Não encontrado
Locais

Encontre informações sobre assuntos médicos, sintomas, medicamentos, procedimento, noticias e mais, redigidas para profissionais da saúde.

Visão geral das infecções fúngicas

Por Sanjay G. Revankar, MD, Wayne State University School of Medicine ; Jack D. Sobel, MD, Wayne State University School of Medicine

Clique aqui para acessar
Educação para o paciente

As infecções fúngicas costumam ser classificadas em primárias ou oportunistas. As oportunistas são as que se desenvolvem principalmente em hospedeiros imunocomprometidos; as infecções primárias podem se desenvolver em hospedeiros imunocompetentes. As infecções fúngicas podem ser sistêmicas ou locais. Infecções fúngicas locais de pele ( Infecções fúngicas da pele), boca ( Estomatite) e vagina ( Vaginite por cândida) ocorrem em hospedeiros normais ou imunocomprometidos.

Infecções fúngicas oportunistas

Muitos fungos são oportunistas e não são em geral patogênicos, exceto em um hospedeiro comprometido. Causas de imunidade comprometida incluem AIDS, azotemia, diabetes melito, bronquiectasias, enfisemas, tuberculose, linfoma, leucemia, outras malignidades hematológicas, queimaduras e terapia com corticoides, imunossupressores, ou antimetabólitos. Os pacientes que passam muitos dias na unidade de terapia intensiva (UTI) podem ser comprometidos por causa dos procedimentos médicos, de distúrbios indeterminados e da subnutrição.

Típicas infecções fúngicas sistêmicas oportunistas (micoses) incluem

  • Candidíase

  • Aspergilose

  • Mucormicose (zigomicose)

  • Fusariose

Micoses sistêmicas que afetam gravemente pacientes imunocomprometidos com frequência têm apresentações agudas com pneumonias rapidamente progressivas, fungemia, ou manifestações de disseminação extrapulmonar.

Infecções fúngicas primárias

Essas infecções normalmente resultam da inalação de esporos fúngicos, que podem provocar pneumonia localizada como a primeira manifestação da infecção. Em pacientes imunocompetentes, micoses sistêmicas tipicamente apresentam um curso crônico; micoses disseminadas com pneumonia e septicemia são raras e, caso se desenvolvam lesões pulmonares, estas em geral progridem de maneira lenta. Meses ou anos podem decorrer antes que um serviço médico seja procurado ou um diagnóstico seja feito. Os sintomas raramente são intensos em tais micoses crônicas, mas febre, calafrios, suores noturnos, anorexia, perda de peso, mal-estar e depressão podem ocorrer. Diversos órgãos podem ser infectados, provocando sintomas e disfunção.

Infecções fúngicas primárias podem ter uma distribuição geográfica característica, o que é especialmente verdade no caso das micoses endêmicas causadas por determinados fungos dimorfos. Por exemplo

  • Coccidioidomicose: é limitada principalmente ao sudoeste dos Estados Unidos e ao norte do México

  • Histoplasmose: ocorre principalmente no leste e no meio-oeste dos Estados Unidos

  • Blastomicose: é restringida à América do Norte e à África

  • Paracoccidioidomicose (anteriormente, blastomicose sul-americana): é limitada à América do Sul

Porém, viajantes podem manifestar a doença a qualquer momento após retornarem de áreas endêmicas.

Quando um fungo se dissemina de um foco primário no pulmão, as manifestações podem ser características, como por exemplo:

  • Criptococose: normalmente se apresenta como uma meningite crônica

  • Histoplasmose disseminada progressiva: envolvimento generalizado do sistema reticuloendotelial (fígado, baço, medula óssea)

  • Blastomicose: lesões cutâneas únicas ou múltiplas, ou comprometimento da próstata

Diagnóstico

  • Culturas e colorações (tipicamente para fungos e micobactérias)

  • Algumas vezes, sorologias (principalmente para Aspergillus, Candida, Coccidioides e Cryptococcus)

  • Raramente biopsia

Se os médicos suspeitarem de uma infecção fúngica primária aguda ou crônica, devem obter um histórico detalhado de viagem e moradia a fim de determinar se os pacientes foram expostos a certas micoses endêmicas, talvez anos antes.

Infecções fúngicas pulmonares devem ser diferenciadas de tuberculose, tumores e pneumonias crônicas causados por microrganismos não fúngicos. Amostras são obtidas para cultura de fungos e bacilos ácido-resistentes e para histopatologia. Amostras de escarros podem ser adequadas, mas ocasionalmente podem ser necessárias lavagem broncoalveolar, biopsia transtorácica por agulha, ou até cirurgia para se obter uma amostra aceitável.

Infecções fúngicas são imediatamente reconhecidas pela aparência histopatológica. Porém, a identificação dos microrganismos específicos pode ser difícil e geralmente requer cultura fúngica. O significado clínico de culturas positivas de escarro pode não ser evidente se mostrarem microrganismos comensais (p. ex., Candida albicans) ou aqueles predominantes no ambiente (p. ex., Aspergillus sp.). Portanto, é necessário um indício de invasão tecidual para o diagnóstico de candidíase, aspergilose, ou outras infecções fúngicas oportunistas (p. ex., fusariose, pseudoalesqueriose) porque esses fungos podem não estar provocando os sintomas.

Testes sorológicos podem ser usados no caso de muitas micoses sistêmicas se histopatologia e cultura forem indisponíveis ou não reveladas, embora poucos diagnósticos definitivos sejam obtidos. Ensaios particularmente úteis incluem:

  • Aqueles que medem produtos antigênicos de microrganismos específicos, mais notavelmente Cryptococcus neoformans, Histoplasma capsulatum e Aspergillus sp

  • Os que dosam o histoplasma na urina para o diagnóstico da histoplasmose

  • Reações de fixação complementar para anticorpos anticoccidioides são satisfatoriamente específicos e não requerem prova de níveis de ascensão (títulos altos confirmam o diagnóstico e indicam alto risco de disseminação extrapulmonar)

  • Nas meningites crônicas, uma fixação de complemento positiva para anticorpos anticoccidioides no líquido cefalorraquidiano (LCR) provê frequentemente a única indicação para terapia antifúgica agressiva

A maioria dos outros testes para anticorpos antifúngicos possui baixa sensibilidade e/ou especificidade, não sendo úteis para orientar a terapia inicial, uma vez que a medida dos títulos agudos e convalescentes é necessária.