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Polineuropatia

Por Michael Rubin, MDCM, Professor of Clinical Neurology;Attending Neurologist and Director, Neuromuscular Service and EMG Laboratory, Weill Cornell Medical College;New York Presbyterian Hospital-Cornell Medical Center

A polineuropatia é uma disfunção simultânea de vários nervos periféricos, em qualquer lugar do organismo.

  • Infecções, toxinas, medicamentos, câncer, deficiências nutricionais e outras doenças podem fazer muitos nervos periféricos funcionarem incorretamente.

  • A sensação, força, ou os dois, podem ser prejudicadas, geralmente, nos pés ou nas mãos antes dos braços, das pernas ou do tronco.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico em resultados de eletromiografia, estudos de condução nervosa e exames de sangue e urina.

  • Se o tratamento da doença subjacente não aliviar os sintomas, é possível usar fisioterapia, medicamentos e outras medidas que possam ajudar.

Polineuropatia pode ser

  • Aguda (iniciando-se repentinamente)
  • Crônica (desenvolvendo-se gradualmente, frequentemente por meses ou anos)

Causas

A polineuropatia aguda tem muitas causas:

  • Infecções envolvendo uma toxina produzida por bactéria, como ocorre na difteria.

  • Uma reação autoimune (quando o corpo ataca o próprio tecido), como ocorre na síndrome de Guillain-Barré ( Síndrome de Guillain-Barré).

  • Os medicamentos, incluindo o anticonvulsivante fenitoína, alguns antibióticos (como o cloranfenicol, a nitrofurantoína e as sulfonamidas), alguns medicamentos quimioterápicos (como a vimblastina e a vincristina) e alguns sedativos (como o barbital e o hexobarbital).

  • Câncer (como mieloma múltiplo), que lesiona os nervos ao invadi-los diretamente ou colocar pressão ou ao desencadear uma reação autoimune.

  • Certas toxinas, como inseticidas organofosforados, fosfato de tricresilo (triorthocresyl phosphate, TOCP) e tálio

A causa da polineuropatia crônica é, muitas vezes, desconhecida. As causas conhecidas incluem:

  • Diabetes (a mais comum – Diabetes mellitus (DM))

  • Uso excessivo de álcool

  • Deficiências nutricionais (como a deficiência de vitamina B), uma causa pouco frequente nos Estados Unidos, exceto entre os alcoólatras que apresentam desnutrição.

  • A deficiência de vitamina B12, que causa degeneração subaguda combinada da medula espinhal ( Degeneração combinada subaguda.) e frequentemente anemia perniciosa ( Absorção inadequada)

  • Glândula tireoide com baixa atividade (hipotireoidismo)

  • Substâncias tóxicas, incluindo metais pesados, como chumbo e mercúrio.

  • Insuficiência renal

  • Certos tipos de câncer, como no pulmão

  • Raramente, vitamina B6 (piridoxina) tomada em doses excessivas

A forma mais comum de polineuropatia crônica geralmente resulta do fraco controle dos níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes, mas também pode ser devido ao uso excessivo de álcool.

A neuropatia diabética se refere a várias formas de polineuropatia causada pelo diabetes. (O diabetes também pode causar mononeuropatia e mononeuropatia múltipla, que causam fraqueza, acima de tudo, no olho e nos músculos da coxa.)

Algumas pessoas têm uma forma hereditária de polineuropatia ( Neuropatias hereditárias).

Dependendo da causa, as polineuropatias podem afetar os nervos motores (que controlam o movimento dos músculos), nervos sensoriais (que transmitem informações sensitivas), nervos cranianos (que conectam a cabeça, rosto, olhos, nariz, músculos e ouvidos ao cérebro) ou uma combinação deles.

Sintomas

A polineuropatia aguda (como ocorre na síndrome de Guillain-Barré) começa repentinamente em ambas as pernas e avança para cima até os braços. Os sintomas incluem fraqueza e uma sensação de formigamento ou perda da sensibilidade. Os músculos que controlam a respiração podem ser afetados, causando insuficiência respiratória.

Na forma mais frequente de polineuropatia crônica, só é afetada a sensibilidade. Geralmente, no início, manifesta-se nos pés ou, ocasionalmente, nas mãos. Os sintomas predominantes são uma sensação de formigamento, perda de sensibilidade, dor e perda do sentido de vibração e de posição (saber onde se encontram os braços e as pernas). Uma vez que se perde o sentido de posição, ocorre uma instabilidade para andar ou mesmo para ficar de pé. Em consequência, os músculos não são utilizados, podendo ficar fracos ou mesmo atrofiados. Com o tempo, podem enfraquecer e atrofiar. Depois, os músculos ficam rígidos e permanentemente mais curtos (chamado contraturas).

A neuropatia diabética causa, com frequência, sensações dolorosas de formigamento ou de ardor nas mãos e nos pés, um quadro denominado polineuropatia periférica. Muitas vezes, a dor piora durante a noite e pode agudizar-se pelo tato ou por uma alteração na temperatura. A pessoa pode perder a sensibilidade à temperatura e à dor, podendo queimar-se, com frequência, e apresentar feridas abertas, causadas pela pressão prolongada ou outras lesões. Sem dor, como um aviso de muito estresse, as juntas ficam suscetíveis a lesões. Esse tipo de lesão é chamada de artropatia neurogênica (articulações de Charcot – Artropatia neurogênica).

A polineuropatia geralmente afeta os nervos do sistema nervoso autônomo, que controlam as funções involuntárias do organismo (como a pressão arterial, a frequência cardíaca, a digestão, a salivação e a micção). Os sintomas característicos são obstipação, disfunção sexual e uma pressão arterial oscilante, sobretudo uma descida súbita da pressão arterial ao levantar-se (hipotensão ortostática). A pele pode ficar pálida e seca e a transpiração pode diminuir. Muito menos frequente, perda do controle de movimentos intestinais ou urinação, levando a incontinência fecal ou urinária.

As pessoas com a forma hereditária podem ter dedos em martelo, os arcos dos pés muito pronunciados e a coluna vertebral arqueada (escoliose). As anomalias na sensibilidade e a fraqueza muscular são leves. As pessoas afetadas com sintomas leves podem não notar os sintomas ou os consideram pouco importantes. Outras pessoas são gravemente afetadas.

A recuperação completa depende da causa da polineuropatia.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Eletromiografia e estudos de condução nervosa

  • Exames de sangue e de urina para determinar a causa

O médico geralmente reconhece a polineuropatia pelos sintomas. Um exame físico e testes, como eletromiografia e estudos de condução nervosa ( Testes para diagnóstico de doenças do encéfalo, da medula espinal e do nervo : Eletromiografia e estudos de condução nervosa) podem proporcionar informações suplementares sobre a ausência ou diminuição da sensibilidade nos pés.

Depois de ter sido diagnosticada a polineuropatia, deve ser identificada a causa passível de ser tratada. Os médicos perguntam se há outros sintomas e em que frequência se desenvolvem. Essa informação sugere as possíveis causas. Os exames de sangue e de urina podem detectar a causa da polineuropatia como, diabetes, insuficiência renal ou glândula tireoide hipoativa.

Em geral, não é necessário realizar uma biopsia no nervo.

Às vezes, a polineuropatia que afeta as mãos e os pés é a primeira indicação de que a pessoa tem diabete. Outras vezes, quando um exame amplo não detecta nenhuma causa óbvia, a causa é uma neuropatia hereditária que afeta outros membros da família de modo bem moderado que a doença nunca causa suspeita.

Se a fraqueza é generalizada e piora rapidamente, os médicos devem realizar outros testes:

  • É realizada uma punção lombar ( Como a punção lombar é feita) para obter uma amostra do líquido cefalorraquidiano, que circunda o cérebro e a medula espinhal. Se o nível proteico no líquido é elevado e poucos glóbulos brancos (ou nenhum) são apresentados, a causa pode ser síndrome de Guillain-Barré.

  • Uma espirometria é realizada para determinar se os músculos que controlam a respiração foram afetados. A espirometria é usada para medir quanto ar os pulmões podem segurar assim como quanto e quão rápido o ar pode ser exalado.

Tratamento

  • Tratamento da causa

  • Alívio da dor

  • Por vezes, fisioterapia e terapia ocupacional

O tratamento específico depende da causa, como:

  • Diabetes: O controle cuidadoso dos níveis de glicose no sangue pode retardar o curso da doença e, em algumas ocasiões, aliviar os sintomas. O transplante das células que produzem insulina (células de ilhotas – Transplante de pâncreas), localizadas no pâncreas, é, às vezes, realizado e pode resultar em cura.

  • Mieloma múltiplo ou insuficiência renal ou hepática: O tratamento dessas doenças pode levar à recuperação lenta.

  • Câncer: Pode ser necessário realizar a remoção cirúrgica para aliviar a pressão no nervo.

  • Uma glândula tireoide hipoativa: É administrado hormônio de tireoide.

  • Doenças autoimunes: Os tratamentos incluem plasmaférese (filtro de substâncias tóxicas, incluindo anticorpos anormais, a partir do sangue), imunoglobulina administrada intravenosamente, corticosteroides e medicamentos que inibem o sistema imunológico (imunossupressores).

  • Medicamentos e toxinas: Interromper o medicamento ou evitar a exposição à toxina pode, às vezes, reverter a polineuropatia. Antídotos estão disponíveis para certos medicamentos e toxinas e podem reverter alguns efeitos tóxicos.

  • Excesso de vitamina B6: Se a vitamina é interrompida, é possível solucionar a polineuropatia.

Se não for possível corrigir a causa, o tratamento foca no alívio da dor e nos problemas relacionados à fraqueza muscular. A fisioterapia, às vezes, reduz a rigidez dos músculos e pode evitar contraturas. Os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem recomendar aparelhos de assistência úteis. Alguns medicamentos que geralmente não são considerados analgésicos podem diminuir a dor devido à lesão nervosa. Aí estão incluídos o antidepressivo amitriptilina, o anticonvulsivante gabapentina, e mexiletina (usado para tratar a arritmia cardíaca). Também pode ajudar a lidocaína, um anestésico aplicado como loção, uma pomada ou emplasto para a pele.