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Diarreia em adultos

Por Norton J. Greenberger, MD, Harvard Medical School;Brigham and Women's Hospital

A diarreia consiste no aumento de volume, fluidez ou frequência das defecações. Entretanto, a frequência da defecação por si só não é a característica que define a diarreia. Algumas pessoas defecam normalmente de três a cinco vezes por dia. As pessoas que ingerem grandes quantidades de fibra vegetal podem produzir mais de meio quilograma de fezes por dia, mas, nesses casos, as fezes são bem formadas e não são líquidas. A diarreia é geralmente acompanhada por gases, cólica, urgência em defecar e, se for causada por um organismo infeccioso ou uma substância tóxica, náusea e vômito.

Complicações

A diarreia pode provocar desidratação e perda de eletrólitos do sangue, como o sódio, potássio, magnésio, cloro e bicarbonato. Caso sejam perdidas grandes quantidades de líquido e eletrólitos, a pressão arterial pode baixar ao ponto de provocar desmaio (síncope), anomalias do ritmo cardíaco (arritmias) e outros distúrbios graves. Esse risco é mais provável em crianças muito novas, idosos, pessoas debilitadas e pessoas com diarreia muito grave.

Causas

Há muitas causas diferentes, dependendo do tempo de duração da diarreia ( Algumas causas e características da diarreia).

As causas mais comuns de diarreia aguda (duração de menos de uma semana) são

  • Infecção por vírus, bactérias ou parasitas (gastroenterite — Gastroenterite)

  • Intoxicação alimentar

  • Efeitos colaterais de medicamentos

As causas mais comuns de diarreia crônica (duração de mais de quatro semanas) são

  • Síndrome do intestino irritável

  • Doença inflamatória intestinal

  • Efeitos colaterais de medicamentos

  • Uso recente de antibióticos (causando infecção por Clostridium difficile)

Diarreia presente por uma a quatro semanas pode ser um caso duradouro de diarreia aguda ou o estágio inicial de um distúrbio que causa diarreia crônica.

Classificação

Normalmente, 60% a 90% das fezes são água. A diarreia ocorre quando não é removida água suficiente das fezes, fazendo com que as fezes fiquem pouco consistentes e mal formadas. As fezes podem conter muita água se

  • Passarem muito rapidamente pelo trato digestivo

  • Contiverem certas substâncias que impedem a absorção de água pelo intestino grosso

  • Contiverem excesso de água secretada pelos intestinos

A passagem (trânsito) rápidas das fezes é uma das causas mais frequentes de diarreia. Para que as fezes tenham uma consistência normal, deverão permanecer no intestino grosso durante um determinado período de tempo. As fezes que saem do intestino grosso muito rápido são aquosas. Muitas condições e tratamentos médicos podem reduzir o período em que as fezes ficam no intestino grosso. Estas condições incluem tireoide hiperativa (hipertireoidismo); síndrome de Zollinger-Ellison (uma condição de super produção de ácido por um tumor); remoção cirúrgica de parte do estômago, intestino delgado ou grosso; derivação cirúrgica de parte do intestino; doença inflamatória intestinal (como colite ulcerativa); e uso de medicamentos, como antiácidos contendo magnésio, laxantes, prostaglandinas, serotonina e até mesmo cafeína. Muitos alimentos, especialmente os ácidos ou com quantidade muito alta de açúcar (como waffle ou xarope de bordo), podem aumentar a taxa de trânsito. Algumas pessoas não toleram alimentos específicos e sempre desenvolvem diarreia depois de os consumir. O estresse e a ansiedade também são causas comuns.

A diarreia osmótica ocorre quando certas substâncias que não podem ser absorvidas pela parede do cólon permanecem no intestino. Essas substâncias fazem com que uma quantidade excessiva de água permaneça nas fezes, causando diarreia. Alguns alimentos (como certas frutas e leguminosas) e substitutos do açúcar em alguns alimentos, doces e chicletes dietéticos (como hexitol, sorbitol e manitol) podem causar diarreia osmótica. A deficiência de lactase também pode causar diarreia osmótica. A lactase é uma enzima que normalmente se encontra no intestino e converte a lactose (açúcar do leite) em glicose e lactose, de modo que possam ser absorvidas pela corrente sanguínea. Quando as pessoas com deficiência de lactose bebem leite ou consomem laticínios, a lactose não é digerida. À medida que a lactose se acumula no intestino, causa diarreia osmótica — uma condição conhecida como intolerância à lactose. A gravidade da diarreia osmótica depende da quantidade de substância osmótica consumida. A diarreia cessa logo que se deixe de beber ou comer a substância. O sangue presente no trato digestivo também atua como agente osmótico e resulta em fezes negras tipo alcatrão (melena). Outra causa de diarreia osmótica é um crescimento excessivo de bactérias intestinais ou de bactérias que normalmente não são encontradas nos intestinos. Os antibióticos podem causar diarreia osmótica ao destruírem as bactérias intestinais normais.

A diarreia secretora ocorre quando os intestinos delgado e grosso secretam sais (especialmente cloreto de sódio) e água nas fezes. Certas toxinas, como a toxina produzida durante uma infecção de cólera ou durante algumas infecções virais, podem causar essas secreções. As infecções por certas bactérias (por exemplo, Campylobacter) e parasitas (como Cryptosporidium) podem estimular as secreções. A diarreia pode ser intensa, com evacuação de mais de um litro de fezes por hora em casos de cólera. Outras substâncias que causam a secreção de água e sais incluem determinados laxantes, como o óleo de rícino e os ácidos biliares (que podem se acumular no cólon após cirurgia de remoção de parte do intestino delgado). Certos tumores pouco frequentes — como o carcinoide, gastrinoma e vipoma — também podem causar diarreia secretora, assim como alguns pólipos.

A diarreia exsudativa ocorre quando o revestimento do intestino grosso se inflama, apresenta ulceração ou se congestiona e libera proteínas, sangue, muco e outros líquidos, aumentando o volume e o conteúdo líquido das fezes. Esse tipo de diarreia origina-se a partir de diversas doenças, como colite ulcerativa, doença de Crohn, tuberculose e câncer, como o linfoma e o adenocarcinoma. Quando o revestimento do reto é afetado, as pessoas tendem a sentir urgência em defecar e o fazem frequentemente, pois o reto inflamado é mais sensível à expansão (distensão) provocada pelas fezes.

Alimentos e bebidas que podem causar diarreia

Alimentos ou bebidas

Ingrediente que causa diarreia

Goma de mascar e balas sem açúcar, cerejas doces ou ameixas

Hexitol, sorbitol ou manitol

Suco de maçã, suco de pera, uvas, mel, tâmaras, castanhas, figos, refrigerantes (especialmente com sabor de fruta), ameixas, waffle ou xarope de bordo

Frutose

Leite, sorvete, iogurte ou queijo cremoso

Lactose

Café, chá, refrigerantes à base de cola ou remédios para dor de cabeça de venda livre

Cafeína

Certas batatas fritas ou sorvete sem gordura

Olestra

Avaliação

Nem todo episódio de diarreia requer avaliação imediata por um médico. As informações a seguir podem ajudar as pessoas a decidirem se é necessária uma consulta médica e a saberem o que esperar dessa consulta.

Sinais de alerta

Certos achados levantam a suspeita de uma causa mais séria de diarreia.

  • Sangue ou pus nas fezes

  • Febre

  • Sinais de desidratação (como micção reduzida, letargia ou apatia, sede extrema e boca seca)

  • Diarreia crônica

  • Diarreia noturna

  • Perda de peso

Quando consultar um médico

Pessoas apresentando sinais de alerta, como sangue ou pus nas fezes, febre ou sinais de desidratação, devem consultar um médico imediatamente, assim como aquelas com dor abdominal significativa. Algumas pessoas podem precisar de exames e tratamento imediatos e, às vezes, de hospitalização. Se os únicos sinais de alerta forem perda de peso ou diarreia crônica ou noturna, as pessoas devem consultar um médico em até aproximadamente uma semana. As pessoas sem sinais de alerta devem ligar para seu médico se a diarreia durar mais de 72 horas. Dependendo dos outros sintomas da pessoa, bem com de sua idade e histórico médico, o médico pode recomendar que a pessoa faça exames ou tente tratamentos caseiros ou com medicamentos de venda livre ( Tratamento).

O que o médico faz

Primeiro, os médicos fazem perguntas sobre os sintomas e o histórico médico da pessoa. Em seguida, os médicos fazem um exame físico. O que eles encontram durante a avaliação do histórico e o exame físico geralmente sugere uma causa para a diarreia e podem ser necessários testes ( Algumas causas e características da diarreia).

O médico começa perguntando sobre a duração e a gravidade da diarreia. A ocorrência simultânea de diarreia em amigos, familiares ou outros contatos pessoais é indagada. Outras questões importantes enfocam

  • As circunstâncias em que a diarreia começou (incluindo viagens recentes, alimentos ingeridos e fontes de água)

  • Uso de medicamentos (incluindo antibióticos nos últimos três meses)

  • Dor abdominal ou vômitos

  • Frequência e horário das defecações

  • Mudanças nas características das fezes (por exemplo, presença de sangue, pus ou muco e alteração na cor e consistência)

  • Mudanças no peso ou no apetite

  • Sensação de necessidade urgente de defecar ou defecar constantemente

O exame físico começa com a avaliação, pelo médico, da condição da pessoa com respeito aos fluidos e hidratação. É realizado um exame completo do abdome, assim como exame retal digital, para identificar a presença de sangue.

Algumas causas e características da diarreia

Causa

Características comuns*

Exames

Aguda (menos de uma semana)

Gastroenterite devido a vírus, bactéria ou parasitas

Com frequência há vômito

Raramente há febre ou sangue nas fezes

Pouca ou nenhuma dor abdominal (exceto ao vomitar)

Às vezes, contato recente com pessoas infectadas (como aquelas em centros de tratamento ambulatorial, acampamentos ou cruzeiros), com animais em um zoológico (onde Escherichia [E.] coli pode ser adquirida) ou com répteis (onde a bactéria Salmonella pode ser adquirida)

Às vezes, consumo recente de alimentos mal cozidos e contaminados ou água contaminada

Exame médico

Às vezes, exame físico e de fezes

Intoxicação alimentar

Diarreia que começou subitamente, geralmente com vômito, em até quatro a oito horas após a ingestão alimentos contaminados

Geralmente presente em outras pessoas

Normalmente com duração de 12 a 24 horas

Exame médico

Efeitos colaterais de medicamentos (incluindo antibióticos, diversos medicamentos quimioterápicos para câncer, colchicina e quinino/quinidino)

Uso recente de medicamento que causa diarreia

Frequentemente não há outros sintomas

Exame médico

Às vezes, testes para verificação da presença da toxina da Clostridium difficile nas fezes

Crônica (quatro semanas ou mais)

Fatores alimentares, como

  • Intolerância ao leite de vaca

  • Excesso de ingestão de certas frutas ou sucos (como pera, maçã ou ameixa)

Diarreia apenas após consumir uma substância que poderia causar diarreia

Inchaço abdominal e passagem de gás (flatulência)

Diarreia explosiva

Exame médico

Às vezes, um exame respiratório para detectar hidrogênio, indicando alimentos não digeridos

Exame e análise das fezes para verificação de carboidratos não absorvidos

Síndrome do intestino irritável

Diarreia intermitente, geralmente precedida por desconforto, inchaço ou dor abdominal

Geralmente diarreia alternando com constipação

Ausência de hemorragia, perda de peso ou febre

Geralmente começa na adolescência ou por volta dos 20 anos

Sintomas geralmente presentes por mais de 12 semanas

Mudanças na frequência da defecação ou na consistência das fezes

Exame médico

Às vezes, exames de sangue e colonoscopia

Doença inflamatória intestinal, como

  • Doença de Crohn

  • Colite ulcerativa

Sangue nas fezes, cólica abdominal, perda de peso e perda de apetite

Alguma vezes, artrite, erupções cutâneas, feridas na boca e rupturas no reto

Colonoscopia

Às vezes, TC ou radiografia após inserção de bário no reto (enema de bário)

Distúrbios de absorção inadequada, como

  • Doença celíaca

  • Espru tropical

  • Insuficiência pancreática

Fezes de cor clara, moles, volumosas e de odor incomumente ruim que podem parecer oleosas

Inchaço abdominal e flatulência

Perda de peso

Para espru tropical, residência por longo período (mais de um mês) em um país tropical.

Para insuficiência pancreática, geralmente em uma pessoa com diagnóstico de distúrbio do pâncreas (como pancreatite crônica ou fibrose cística)

Exames para medir a quantidade de gordura em amostras de fezes coletadas ao longo de vários dias

Em caso de suspeita de doença celíaca, exames de sangue para medir níveis de anticorpos produzidos quando as pessoas com a doença celíaca ingerem alimentos contendo glúten

Para doença celíaca e espru tropical, especialmente doença celíaca, biópsia do intestino delgado

Certos tumores

  • Câncer de cólon ou adenoma viloso

  • Tumores endócrinos (como vipoma, gastrinoma, carcinoide, mastocitose ou carcinoma medular da tireoide)

  • Linfoma

Para câncer de cólon, algumas vezes sangue nas fezes, diâmetro reduzido das fezes e perda de peso

Para tumores endócrinos, vários sintomas, incluindo dor abdominal ou cólica, vermelhidão e diarreia aquosa intensa

Exames de sangue

Colonoscopia

Hipertireoidismo

Geralmente nervosismo, fadiga, palpitações, perda de peso e frequência cardíaca rápida

Exames de sangue

Cirurgia no estômago ou intestinos (como derivação gástrica para perda de peso ou retirada de parte significativa do intestino)

Cirurgia recente óbvia

Exame médico

*As características incluem sintomas e resultados de exame médico. As características mencionadas são típicas, mas nem sempre estão presentes.

Diarreia presente por uma a quatro semanas pode ser um caso duradouro de diarreia aguda ou o estágio inicial de um distúrbio que causa diarreia crônica.

Certas infecções e medicamentos também podem causar diarreia crônica.

TC = tomografia computadorizada; HIV = vírus da imunodeficiência humana.

Exames

A necessidade de exames depende do que o médico encontra durante a avaliação do histórico e o exame físico ( Algumas causas e características da diarreia). A diarreia aquosa aguda (duração de menos de quatro dias) sem sinais de alerta geralmente é causada por uma infecção viral, sendo que pessoas que pareçam estar bem no demais não necessitam exames. Pessoas com sinais de alerta de desidratação, sangue nas fezes, febre ou dor abdominal grave geralmente precisam de exames — especialmente as que são muito jovens ou idosas. Nessas pessoas, os médicos realizam exames de sangue para detectar anomalias no sangue e nos eletrólitos, bem como exame de fezes para detectar sangue, leucócitos e a presença de organismos infecciosos (como Campylobacter, Yersinia, amebas, Giardia e Cryptosporidium). Algumas causas de infecção são detectadas através de observação em microscópio, enquanto outras requerem cultura (crescimento do organismo em laboratório) ou testes enzimáticos especiais (por exemplo, Shigella ou Giardia). Se a pessoa tomou antibióticos nos últimos dois a três meses, o médico pode pedir exame de fezes para identificar a toxina Clostridium difficile. Uma colonoscopia geralmente não é necessária.

Exames similares são realizados para diarreia com duração de mais de quatro semanas (ou mais de uma semana, para pessoas com sistema imunológico enfraquecido ou que pareçam seriamente doentes). Além disso, o médico pode examinar as fezes para identificar gordura (o que indica má absorção) e realizar uma colonoscopia para examinar o revestimento do reto e do cólon, além de coletar amostras para identificar infecções. Pessoas cujos sintomas pareçam relacionados a alimentação podem fazer um teste respiratório para identificar hidrogênio, o que sugere que elas não estão absorvendo carboidratos. Realiza-se, às vezes, uma biópsia (extração de um espécime do tecido para exame microscópio) do revestimento retal, para identificar doença inflamatória intestinal. Algumas vezes, determina-se o volume das fezes em um período de 24 horas. Exames de imagens, como a enterografia por tomografia computadorizada (TC), podem ser necessários se o médico suspeitar de certos tumores. Se os médicos ainda não tiverem certeza do diagnóstico, pode ser preciso avaliar o funcionamento do pâncreas. Dependendo dos sintomas da pessoa, os médicos também podem realizar testes para identificar doença na tireoide ou adrenal.

Tratamento

O tratamento é direcionado à causa da diarreia, quando possível. Por exemplo, causas alimentares e medicamentosas são evitadas, tumores são removidos e medicamentos são receitados para erradicar uma infecção parasítica. Porém, em muitos casos, o corpo se cura sozinho. Uma causa viral é, geralmente, solucionada espontaneamente em 24 a 48 horas.

Desidratação

Fluidos extras, contendo uma combinação de água, açúcares e sais, são necessários para pessoas desidratadas. Desde que a pessoa não esteja vomitando excessivamente, esses fluidos podem ser administrados por via oral (veja Desidratação : Tratamento). Pessoas seriamente doentes e aquelas com anormalidades de eletrólitos significativas requerem fluidos por via intravenosa e, às vezes, hospitalização.

Medicamentos

Medicamentos que relaxem os músculos intestinais (medicamentos antidiarreicos) podem ajudar a reduzir os sintomas. Loperamida está disponível para venda livre. Opioides, como codeína, difenoxilato e paregórico (tintura de ópio) estão disponíveis com receita médica e também são úteis. Porém, certas causas bacterianas de gastroenterite, especialmente Salmonella, Shigella e Clostridium difficile, podem piorar com medicamentos antidiarreicos. Os médicos geralmente recomendam medicamentos antidiarreicos apenas para pessoas com diarreia aquosa e sem sinais de alerta, porque tais pessoas têm menor probabilidade de terem tais infecções bacterianas.

Os medicamentos de venda livre incluem adsorventes (por exemplo, caulino e pectina), que aderem aos produtos químicos, toxinas e microrganismos infecciosos. Alguns adsorventes também ajudam a endurecer as fezes. O bismuto é eficaz em muitos casos de diarreia. Ele tem o efeito colateral normal de escurecer as fezes. Os agentes de volume utilizados para constipação crônica, como psílio ou metilcelulose, podem, às vezes, ajudar a aliviar a diarreia crônica.

Pontos importantes

  • Em pessoas com diarreia aguda, os médicos examinam as fezes apenas se suspeitarem de que elas têm uma infecção aguda ou se elas tiverem sintomas prolongados (ou seja, por mais de uma semana) ou sinais de alerta.

  • Os médicos evitam usar medicamentos antidiarreicos se houver a possibilidade de a pessoa ter Clostridium difficile, Salmonella ou Shigella.

Recursos neste artigo