Não encontrado
Locais

Encontre informações sobre assuntos médicos, sintomas, medicamentos, procedimento, noticias e mais, redigidas em linguagem simples.

Toxicidade e deficiência de cobre

Por Larry E. Johnson, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences;Central Arkansas Veterans Healthcare System

A maior parte do cobre do organismo está localizada no fígado, nos ossos e nos músculos, mas existem vestígios de cobre em todos os tecidos. O fígado excreta o excesso de cobre na bile para ser eliminado do organismo. O cobre é um componente de muitas enzimas, incluindo aquelas que são necessárias para:

  • A produção de energia

  • A formação de células vermelhas do sangue, dos ossos ou do tecido conjuntivo (que une outros tecidos e órgãos)

  • Ação antioxidantes (ajuda a proteger as células contra danos causados pelos radicais livres, que são subprodutos reativos da atividade celular normal).

Doença de Wilson

Na doença de Wilson, uma rara doença hereditária, o fígado não excreta o excesso de cobre na bile, como faz normalmente, resultando em um acúmulo de cobre no fígado, causando-lhe danos.

  • O cobre se acumula no fígado, no cérebro, nos olhos e em outros órgãos.

  • Pessoas com a doença de Wilson podem apresentar tremores, dificuldade para falar e engolir, problemas com a coordenação, mudanças de personalidade ou hepatite.

  • Exames de sangue e nos olhos ajudam a confirmar o diagnóstico.

  • As pessoas devem tomar medicamentos para remover o cobre e devem evitar alimentos ricos em cobre para o resto da vida.

Uma vez que o fígado não excreta o excesso de cobre, o cobre se acumula no fígado e o danifica, causando cirrose. O fígado lesionado libera o cobre diretamente na corrente sanguínea, levando-o para outros órgãos, como o cérebro, rins e os olhos, onde também se acumula.

Sintomas

Os sintomas geralmente surgem entre os 5 e os 35 anos, mas podem surgir a qualquer momento, dos 2 aos 72 anos. Em quase metade das pessoas afetadas, os primeiros sintomas resultam de danos cerebrais. Dentre estes incluem-se tremores, dificuldade em falar e engolir, salivação, descoordenação, movimentos involuntários (coreia), alterações na personalidade e até mesmo psicose (como a esquizofrenia ou a doença maníaco-depressiva). Na maioria dos demais pacientes, os primeiros sintomas são o resultado de lesões hepáticas, que causam hepatite e, por consequência, cirrose.

Anéis dourados ou esverdeados (anéis de Kayser-Fleischer) podem aparecer ao redor da íris (a parte colorida do olho). Esses anéis se desenvolvem quando o cobre se acumula. Em algumas pessoas, esses anéis são o primeiro sinal da doença de Wilson.

As pessoas podem apresentar anemia devido à ruptura dos glóbulos vermelhos (causando anemia hemolítica). As mulheres podem não apresentar períodos menstruais ou ter abortos repetidos.

Você sabia que...

  • Anéis dourados esverdeados ao redor da íris dos olhos pode ser um sinal de doença de Wilson.

Diagnóstico

Os médicos suspeitam da doença de Wilson com base nos sintomas, tais como hepatite, tremores e alterações de personalidade, que não possuem outra causa óbvia. Os seguintes exames ajudam a confirmar o diagnóstico:

  • Exame de lâmpada de fenda dos olhos para anéis de Kayser-Fleischer

  • Exames de sangue para medir os níveis de cobre e proteínas de cobre

  • Medição do cobre excretado na urina

  • Se o diagnóstico ainda for incerto, uma biópsia do fígado

Se a criança tiver histórico familiar da doença, os exames são feitos após 1 ano de idade. É provável que exames feitos mais cedo não detectem a doença.

Tratamento

Pessoas com essa doença devem seguir uma dieta pobre em cobre. Os alimentos que devem ser evitados incluem fígado bovino, caju, feijão fradinho, sucos de vegetais, crustáceos, cogumelos e cacau.

Medicamentos que se ligam ao cobre, tais como penicilamina ou trientina, ingeridos por via oral, são usados para remover o cobre acumulado. Suplementos de zinco podem evitar que o corpo absorva cobre e são usados se a penicilamina ou a trientina forem ineficazes ou apresentarem muitos efeitos colaterais. O zinco não deve ser ingerido dentro de 2 horas da ingestão de penicilamina ou de trientina, pois pode se ligar a essas drogas e torná-las ineficazes. Para o resto da sua vida, as pessoas com doença de Wilson devem tomar penicilamina, trientina, zinco ou uma combinação.

Sem tratamento para o resto da vida, a doença de Wilson é fatal. Com o tratamento, as pessoas geralmente ficam bem, a menos que a doença esteja avançada quando foi diagnosticada.

As pessoas que não tomam os medicamentos da forma prescrita, sobretudo os jovens, podem desenvolver insuficiência hepática.

Os médicos recomendam que as pessoas portadoras dessa doença visitem um especialista em doenças hepáticas regularmente.

Um transplante de fígado pode curar a doença e pode salvar a vida de pessoas portadoras da doença de Wilson e de insuficiência hepática grave ou problemas hepáticos graves que não respondem ao tratamento medicamentoso.

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre é rara nas pessoas saudáveis. É mais comum em lactentes prematuros, nos que estão se recuperando de desnutrição grave ou nos que sofrem de uma diarreia persistente. Um distúrbio grave que altera a absorção de nutrientes (como a doença celíaca, a doença de Crohn, a fibrose cística ou a psilose) ou a cirurgia de perda de peso (bariátrica) pode causar essa deficiência. O consumo de muito zinco pode reduzir a absorção de cobre, causando uma deficiência. Alguns lactentes do sexo masculino herdam uma anomalia genética que causa deficiência de cobre. Este transtorno é chamado de síndrome de Menkes.

Os sintomas da deficiência de cobre incluem fadiga, anemia e um número reduzido de glóbulos brancos. Às vezes, há surgimento de osteoporose ou danos aos nervos. Dano aos nervos podem causar formigamento e perda de sensibilidade nos pés e nas mãos. Pode haver fraqueza muscular. Algumas pessoas sentem confusão, irritabilidade e depressão leve. A coordenação é prejudicada.

A síndrome de Menkes provoca deficiência intelectual severa, vômitos e diarreia. A pele não tem pigmentação, e o cabelo é ralo, com aspecto de palha de aço ou enroscado. Os ossos podem ser fracos e mal formados, e as artérias são frágeis, às vezes se rompendo.

O diagnóstico de deficiência de cobre geralmente baseia-se nos sintomas e numa análise do sangue que detecta baixos níveis de cobre e ceruloplasmina (proteína transportadora de cobre). Quando os lactentes apresentam fatores de risco para a síndrome de Menkes (como um membro da família com o transtorno), os médicos podem fazer exames de sangue para verificar se o transtorno existe. O diagnóstico e o tratamento precoce parecem obter melhores resultados.

A causa é tratada, e um suplemento de cobre é administrado por via oral. No caso de lactentes com síndrome de Menkes, o cobre é injetado sob a pele (via subcutânea).

Toxicidade do Cobre

O consumo excessivo de cobre é raro. As pessoas podem consumir pequenas quantidades de cobre em excesso em alimentos ácidos ou bebidas acondicionadas em recipientes, canos ou válvulas de cobre por muito tempo. O consumo de quantidades bem pequenas de cobre pode provocar náuseas, vômitos e diarreias. Grandes quantidades, geralmente ingeridas por pessoas que pretendem cometer suicídio, podem danificar os rins, inibir a produção de urina e causar anemia devido à destruição de eritrócitos (anemia hemolítica), podendo até levar à morte. Danos ao fígado ou cirrose raramente ocorre em crianças. Isso resulta, provavelmente, de beber leite que tenha sido fervido ou armazenado em recipientes corroídos feitos de cobre ou latão.

Os médicos medem os níveis de cobre e ceruloplasmina no sangue ou na urina. No entanto, uma biópsia do fígado geralmente é necessária para o diagnóstico, a menos que grandes quantidades de cobre tenham sido consumidas.

Se grandes quantidades de cobre foram consumidas, é feita uma lavagem estomacal. Se a toxicidade do cobre tiver causado problemas como anemia ou danificado os rins ou o fígado, é injetado dimercaprol em um músculo, ou uma droga que se liga ao cobre, tal como a penicilamina, é administrada para remover o excesso de cobre. Crianças com danos no fígado são tratadas com penicilamina.

Se usada no início, uma hemodiálise (um procedimento que filtra o sangue) pode ser eficaz.

Ocasionalmente, o óbito ocorre apesar do tratamento.

Recursos neste artigo