatamente por cirurgia. No caso das pessoas que sofram alguma doença hemorrágica ou estejam tomando anticoagulantes, são prescritas injeções de vitamina K e transfusões de plasma para eliminar ou reduzir a tendência ao sangramento.

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